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Visão Aquícola
06 de Julho de 2022 Giovanni Lemos de Mello
Perto, muito perto de 1 milhão de toneladas

Uma pena que, passados os primeiros anos de um belíssimo trabalho de Jorge Seif Júnior a frente da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca – SAP/MAPA, a problemática da estatística aquícola e pesqueira no Brasil não tenha avançado.

 

 


 


Em consulta recente ao site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, apresentase como suas principais funções: “se constitui no principal provedor de DADOS e INFORMAÇÕES do País, que atendem às necessidades dos mais diversos segmentos da sociedade civil, bem como dos órgãos das esferas governamentais federal, estadual e municipal”. Como Missão Institucional: “Retratar o Brasil com informações necessárias ao CONHECIMENTO de sua REALIDADE e ao exercício da cidadania”.


Atracando em nosso setor, a pesca e aquicultura brasileira, lamentavelmente, não têm dados e informações precisas sobre o setor. Talvez não tenhamos tanto CONHECIMENTO sobre a REALIDADE em baixo d ́água.


O próprio IBGE tem lá sua estatística aquícola, mas ainda um pouco distante da realidade de nossos rincões. Mas vamos lá, se é para fazer um exercício, vamos tentar fazer, e quem sabe chegamos a um dado que significa (ou significará) um marco para a criação de organismos aquáticos no Brasil.


Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura – PEIXE BR, a cadeia da produção de peixes cultivados no Brasil atingiu, em 2021, 841.005 toneladas, com receita de cerca de R$ 8 bilhões.


Em consulta ao nosso Mestre Itamar de Paiva Rocha, presidente da ABCC (Associação Brasileira dos Criadores de Camarão), ele nos relata que no Brasil, em 2021, foram produzidas 120.000 mil toneladas de camarões – 100% da espécie Litopenaeus vannamei.


Somando nossos peixes de água doce com o simpático L. vannamei, temos 961.005 toneladas despes cadas das águas tupiniquins em 2021. Faltam 38.995 t!

 


 


Ainda temos os moluscos catarinenses! Os dados mais atuais da Epagri (2020), apontam que o Estado, líder disparado na malacocultura brasileira, produziu 16.251,5 toneladas. Considerando este valor, chegamos a 977.256,5 toneladas. Sem falar dos moluscos produzidos em outros estados (cadê a estatística?).


Aí vem as gratas surpresas. O artigo desta edição assinado por Miguel Sepulveda, trazendo informações sobre o cultivo de Kappaphycus alvarezii no Estado do Rio de Janeiro, aponta que somente entre Ilha Grande e Parati existem ao redor de sete produtores de algas, com produção anual estimada em pelo menos 4.000 toneladas. De novo, fora as algas produzidas em outras regiões e estados (cadê a estatística 2?). Chegamos a 981.256,5 t.


Eu tenho muita curiosidade de saber se já chegamos ou não no patamar de 1 milhão de toneladas, talvez sim, mas creio que chegaremos “oficialmente” neste ano! E como é importante o setor ter esta informação, até para poder COMEMORAR!


Ah se eu tivesse em Brasília, poderia até ser na salinha do antigo DPA, ainda no IBAMA... colocar 3 pessoas e 3 telefones, só isto, 1 mês de trabalho, e contactar as principais lideranças de cada setor, das rãs, dos jacarés, das algas, do camarão de água doce...


Não precisa mais do que 5060 ligações telefônicas, emails (ou mensagem de WhatsApp que seja!) para melhorar um pouquinho os dados que eu “esbocei” nos parágrafos anteriores, e “cravar” a produção da aquicultura brasileira, na vírgula!


Se eu marcar uma reunião com meu grande amigo Andre Muniz, Professor da URPR, colunista e incentivador da Aquaculture Brasil, em 3 horas de batepapo online levantamos a produção brasileira de rãs em 2021.
 

Igualmente para outras pessoas e outros segmentos da aquicultura (setores de menor volume de produção, óbvio!)


Em certas situações, não precisamos de censos estaduais caros e morosos, além de imprecisos.
Às vezes o que falta ao gestor é visão e objetividade, só isto.


Enquanto isto, ficamos sem a nossa estatística aquícola...
Mas que dá vontade de fazer este levantamento, isto dá!

 

 

 

 

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Capa do colunista Giovanni Lemos de Mello
Giovanni Lemos de Mello

Graduado na primeira turma do Brasil de Engenharia de Aquicultura, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (2003), possui Mestrado (2007) e Doutorado (2014) pelo Programa de Pós-Graduação em Aquicultura da UFSC. A partir de 2002 atuou como consultor técnico em diversas fazendas de cultivo de camarão marinho de SC. Em 2006 fundou a empresa AQUACONSULT – Projetos e Serviços em Aquicultura e Meio Ambiente, sendo homenageado pelo Presidente do CREA-SC como a primeira empresa de aquicultura filiada ao órgão, no Estado. Atualmente é Professor Adjunto II do curso de Engenharia de Pesca da Universidade do Estado de Santa Catarina, campus Laguna, secretário de relações internacionais da Peixe BR e editor-chefe da Revista Aquaculture Brasil.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
quando o cão pastor é de um produtor de peixes
Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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