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Green Technologies
01 de Março de 2017 Maurício Emerenciano
Ser ou Não Ser – Sólida Questão

Dia após dia cresce o interesse nos cultivos de bioflocos. E a coluna “Green Technologies” desta edição aborda um tema frequentemente discutido entre aqueles que já realizaram ou realizam esta modalidade de cultivo: a importância de se manejar (e bem) os sólidos! De uma maneira resumida, os famosos “sólidos” são partículas orgânicas e inorgânicas monitoradas nos sistemas BFT que podem estar suspensas na coluna da água, sedimentadas no fundo dos viveiros e tanques (quando em excesso ou quando ocorre uma má distribuição da aeração formando os lodos ou “sludge”) ou em frações muito reduzidas (<45μm) chamadas de sólidos dissolvidos. Existem outras frações, mas na prática são estas que detém maior atenção. Em outras palavras, são os bioflocos já formados ou em via de formação. São vários os motivos para monitorar e controlar os sólidos, dentre eles podemos destacar:

  1. Evitar uma respiração excessiva no ambiente de cultivo e consequentemente a queda dos níveis de oxigênio dissolvido;
  2. Diminuir a formação de amônia, nitritos e nitratos;
  3. Diminuir a formação do CO2 e a queda excessiva de pH;
  4. Diminuir a queda da alcalinidade;
  5. Evitar o acúmulo de fósforo;
  6. Evitar o recobrimento de brânquias de peixes e camarões, no qual pode resultar em estresse, proliferação de agentes patogênicos e aumento de mortalidades.

Como costumo dizer, pouco sólido (ou bioflocos) é ruim. E muito sólido também é ruim. Assim emerge a pergunta óbvia: como monitorar e quais os níveis ideais? Respondendo a primeira pergunta são basicamente duas maneiras de monitorar: 1) via a técnica de “TSS” (do inglês para “sólidos suspensos totais”); e via “SS” ou sólidos sedimentáveis. A técnica do TSS é muito mais precisa. No entanto, na prática é demorada e mais onerosa. Se a fazenda puder e quiser, ótimo! Caso contrário, uma opção mais prática e rápida é a técnica dos sólidos sedimentáveis (Figura 1) utilizando-se os famosos cones Imhoff, o que já é um bom começo.

 

 

Em relação à segunda pergunta, a maioria da literatura especializada cita que para camarões marinhos o ideal é não ultrapassar 400-500 mg L-1 de TSS ou manter- se entre 5 a 15 mL L-1 medidos nos cones Imhoff . Para as tilápias, a faixa ideal e entre 20 a 50 mL L-1 medidos nos cones. Uma dica importante e vivida na prática e não ultrapassar os 10 mL L-1 para tilápias nas fases iniciais (de 0,1 a 20g). E uma vez detectado níveis elevados, como controlar? Dentre as diversas técnicas disponíveis, certamente a que vem chamando mais atenção é que reuni eficiência com baixo custo de operação/construção é o uso dos sedimentadores (também chamados de clarificadores, Figura 2).

Particularmente tenho uma alegria especial de mencionar esta técnica pois participei no ano de 2008 de um estudo considerado um clássico neste sentido, desenvolvido pelo amigo Dr. Andrew Ray no Waddell Mariculture Center-EUA (Ray et al. 2010). E foi notória a diferença de crescimento e qualidade de água quando os sólidos são controlados. Atualmente outra técnica que vem chamando a atenção no cultivo de camarões e a circulação de água para bacias de sedimentação com ou sem o uso de tilápias. Independente da técnica adotada, monitorar e controlar os sólidos deixou de ser uma necessidade futura para virar um manejo obrigatório nos cultivos BFT. Mãos a obra!

 

Faça o download e confira o texto completo com todas as ilustrações. Clique aqui

 

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Maurício Emerenciano

Maurício Emerenciano é graduado em Zootecnia (UEM), mestre em aquicultura (FURG) e doutor em Ciências pela UNAM (México). Em 2014 foi ganhador da Medalha Alfonso Caso (menção honrosa designada às melhores teses e dissertações dos Programas de Pós-Graduação da UNAM/México). Atua na aquicultura desde 2002 e como pesquisador já realizou cooperação científica em diversos centros de pesquisa como Waddell Mariculture Center (EUA), CSIRO (Austrália) e IFREMER (França). Foi consultor científico em aquicultura para o governo do Chile, do México e Polinésia Francesa (Pôle d’Inovación de Tahiti). Membro do Biofloc Technology Steering Committee (AES), voltado a ações científicas e tecnológicas referentes ao sistema BFT. Possui capítulo de livro referência mundial da tecnologia de bioflocos (Biofloc Technology - The practical guide 3rd edition). Já proferiu mais de 20 cursos e diversas palestras sobre tecnologias “mais verdes” de produção para produtores, indústria e academia no México, Brasil, Chile e Colômbia. Atualmente é professor e pesquisador da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), campus Laguna/SC, onde coordena projetos de pesquisa vinculados ao setor público e privado.

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Charge Edição nº 11 Publicado em 01/04/2018
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