Colunas
Piscicultura Marinha
01 de Maio de 2017 Ricardo Vieira Rodrigues
Produção do neon gobie Elacatinus figaro

Nas últimas duas colunas publicadas nas edições anteriores da Revista Aquaculture Brasil, abordei o tema “Piscicultura Ornamental Marinha”. Nesta edição comentarei sobre a produção do neon gobie Elacatinus figaro. Essa espécie é endêmica do litoral brasileiro, com distribuição do Ceará até Santa Catarina. O neon gobie é uma espécie apreciada no mercado da aquariofilia pelo seu pequeno porte, destacada coloração e por ser uma espécie “limpadora” do aquário, uma vez que se alimenta de ectoparasitas de outros peixes. O seu potencial limpador foi inclusive confirmado, reduzindo a quantidade de monogenóides na garoupa (Souza et al., 2014), podendo ser uma espécie potencialmente utilizada controlando ectoparasitos na produção de peixes de corte.

 

 

No início dos anos 2000, E. figaro foi uma das espécies de peixes ornamentais marinhos mais exportadas pelo mercado nacional e os exemplares eram oriundos exclusivamente da coleta do ambiente natural. Essa exploração dos estoques naturais levou a uma sobrepesca da espécie que, em 2004, foi incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção. Portanto, desde de 2004 sua captura e comercialização é proibida pelo IBAMA (Instrução Normativa nº5 de 21 de maio 2004). Sendo assim, a aquicultura de espécie surge como alternativa para manutenção da sua oferta e comercialização no mercado ornamental.

Os primeiros estudos referentes a produção dessa espécie foram publicados por Meirelles et al. (2009) e Shei et al. (2010). Nesses dois estudos foi descrito a formação dos casais de reprodutores em laboratório e sua alimentação, dados de fecundidade, taxa de eclosão, desenvolvimento embrionário e larval, protocolos de larvicultura e crescimento larval. Alguns dos principais resultados estão sintetizados na Tabela 1 e mais informações podem ser adquiridas diretamente nas publicações. Esses primeiros resultados foram importantes para comprovar a possibilidade de produção dessa espécie.

A partir desses estudos, uma série de outros trabalhos foram e estão sendo realizados com a espécie, visando otimizar sua produção. Dessa forma aspectos referentes à alimentação dos reprodutores e larvas, assim como o conhecimento básico da morfologia do trato digestório e sistema imunológico e utilização de hormônios para antecipar e sincronizar a metamorfose dessa espécie estão sendo abordados.

Na minha opinião muitos estudos ainda são necessários para otimizar a nutrição dos reprodutores e a sobrevivência durante a larvicultura dessa espécie. Também é necessário avaliar as desovas dos peixes F1 (peixes produzidos a partir de reprodutores selvagens). Contudo está comprovada a possibilidade de produzir essa espécie em cativeiro, sem a necessidade de capturar exemplares no ambiente natural.

 

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Capa do colunista Ricardo Vieira Rodrigues
Ricardo Vieira Rodrigues

Ricardo Vieira Rodrigues é biólogo, mestre e doutor em Aquicultura pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Dedicou toda sua atuação profissional, desde a graduação em atividades relacionas a piscicultura marinha. Até o momento já atuou em estudos relacionados a produção de mais 10 espécies de peixes marinhos, desde a reprodução até a engorda. Atualmente é professor Titular-Livre da FURG e professor permanente do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da FURG, orientando estudantes da graduação, mestrado e doutorado. Suas principais linhas de atuação incluem reprodução e larvicultura de peixes marinhos, ecotoxicologia aplicada a aquicultura, produção de peixes ornamentais marinhos e produção de organismos aquáticos em sistemas de recirculação de água.

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Charge Edição nº 11 Publicado em 01/04/2018
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