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Nutrição Aquícola
01 de Outubro de 2016 Artur Nishioka Rombenso
Verão – Será que seu peixe necessita um alimento diferenciado?

Nos meus artigos anteriores mencionei inúmeras vezes a importância de fornecermos um alimento adequado para atender as exigências e as demandas nutricionais dos organismos aquáticos em questão. Nesse sentido, o que vem de imediato em nossa mente é o fornecimento de uma ração para cada fase: berçário, pré-engorda, engorda e pré-despesca. Mas será que outros fatores, como por exemplo a variação de temperatura da água ao longo das estações do ano, têm influência nas exigências nutricionais a ponto de se desenvolver uma dieta específica?

Para responder a essa e outras questões o Dr. Fernando Norambuena (atualmente pesquisador sênior da empresa Biomar) realizou uma série de experimentos com diferentes espécies de peixes incluindo a Truta Arco-Íris, o Salmão do Atlântico e o Linguado Sole Europeu.

Uma de suas pesquisas com reprodutores do Linguado Sole Europeu consistiu em utilizar um alimentador automático por demanda, ou seja, um alimentador automático que é acionado pelo próprio peixe quando necessita alimento (Fotos 2 e 3). Mais especificamente, esse sistema possui três partes: (1) alimentador automático por demanda, (2) registro de atividade de demanda e (3) computador para armazenar todas as informações (Diagrama 1). Para melhor desempenho nesse tipo de sistema é necessário um “treinamento” para que os peixes se acostumem e entendam a necessidade de acionar o alimentador para obter alimento. Uma vez acostumados, não se observam problemas relacionados a falta de alimento, saúde e crescimento dos peixes.

 

 

Nesse mesmo estudo, foram analisadas duas dietas com diferentes níveis de ácido araquidônico (ARA – 20:4n-6): dieta A – rica em ARA e dieta B – pobre em ARA. As duas dietas foram colocadas em dois alimentadores automáticos independentes e cada tanque possuía dois alimentadores com as duas dietas. Para evitar resultados tendenciosos, a posição dos alimentadores foi modificada seis vezes durante o experimento. No final de 70 semanas, observou-se que ao longo do ano a preferência por ARA estava relacionada à variação de temperatura da água (Figura 1). Os peixes preferiram a dieta A (rica em ARA) nos meses de verão e início de outono, enquanto que a dieta B (pobre em ARA) foi mais consumida nos meses de inverno.

Esse resultado é bastante interessante em diversos aspectos. Primeiramente pelo fato do organismo ter a habilidade de escolher a melhor dieta segundo suas preferências e necessidades fisiológicas. Em segundo lugar, pelo fato do peixe exigir mais ARA no verão do que no inverno. O ARA é um ácido graxo poliinsaturado de cadeia longa (LC-PUFA, do inglês long-chain polyunsaturated fatty acid) bastante importante fisiologicamente, participando de maneira ativa em processos como crescimento, sobrevivência, resistência ao estresse e reprodução. Além disso, esse estudo mostra a relevância que apenas um nutriente (nesse caso o ácido graxo ARA) pode ter para a nutrição geral do peixe e a sutileza do organismo em selecionar dietas idênticas que somente se diferenciam pelo nível desse ácido graxo. Por fim, é necessário termos um melhor entendimento sobre as preferências nutricionais das espécies em função da temperatura da água, pois as mudanças climáticas estão cada vez mais bruscas e aleatórias, sendo muitas vezes associadas ao aquecimento global.

O intuito desse artigo foi levar um assunto novo e interessante para o conhecimento de todos e também mostrar uma das novas frentes para a nutrição aquícola. Através desse tipo de sistema (alimentador automático por demanda) é possível obter dados, informações e conhecimento nunca pensados, pois quem melhor do que o próprio organismo para nos indicar sua preferência nutricional? Além disso, essa linha de pesquisa pode ser expandida para outros organismos aquáticos e esses resultados podem ser também interessantes do ponto de vista ecológico, comportamental, fisiológico, produtivo, nutricional, entre outros.

 

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Artur Nishioka Rombenso

Artur N. Rombenso é oceanólogo Brasileiro de 28 anos e doutor em Nutrição aquícola pela Southern Illinois University Carbondale – EUA. Atualmente é professor/pesquisador no Instituto de Oceanografia na Universidade Autônoma de Baja California – México. Nos últimos 5 anos o Artur vem trabalhando com nutrição de peixes com ênfase em fontes alternativas de lipídeos e requerimentos de ácidos graxos. Possui vários trabalhos publicados em revistas científicas e técnicas, nacionais e internacionais, e ganhou 5 prêmios de melhor trabalho científico durante seu doutorado. Possui também grande experiência internacional participando e colaborando em projetos de pesquisa e extensão em mais de 7 países. Além do lado acadêmico, Artur auxilia na coordenação de pesquisa, extensão e produção de uma maricultura em Angra dos Reis – RJ. As principais linhas interesse se extendem desde nutrição (organismos aquáticos e humanos) à aquacultura, maricultura, lipídeos, ácidos graxos, e qualidade nutricional de frutos do mar. 

E-mail: arturnr@yahoo.com.br

Skype: artur.nishioka

CV: Research Gates

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Charge Edição nº 5 Publicado em 01/05/2017
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