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Ranicultura
01 de Maio de 2017 Andre Muniz Afonso
Inovações Tecnológicas na Cadeia Ranícola - Parte I – Inovações em Instalações e Manejo Reprodutivo

O termo “inovação” deriva do latim innovatio e, segundo Indriunas (2011), significa toda novidade implantada pela empresa, por meio de pesquisas ou investimentos, que aumenta a eficiência do processo produtivo ou que implica em um novo ou aprimorado produto. Em 2004, foi criada a Lei de Incentivo à Inovação (Lei n° 10.973) e em 2016 outra lei (Lei n° 13.243), mais abrangente, veio a substituí-la.

Na cadeia ranícola, assim como em qualquer outra cadeia produtiva animal, as inovações significam barateamento dos custos de produção, melhorias diretas no manejo e no bem-estar dos animais e diversificação de produtos, com o objetivo de atingir diferentes nichos de mercado. Nesta primeira parte do tema, iremos explorar mais as melhorias voltadas ao processo produtivo em si, com destaque para a reprodução.

 

 

No que tange ao Setor de Reprodução, as inovações que mais se destacaram foram:

I – A criação de duas áreas distintas de manejo, uma denominada área de acasalamento, onde os casais são colocados após a seleção das características fenotípicas compatíveis com a reprodução, e a outra denominada área de mantença, representada por baias semelhantes àquelas do setor de engorda, onde machos e fêmeas são criados separadamente, de modo a recuperar seus escores corporais, preparando-se para um novo processo reprodutivo;

II – A climatização e a criação de um ambiente favorável ao processo de reprodução, que deve ser realizado em ambas as áreas descritas anteriormente, de modo que os fatores bióticos e abióticos sejam controlados, mimetizando-se as características do período de primavera-verão;

III – A utilização de uma metodologia de indução à reprodução, mais conhecida como reprodução ou fertilização artificial. Esse processo teve seu início com a aplicação de extrato bruto hipofisário (EBH) de rãs adultas nas rãs com características de aptidão à reprodução (Ribeiro Filho, 1994) e, posteriormente, evoluiu para a aplicação de hormônios sintéticos indutores de maturação gonadal e extrusão/espermiação, com destaque para o acetato de buserelina (BZL) (Figura 1), um análogo do GnRH de mamíferos (Alonso, 1997; Agostinho et al., 2000; Afonso, 2004; Tortelly Neto, 2006; Pereira, 2009). Mais recentemente, outros análogos do GnRH vêm sendo utilizados na indução à reprodução de rãs, inclusive com associação de fármacos inibidores de dopamina, como é o caso do amphiplex (Trudeau et al., 2010).

Das inovações mencionadas, a técnica de reprodução artificial sempre chamou mais atenção do meio produtivo, principalmente por representar uma das formas de controle da reprodução em períodos de entressafra, pois sabe-se que nas épocas de outono e inverno, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste brasileiras, há interrupção nesse processo. Contudo, a climatização do ambiente faz-se necessária para que a aplicação de hormônios da reprodução tenha efeito fisiológico. O mais interessante é que isso permite que a reprodução natural também ocorra. Logo, pode surgir um questionamento: O processo de reprodução artificial é mesmo necessário? A resposta é: não! Ele é apenas uma das formas de controle e planejamento do processo de produção, uma vez que a reprodução marca o início de um sistema produtivo.

Diante do exposto, pode-se concluir que as inovações referentes à reprodução de rãs trouxeram grandes benefícios ao desenvolvimento da ranicultura como um todo e a ciência busca sempre novas formas de aperfeiçoar esse processo, haja visto que somente há poucos anos a qualidade dos gametas vem recebendo maior interesse dos pesquisadores. Muito já foi feito, mas há muito mais a se fazer…

Saudações ranícolas!

 

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Andre Muniz Afonso

Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (UFF/2000), com mestrado em Medicina Veterinária (Área de concentração: Patologia e Reprodução Animal-UFF/2004) e doutorado em Medicina Veterinária (Área de concentração: Higiene Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal-UFF/2016). Desde 2009 é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Setor Palotina (Palotina/PR), sendo responsável pelas disciplinas de Tecnologia do Pescado, Ranicultura e Análise Sensorial de Alimentos e Bebidas, bem como pelo Laboratório de Ranicultura (LabRan-UFPR). Tem experiência na produção, beneficiamento, industrialização e sanidade de organismos aquáticos, tendo atuado em diversos órgãos voltados a esta temática. Atua principalmente nos seguintes temas: Processamento e Inspeção Higienicossanitária de Produtos de Origem Animal, Vigilância Sanitária, Aquicultura, Sanidade Aquícola e Extensão Rural.

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Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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