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Extensão Rural e assistência técnica aquícola
15 de Junho de 2022 Rui Donizete Teixeira
Inovação tecnológica, assistência técnica e o aquicultor

Preocupado com a situação da extensão aquícola no Brasil, em 2014 elaboramos um artigo sobre a “Situação atual dos órgãos de extensão rural da América Latina”, em parceria com o competente representante da FAO neste continente, Dr. Alejandro Flores Nava. Na ocasião, reconhecemos a importância sócio econômica desta atividade e concluímos que: “Aquicultura é uma cadeia produtiva que pode ser estratégica para qualquer país das Américas, por ser uma das atividades rurais capazes de manter o homem ao campo; de evitar o êxodo rural; e de afastar o desemprego no meio rural” Teixeira, R. D; Nava, A. F. 2014.

 

 

Atualmente constata-se que a inovação tecnológica, tem sido fundamental no Agro, e que são consideradas “verdades transitórias”, portanto constitui conhecimento dinâmico, que requer atualização frequente nos empreendimentos do meio rural.

Observa-se que a cada momento surgem novas técnicas na maneira de produzir. Que são aprimoramentos para qualquer sistema de produção, gerado pela busca de melhoria e eficiência e com grande desafio: converter os insumos em matéria prima com melhor eficácia e aproveitamento possível. Portanto as novas técnicas necessitam chegar até o produtor, para serem implementadas no empreendimento, pois permitem uma produção com melhor produtividade e ser mais rentável.

A figura 1 representa uma interdependência de alguns pontos fundamentais para se obter uma aquicultura mais produtiva e rentável. O Brasil, por ser um país de dimensões continentais, as atividades estão pulverizadas em todo país, e outro fato interessante é que mais de 95% dos empreendimentos aquícolas são pequenos produtores. Mas infelizmente o que se observa hoje em todo o país, é que geralmente a tecnologia não chega até o pequeno aquicultor. Exceto em algumas regiões que possuem ilhas de excelência, de polos aquícolas, onde ocorre um bom trabalho de sistema de assistência técnica aos produtores, e possuem elevado nível tecnológico, e melhor nível de produtividade. Talvez a região que melhor caracteriza os polos assistidos, seja no noroeste do Paraná, liderado por algumas cooperativas e associações, com vocação para o Agro e que possuem uma assistência técnica contínua.

 

 

Mas fora este polos e ilhas de excelência, grande parte dos produtores são desassistidos, ou seja, não possuem um assistência técnica efetiva e tampouco eficaz, assim, não têm melhoria de produtividade, isto compromete a própria rentabilidade, ou seja, afeta a parte econômica do empreendimento. Fato este que é um processo inibidor ao produtor, como um processo de desacelerar, por exemplo atrasa o repovoamento dos tanques; pode até parar momentaneamente com a atividade... Outro aspecto que agrava esta situação, são fatores no qual o produtor não tem como evitar, são os aumentos de custos de insumos, como correurecentemente, como soja e milho, que são “Commodities agrícolas”, e estes aumentos, refletem de imediato nos custos de produção.

E quando analisamos os aquicultores que não possuem assistência técnica, tais fatores tornam-se mais um agravante a eles, pois em condições normais já não são eficazes como aqueles que possuem assistência técnica, ou seja, não tem a produtividade que os assistidos possuem, e com isso sua margem de rentabilidade fica mais comprometida, e influencia no reinvestimento do negócio, desestimula o produtor de ampliar o seu negócio.

Outro fato delicado e que requer uma reflexão e alerta para os produtores desta cadeia produtiva é de que, é quase uma unanimidade entre os profissionais de campo que atuam diretamente nos empreendimentos, que geralmente “o pequeno produtor não faz o simples”, como por exemplo, não realiza o monitoramento da água do seu cultivo, o qual seria simplesmente medir o oxigênio dissolvido, o pH, a temperatura, a amônia... inclusive geralmente o produtor não tem os equipamentos para estas análises.

Tampouco realiza a biometria, que é obter amostra (despesca) com periodicidade para avaliar o tamanho médio do lote e calcular sua biomassa, e assim, há situações, absurdamente comuns, em que o produtor povoa um tanque com 5.000 alevinos e 5 meses depois continua oferecendo ração como se estivesse ainda os 5.000 peixes, jogando ração fora e dinheiro no ralo, além de poluir os tanques e quando faz a despesca tem a surpresa de retirar apenas 3.000 peixes.

 

Tais relatos evidenciam que os produtores que não possuem assistência técnica, geralmente estão isolados, não vinculados a uma cooperativa e nem mesmo a uma associação, portanto são os mais fragilizados e com maior risco de perdas e até de se retirar da atividade. Estes fatos demonstram a fragilidade do que tem sido um dos grandes desafios da extensão rural e assistência técnica aquícola.

Não se consegue esgotar este tema de extensão aquícola, pelas diferentes nuances desta atividade e requer continuar uma reflexão em outro momento, na busca de superar os desafios. Fatos que fizeram os editores desta revista inserirem esta coluna específica sobre este importante tema: Extensão Rural e Assistência Técnica Aquícola. Este primeiro artigo, teve como objetivo, ser provocativo e permitir se fazer uma reflexão dos caminhos para esta emergente atividade aquícola, que possui significativa importância sócio econômica no meio rural.

Dedico este artigo, como reconhecimento e valorização, a todos “extensionistas e técnicos de campo em aquicultura”, profissionais que diariamente, e muitas vezes de forma sacrificada, buscam levar aos produtores as orientações técnicas para melhoria da produção. Sem dúvida são verdadeiros heróis anônimos, geralmente estão limitados pela precariedade de estrutura, de logística, de falta de apoio, e de reciclagem, situação esta que os impedem de transferir mais informações atualizadas ao aquicultor.

 

Faça o download e confira o texto completo com todas as ilustrações. Clique aqui

 

 

 

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Capa do colunista Rui Donizete Teixeira
Rui Donizete Teixeira

Rui Donizete Teixeira é Médico Veterinário, formado pela Universidade Federal de Uberlândia-MG, possui especialização em Tecnologia e Inspeção de alimentos pela UFLA-MG. A 39 anos atua na Aquicultura, dos quais 15 anos iniciais no setor privado em uma empresa de Aquicultura (gerente de produção e da indústria de processamento de pescado); e 24 anos no setor público (área de inspeção de pescado, setor de ordenamento e gestão da aquicultura). Foi professor em Faculdade de Veterinária por 6 anos. Autor de dezenas artigos e publicações, inclusive internacionais, relacionadas a cadeia produtiva da aquicultura; a Extensão Aquícola; o Bem Estar Animal Aquícola; de Estabelecimento de Indústria de Pescado; de Mercado de Pescado e Competitividade. Atualmente assessor técnico de aquicultura na Secretaria SAP do MAPA.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
quando o cão pastor é de um produtor de peixes
Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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