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Atualidades e Tendências da Aquicultura
13 de Junho de 2023 Fábio Rosa Sussel
Um olhar para a Proteína Aquática como um todo

 

 

 

 

Seja nas gôndolas dos supermercados, seja nos cardápios dos restaurantes a proteína aquática é uma coisa só, independente da sua origem. Nacional ou importada, de água doce ou de água salgada, cultivada ou da pesca comercial, é fundamental termos o entendimento que do ponto de vista dos consumidores, via de regra, é uma coisa só. Da mesma forma que alguns preferem pescado da aquicultura, outros preferem da pesca. Tem aqueles que só consomem pescado de água doce, enquanto outros preferem os de água salgada. Normal!

O que não é normal ou o que não faz sentido é a cadeia como um todo (aquicultura + pesca) atacar determinado segmento com a intenção de exaltar o segmento onde atua. Baita tiro no pé. A aquicultura tem suas virtudes e seus defeitos. A pesca tem suas virtudes e seus defeitos. Mesma coisa para pescado de água doce x água salgada, importado ou nacional, se o salmão é cultivado ou selvagem e assim por diante. A proteína aquática, que por sinal é a proteína animal mais consumida no mundo, por si só já tem atributos que a colocam num patamar superior em relação as demais proteínas de origem animal.

É fundamental que todos os envolvidos com a cadeia da proteína aquática tenham o entendimento do quão desconfortável os consumidores se sentem na hora de escolher um peixe no supermercado, na peixaria, na feira livre ou no cardápio de um restaurante. Não é uma tarefa fácil, pois falta informação séria e falta padronização dos produtos. Primeiro precisamos promover, com responsabilidade, o mercado como um todo e não dividir a pizza. Aliás, traçando um paralelo com o consumo de pizza, hoje escolhemos a combinação de sabores que mais nos agrada. Mas antes disso, foi naturalmente desenvolvido em nós um desejo em consumir pizza de um modo geral. No caso do pescado, a sensação é que estamos querendo pular uma etapa e forçar os consumidores a preferirem um único sabor. Igualmente a pizza, pescado tem sabores pra todos os gostos.

Em resumo: primeiro promover toda uma categoria, de modo que os consumidores tenham maturidade, tenham segurança do que estão consumindo. Depois, conforme as crenças, as filosofias de vida, as preferências de paladar, o poder aquisitivo, entre outros fatores, cada um vai consumir aquilo que mais atende considerando o conjunto de características que mais lhe agrada ou que está ao seu alcance financeiro.

E qual o cenário que temos hoje? Ainda uma forte resistência e/ou desconfiança (pra não dizer preconceito) por parte dos consumidores quando o assunto é consumo de pescado e mensagens vindas do próprio setor exaltando determinado produto ou segmento a custas de ataques aos outros. Qual o resultado disso? Confusão ainda maior junto aos consumidores os quais, por muitas vezes não saberem exatamente a origem do pescado que está consumindo, preferem simplesmente não consumir. Todos saem perdendo.

 

 

 

 

 

Do mais rico ao mais pobre, o desejo de consumir pescado é o mesmo. Comercialmente falando, o pescado com maior valor agregado (talvez o bacalhau) é tão importante quanto o mais barato (talvez a sardinha). E tem ainda aquelas espécies pouco conhecidas pelos consumidores. Temos uma vasta diversidade de pescado com textura, sabor, ausência de espinhos e etc ..., tão boas quanto a tilápia, o salmão, o tambaqui, o atum e, muitas vezes, com preços até mais acessíveis. No entanto, desconhecidas pelos consumidores.

Inclusive, algumas espécies com nomes tão estranhos que chega afugentar os consumidores, como: pregereba, sororoca, olho-de-boi ... entre outras. Mas, possuem carne de ótima qualidade. Iniciativas que promovam o aumento do consumo de pescado de modo geral, beneficia o setor como um todo. Diferente de iniciativas que denigrem determinado segmento.

Um exemplo interessante é a plataforma FishCode (www.fishcode.com.br e @fishcode), onde através de um linguajar de fácil compreensão vem educando e orientando os consumidores na escolha do pescado, sem vaidades em relação a origem do pescado. Mas com o cuidado de não incentivar o consumo de espécies em risco de extinção ou oriundas da pesca predatória.

Mais uma vez pensando no ponto de vista de consumidores, devemos considerar que somos diariamente bombardeados por uma comunicação do tipo afetiva que explora a indignação, a agressão, o ódio, o medo e até mesmo o atacar simplesmente por atacar, em todos os segmentos. Seja com fatos reais rechaçados ou com fake news. Neste tipo de comunicação nem sempre prevalece os melhores argumentos, mas sim as estratégias com maior potencial de instigar. E é justamente aí que se identifica uma lacuna, uma carência de conteúdos/informações sem vieses, que simplesmente vem para educar, orientar com responsabilidade e sem vaidades.

 

 

 

 

 

Além de produzirmos com eficiência, também é fundamental vendermos uma boa imagem da cadeia como um todo, pois, é assim que vamos conseguir agregar mais valor e dar vida longa a atividade.

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Fábio Rosa Sussel

Fábio Sussel é Zootecnista formado pela Universidade Estadual de Maringá, possui mestrado em nutrição de peixes pela UNESP de Botucatu e doutorado, também em nutrição de peixes, pela USP de Pirassununga. Pesquisador Científico em Aquicultura do Instituto de Pesca de São Paulo. Especialista em proteína aquática, com ênfase na produção comercial de lambari e produção de camarão marinho em água salinizada. Idealizador e primeiro apresentador do programa AquaNegócios da Fish TV. Apresentador do Canal #VaiAqua do Youtube.

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Charge Edição nº Publicado em 18/09/2023
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