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Green Technologies
01 de Janeiro de 2017 Maurício Emerenciano
Carbono:nitrogênio, a -doce- relação empregada nos sistemas de bioflocos

A coluna “Green Technologies” desta edição aborda um tema que intriga muitos produtores e técnicos: mas afinal, qual a importância da relação carbono:nitrogênio (C:N) e o motivo de utilizarmos “açúcares” ou fontes de carbono externo, como melaço e farelos vegetais, nos sistemas intensivos de bioflocos?

Como já sabemos, a “essência” do sistema de bioflocos é um ambiente rico em microrganismos, certo? Correto! E essa riqueza é devido essencialmente pelas trocas de água mínimas ou nulas, que concentram os nutrientes no ambiente de cultivo, ambiente este que possui constante aeração e movimento (turbulência) de água. Mas não basta somente concentrar estes nutrientes, eles tem que estar presentes de uma maneira balanceada. Em outras palavras, com uma relação C:N adequada (ou “mais elevada”), geralmente entre 12-20:1, fomenta-se o crescimento de microrganismos desejáveis do sistema: degradadores de matéria orgânica, também conhecidos como “heterotróficos”!

 

 

Além disso, e não menos importantes, grupos se desenvolvem paralelamente por encontrar um ambiente propício: bactérias nitrificantes (também chamadas de quimioautotróficas). Ao longo do ciclo de cultivo, onde gradualmente se reduz a incorporação do carbono externo, este grupo representará cerca de 2/3 da transformação do nitrogênio amoniacal. Mas vale ressaltar um ponto extremamente importante: estas bactérias não degradam a matéria orgânica. Não é seu papel, sua natureza. E sim oxidam a amônia em nitrito e nitrito a nitrato, utilizando carbono inorgânico para seu metabolismo, que é considerado mais lento, e que demoram em colonizar o ambiente de cultivo.

Para fomentar e manter esses grupos estáveis é fundamental um pH mais neutro, alcalinidade acima dos 100mg/L e concentrações elevadas de oxigênio dissolvido. Mas se a tarefa é controlar e diminuir eventuais picos de nitrogênio amoniacal em um ciclo já em andamento (em virtude, por exemplo, de uma instabilidade da comunidade quimioautotrófica), vale novamente utilizar a “doce relação” até que a mesma se reestabeleça. No entanto, deve-se empregar uma relação mais baixa (ou 6:1; proposto por Ebeling et al. 2006) que leva em consideração os valores de nitrogênio amoniacal total presente na água de cultivo. Mas prudência e controle criterioso são a chave do sucesso!

O excesso da adição destes açúcares tendem a aumentar a concentração de sólidos (bioflocos) no sistema e como resultado pode ser observado uma diminuição dos níveis de oxigênio dissolvido, redução do pH e novos picos de amônia e nitrito no sistema. A tarefa não é fácil. Cautela, monitoramento e muita observação são palavras que não devem ser esquecidas.

Mãos à obra!

 

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Maurício Emerenciano

Maurício Emerenciano é graduado em Zootecnia (UEM), mestre em aquicultura (FURG) e doutor em Ciências pela UNAM (México). Em 2014 foi ganhador da Medalha Alfonso Caso (menção honrosa designada às melhores teses e dissertações dos Programas de Pós-Graduação da UNAM/México). Atua na aquicultura desde 2002 e como pesquisador já realizou cooperação científica em diversos centros de pesquisa como Waddell Mariculture Center (EUA), CSIRO (Austrália) e IFREMER (França). Foi consultor científico em aquicultura para o governo do Chile, do México e Polinésia Francesa (Pôle d’Inovación de Tahiti). Membro do Biofloc Technology Steering Committee (AES), voltado a ações científicas e tecnológicas referentes ao sistema BFT. Possui capítulo de livro referência mundial da tecnologia de bioflocos (Biofloc Technology - The practical guide 3rd edition). Já proferiu mais de 20 cursos e diversas palestras sobre tecnologias “mais verdes” de produção para produtores, indústria e academia no México, Brasil, Chile e Colômbia. Atualmente é professor e pesquisador da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), campus Laguna/SC, onde coordena projetos de pesquisa vinculados ao setor público e privado.

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Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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