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Atualidades e Tendências da Aquicultura
27 de Janeiro de 2022 Fábio Rosa Sussel
Fermentados: moda ou tendência?

Quero acreditar que seja uma tendência. Independente de ser nos moldes do Bokashi tradicional (mais líquido) ou dos fermentados com textura mais similares a uma massa, minha percepção é que esta alternativa prebiótica, probióica e alimentar se apresenta ao setor produtivo com uma nova roupagem e novos conceitos de usos. Inclusive mais específico para certas situações e especialmente reduzindo custos de produção, atrelado a melhora do valor nutricional de certos alimentos. Simples? Não, não muito simples. Mas também nada complexo. É questão de entender o processo como um todo e suas aplicabilidades.

Originalmente (no Japão), o Bokashi foi desenvolvido para fertilização de plantas, principalmente orquídeas e outras plantas ornamentais. Ao longo do tempo foi adaptado/ajustado para uso na aquicultura. Inicialmente para sistemas extensivos. Mas, atualmente, vem sendo trabalhado muito forte nos sistemas intensivos e superintensivos. Além da fertilização da água em si, do fornecimento de pré e probióticos, também já vem sendo usado, em sua versão mais pastosa/massa, como fonte de alimento direto tanto para peixes quanto para camarões.

Parece que a transformação (através da fermentação) de alimentos de baixo valor nutricional (farelos de arroz, de trigo, de mandioca etc...) em compostos alimentares de alto valor nutricional, tem se mostrado eficiente do ponto de vista produtivo e econômico. Sem contar os benefícios da função biorremediadora.

Falando em biorremediação, há relatos de efeitos benéficos destes fermentados tanto a nível de melhora da flora intestinal quanto do ambiente de cultivo. Inclusive como forte aliado a melhor convivência com a doença da mancha branca e a NIM, no caso do cultivo de camarões. Tanto no combate direto a estes vírus, já que processos fermentativos em pH próximo de 4,0 são ricos em bactérias ácido-láticas (Lactobacillus, Pediococcus, Bifidobac- terium etc...) as quais produzem ácidos orgânicos com função antimicrobiana, como também através da inibição de víbrios. No caso destes últimos, os polissacarídeos gerados no processo de fermentação são de um tipo de carboidrato pouco digerível pelos víbrios, inibindo a proliferação destes.

De fato, do ponto de vista teórico, há embasamento técnico suficientemente bem lastreado para sustentar certa eficácia no combate a NIM e a mancha branca. Na prática, vários são os pontos a serem considerados para que realmente isto se confirme.

Na Fenacam’21, que foi realizada entre 16 e 19 de novembro de 2021, os fermentados estiveram em pauta tanto nas palestras quanto nos stands e corredores da feira. Seja conversando com pesquisadores ou empresários, o assunto esteve em evidência. Fórmulas comerciais de Bokashi, contendo vitaminas, minerais, melaço em pó, cepas de bactérias e leveduras, foram lançadas. Na verdade, coisa que já existia há alguns anos, mas agora começa a tomar viés comercial. Igual se tem centro/depósito de distribuição de ração, agora vamos ter também centro de distribuição de Bokashi. Sinal que resultados positivos no campo já devem estar ocorrendo.

É uma tecnologia que tem história, tem o reconhecimento da academia, tem lastro, vem sendo testada há anos e que, portanto, reuni características para ser mais uma ferramenta aliada do produtor. É fundamental ter o discernimento que isto é apenas um item a mais do processo, sem o viés de depositar todas as expectativas que uma “receita milagrosa” irá resolver todos os problemas da criação. As vezes, promessas de que um produto ou nova tecnologia possam ser a solução para muitos problemas pode acabar “queimando” o seu real potencial. Neste sentido, se o Bokashi será moda ou tendência, não será somente o tempo que irá dizer, mas também o modo como a nova tecnologia será trabalhada e apresentada ao mercado.

 

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Capa do colunista Fábio Rosa Sussel
Fábio Rosa Sussel

Fábio Sussel é Zootecnista formado pela Universidade Estadual de Maringá, possui mestrado em nutrição de peixes pela UNESP de Botucatu e doutorado, também em nutrição de peixes, pela USP de Pirassununga. Pesquisador Científico em Aquicultura do Instituto de Pesca de São Paulo (em licença temporária). Especialista em proteína aquática, com ênfase na produção comercial de lambari e produção de camarão marinho em água salinizada. Idealizador e primeiro apresentador do programa AquaNegócios da Fish TV. Apresentador do Canal #VaiAqua do Youtube.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
quando o cão pastor é de um produtor de peixes
Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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