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Empreendedorismo Aquícola
01 de Maio de 2017 André Camargo
Tesouro de escamas

O desenvolvimento da aquicultura brasileira tem como segunda espécie mais importante o tambaqui, onde segundo a Peixe BR, Associação Brasileira de Piscicultura, produzimos em 2016 mais de 250 mil toneladas do grupo de peixes redondos, composto pelo tambaqui e seus híbridos. As expectativas de crescimento da produção dos redondos não param de crescer e podemos ter brevemente surpresas na composição dos números da piscicultura nacional. O estado de maior destaque na produção é Rondônia, seguido de Mato Grosso.

É fundamental apontarmos que os redondos possuem características zootécnicas extremamente favoráveis à aquicultura, como ganho de peso diário, conversão alimentar e talvez o mais importante deles: aceita dietas de baixos níveis proteicos. Assim, podemos dizer que temos hoje um grupo de espécies nativas do Brasil pronto para colaborar no abastecimento mundial de pescado, haja visto que nas maiores feiras mundiais de pescados como Seafood Boston e Bruxelas, já podemos encontrar empresas chinesas por exemplo, oferecendo “Red Bellied PACU” como um produto de baixo custo e alta aceitação no mercado de peixes inteiros congelados. O “Red Pacu” nada mais é do que a pirapitinga da Amazônia, que leva a China hoje a ser o maior produtor de peixes redondos do mundo.

 

 

Sabendo do futuro da espécie, devemos ressaltar o gatilho deste desenvolvimento, ligado aos hábitos alimentares de uma das cidades mais cosmopolitas do Brasil: Manaus. Segundo o Instituto Pesquisa 365, a cidade de Manaus consome mais de 50 kg per capita ano e 61,83% deste pescado é tambaqui. Este número que por diversas vezes foi comparado a costumes asiáticos alavancou a piscicultura em Rondônia, Acre, Amazonas e todo o norte do Brasil, pois o tambaqui oriundo da pesca extrativa está cada vez mais escasso. Assim podemos revelar que o consumo da cidade brasileira que mais come peixe é abastecido por nossa aquicultura.

Portanto mercado brasileiro e mundial, temos em mãos um dos grandes desafios da aquicultura brasileira, temos uma espécie de potenciais inacreditáveis que precisa de desenvolvimento. Precisa de melhoramento genético, desenvolvimento de cortes especiais, mercado internacional entre outras demandas. Para que nossa aquicultura possa deixar de ser este eterno potencial, temos aqui um pilar, um ponto importante de foco. O processo de globalização traz ao Brasil mais uma chance de transformar o tambaqui na mandioca das águas e assim tornar um peixe genuinamente brasileiro numa proteína de alto valor nos pratos do mundo todo.

 

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André Camargo

– Zootecnista
– Pós-graduado em Gestão Agro-industrial pela UFLA.
– Mestre em Aquicultura pelo Caunesp.
– Sócio fundador da Escama Forte.

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Charge Edição nº 11 Publicado em 01/04/2018
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