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Nutrição Aquícola
01 de Janeiro de 2017 Artur Nishioka Rombenso
O valor dos carboidratos na nutrição aquícola

Os carboidratos são macronutrientes encontrados naturalmente, sendo compostos por carbono, hidrogênio e oxigênio em proporções que geralmente seguem a fórmula CH2O. Esses nutrientes são uma ótima fonte de energia (17 kj/g) e estão amplamente disponíveis. Além disso, os carboidratos são classificados quanto à complexidade de sua composição química, baseada no número de monossacarídeos (açúcares simples) existentes na cadeia da molécula e em como eles são conectados. Compostos simples como os monossacarídeos (glucose, frutose) são prontamente utilizados. O mesmo é válido para os dissacarídeos (sucrose, lactose) e alguns oligossacarídeos (amido), porém compostos mais complexos como os polissacarídeos (celulose e quitina) são mais difíceis de digerir.

Diferentemente das proteínas e dos lipídios, os carboidratos não são exigidos nutricionalmente por peixes e camarões, pois eles podem sintetizar, de maneira eficiente, glucose de diferentes precursores que não sejam carboidratos, como por exemplo, os aminoácidos. Estudos relatam que esses organismos podem viver felizes e saudáveis quando alimentados com dietas sem carboidratos. Então, por que os carboidratos são incluídos nas dietas aquícolas? E por que existe tanta pesquisa aplicada buscando compreender o metabolismo desses nutrientes? No processo de formulação, após satisfazer as exigências nutricionais por aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas e minerais, é comum a inclusão de carboidratos, pois:

1. Os carboidratos são disponíveis globalmente e constituem uma fonte barata de energia;
2. Em termos de energia disponível para os organismos, os carboidratos podem ser utilizados no lugar das proteínas e dos lipídios (processo conhecido em inglês como “protein – and lipid-sparing”), possibilitando formulações mais eficientes através de um melhor custo-benefício;
3. Esses nutrientes funcionam como ligantes, possibilitando a peletização e extrusão das dietas, pois seria impossível a fabricação de dietas à base de apenas proteínas e lipídios, sem contar o custo altíssimo dessa dieta, e a garantia da qualidade do pellet (dureza, textura, perfil de flutuabilidade, estabilidade em água, etc.) conforme o desejado;
4. Os carboidratos auxiliam na estabilidade fecal e o conteúdo de fibra estimula o trânsito do trato gastrointestinal.

 

 

O ambiente aquático é rico em proteínas e lipídios, porém pobre em carboidratos. Dessa forma, é esperado que os organismos aquáticos possuam certas limitações para utilizar esses nutrientes. Porém, devido à grande variedade de organismos aquáticos, certas espécies utilizam melhor os carboidratos como fonte nutricional (energética) através de determinados mecanismos fisiológicos. Uma recente revisão categoriza em três grandes grupos os multi-fatores que influenciam a utilização de carboidratos em peixes:

De maneira resumida, simplificada e geral, as espécies tropicais de nível trófico mais baixo (espécies menos carnívoras) e que vivem em ambientes menos salinos utilizam os carboidratos de maneira mais eficiente. Primeiramente, um dos maiores desafios para a inclusão de carboidratos em dietas aquícolas é a sua digestibilidade e, como essa é influenciada pela temperatura, as espécies de águas tropicais são mais eficientes na utilização desses nutrientes quando comparadas com espécies subtropicais e temperadas.

Além disso, uma espécie criada na extremidade superior de seu intervalo térmico (intervalo de temperatura ideal de criação) irá digerir carboidratos mais prontamente do que a mesma espécie criada na extremidade inferior do seu intervalo térmico. Em segundo lugar, espécies de baixo nível trófico (omnívoras e herbívoras) utilizam melhor os carboidratos do que espécies de elevado nível trófico (carnívoras), devido ao pressuposto de que o alimento natural do herbívoro e carnívoro contêm maiores níveis de carboidratos do que o das espécies carnívoras. Por fim, há evidências de que espécies de água doce também utilizam melhor os carboidratos do que espécies marinhas. Uma tentativa de generalizar a utilização de carboidratos em peixes consistiria em:

O intuito desse artigo foi relatar, em termos gerais, a importância dos carboidratos na nutrição aquícola tanto fisiologicamente quanto em termos de fabricação dos alimentos, e também ressaltar que existem vários grupos de pesquisa focados na nutrição de carboidratos, embora o enfoque ainda seja menor do que em relação às proteínas e lipídios.

 

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Artur Nishioka Rombenso

Artur N. Rombenso é oceanólogo Brasileiro de 28 anos e doutor em Nutrição aquícola pela Southern Illinois University Carbondale – EUA. Atualmente é professor/pesquisador no Instituto de Oceanografia na Universidade Autônoma de Baja California – México. Nos últimos 5 anos o Artur vem trabalhando com nutrição de peixes com ênfase em fontes alternativas de lipídeos e requerimentos de ácidos graxos. Possui vários trabalhos publicados em revistas científicas e técnicas, nacionais e internacionais, e ganhou 5 prêmios de melhor trabalho científico durante seu doutorado. Possui também grande experiência internacional participando e colaborando em projetos de pesquisa e extensão em mais de 7 países. Além do lado acadêmico, Artur auxilia na coordenação de pesquisa, extensão e produção de uma maricultura em Angra dos Reis – RJ. As principais linhas interesse se extendem desde nutrição (organismos aquáticos e humanos) à aquacultura, maricultura, lipídeos, ácidos graxos, e qualidade nutricional de frutos do mar. 

E-mail: arturnr@yahoo.com.br

Skype: artur.nishioka

CV: Research Gates

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Charge Edição nº 5 Publicado em 01/05/2017
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