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28 de Dezembro de 2021 Aquaculture Brasil
Doenças virais em tilápias

Os vírus são agentes patogênicos compostos por material genético (DNA ou RNA) contido dentro de partículas orgânicas ou cápsulas/membranas proteicas. Os vírus são minúsculos, grande parte com menos de 100 nanômetros (um nanômetro equivale a 0,000001 milímetro). Os vírus não se reproduzem sozinhos. Eles dependem dos processos bioquímicos das células dos animais para replicarem seu material genético e, assim, aumentarem em número. O excesso de partículas virais formadas dentro de uma célula provoca o rompimento da mesma, causando danos e patologias às células, tecidos e órgãos afetados pelos vírus, desencadeando um processo patológico.

Registros de doenças virais em tilápia datam de 1973. Desde então, diversas viroses já foram reportadas tanto em tilápias cultivadas, como em tilápias naturalmente dispersas em ambientes naturais. No entanto, somente com a divulgação em 2014 do primeiro estudo identificando o Vírus da Tilápia do Lago - TiLV como responsável por grande mortalidade em tilápias cultivadas, os pesquisadores voltaram sua atenção para o estudo da ocorrência de doenças virais em tilápia. Muitas doenças virais chegam a causar mortalidades de proporções semelhantes ou até mesmo maiores do que as observadas com o TiLV, porém, na ocasião em que ocorreram, não foram devidamente identificadas e, tampouco, não se contava com a internet e mídias sociais como temos hoje em dia, capaz de fazer as notícias correrem rapidamente.

 

 

Os sinais clínicos que podem indicar a ocorrência de doenças virais em peixes incluem:

  • Hemorragia no corpo, anemia severa (brânquias ficam extremamente pálidas, quase brancas);
  • Abdômen distendido devido ao acúmulo de fluído que, no caso de viroses, geralmente tem aspecto transparente;
  • Alevinos e juvenis costumam arrastar longos cordões de fezes de coloração branca (diarreia);
  • Corpo escurecido;
  • Natação errática (espiralada ou sem rumo);
  • Letargia e peixes parados no fundo dos tanques.

Virose x Bacteriose

Outros sinais clínicos de viroses se assemelham aos sinais das septicemias bacterianas. Assim, muitos casos de viroses acabam sendo equivocadamente diagnosticados como bacteriose, particularmente pelo fato de serem comuns as co-infecções, e acaba que alguma bactéria está presente e é isolada dos peixes afetados. Muito certamente diversos casos de viroses ocorrem em tilápias cultivadas em diversos países, inclusive no Brasil, sem um completo e definitivo diagnóstico dessas patologias. Na maioria dos países há uma carência de profissionais treinados e de laboratórios equipados para o diagnóstico de doenças virais nos peixes.

 

 

Em casos de mortalidade de tilápias, ou de qualquer outra espécie de peixe, onde não é possível isolar ou diagnosticar um agente patogênico (parasitos ou bactérias), e/ou tampouco há indicativos de problemas ambientais ou de manejo, e/ou mesmo quando a terapia com antibióticos ou a aplicação de produtos terapêuticos na água não se demonstra capaz de resolver o problema, o produtor deve suspeitar da ocorrência de virose e notificar algum laboratório de patologia que possa assisti-lo no diagnóstico.

Conheça outros fatos importantes sobre viroses em peixes

  • A dispersão dos vírus no ambiente aquático é menos eficiente do que a transmissão aérea por aerossóis.
  • Diversos parasitos, entre eles alguns crustáceos copepodos, sanguessugas e protozoários foram identificados como sendo vetores de vírus em algumas espécies de peixes.
  • Poucas viroses em peixes são transmitidas sexualmente. No entanto, a transmissão vertical do vírus via óvulo ou espermatozoide contaminado é comum em várias doenças virais nos peixes.
  • Os peixes não são capazes de regular a temperatura corporal (são pecilotérmicos). Dessa forma, a temperatura do corpo é muito próxima da temperatura da água. A temperatura modula a velocidade de multiplicação dos vírus. Em condições de temperaturas extremas na água (muito baixas ou muito altas), a imunidade dos peixes é comprometida e eles possuem menor capacidade de combater uma infecção viral ou mesmo de outros organismos patogênicos.
  • O transporte de peixes (matrizes, ovos, alevinos, etc.) entre regiões, ou mesmo entre países, é a rota mais comum de propagação de doenças virais. O comércio de peixes ornamentais, inclusive com importações, bem como as ocasionais solturas desses peixes em ambientes naturais é outra importante rota de dispersão de viroses.
  • Peixes que migram naturalmente também podem propagar viroses em longas distâncias. Aves predadoras de peixes também podem propagar vírus de uma piscicultura a outra.
  • Alguns vírus que afetam peixes cultivados também estão presentes em populações naturais. Assim, peixes selvagens podem servir de reservatório de alguns vírus que, oportunamente, podem vir a contaminar os estoques de peixes cultivados.

 

 

Prevenção de doenças virais

Não há medicamento eficaz para o tratamento de doenças virais em peixes. Dessa forma, a melhor maneira de minimizar os prejuízos devido às viroses é a adoção de práticas preventivas. Confira abaixo algumas dicas:

  • Os produtores de alevinos devem certificar-se de que suas matrizes são livres de vírus ou, pelo menos, resistentes aos vírus mais importantes. Nesse caso, há a necessidade de investir nesses diagnósticos para selecionar as matrizes. Os produtores que recriam e engordam a tilápia devem buscar fontes de alevinos junto a fazendas com plantéis certificados que comprovem que eles estejam livres de vírus.
  • A vacinação é uma prática usada no cultivo comercial de diversas espécies de peixes e pode ajudar na prevenção de doenças virais. No entanto, a vacinação pode não ser 100% eficaz, pois muitos vírus já estão presentes em pós-larvas e pequenos alevinos que ainda não possuem o sistema imunológico adequadamente desenvolvido.
  • Adoção de protocolos de biossegurança, com foco na prevenção da entrada de animais com vírus na propriedade: controle dos alevinos adquiridos; desinfecção de caminhões e tanques de transporte; prevenir o acesso de pássaros migradores que podem ter comido peixes contaminados em outras localidades.
  • Práticas de manejo preventivas para diminuir as infestações por parasitas; uso de ração de alta qualidade nutricional e uso de tecnologia nutricional; manutenção de adequadas condições de qualidade de água.
  • Aumentar a vigilância e o envio de peixes para diagnóstico de vírus - isso permitirá compreender a distribuição do vírus, seus focos de origem e, assim, auxiliar na tomada de medidas para impedir a distribuição desses patógenos para outras regiões, assim como a adoção de medidas para solucionar ou amenizar os problemas na produção

    AQUATE FISH

  • O uso do AQUATE FISH auxilia no aumento da imunocompetência e resistência a doenças. Como alternativa à utilização de fármacos, a Alltech tem uma solução natural que é a utilização de um pacote tecnológico de alimentos funcionais. O uso deste nutracêutico é um meio de modelar a imunidade e resistência a doenças.

 

Autor: Fernando Kubitza 

Fonte: Assessoria de Imprensa Alltech

 

Veja também:

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Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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