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Ranicultura
26 de Janeiro de 2022 Andre Muniz Afonso
O cooperativismo pode auxiliar a cadeia ranícola?

 

A cadeia produtiva de rãs no Brasil passou e ainda passa por momentos difíceis ao longo da pandemia de Covid-19. Seu principal insumo, a ração, atingiu preços proibitivos no mercado, quase dobrando o custo de produção, que já era alto. O reflexo disso pode ser visto nos mercados varejistas, onde a carne de rã, principal produto da ranicultura, passou dos R$ 100,00 o kg, mesmo patamar do salmão, por exemplo. Nesses momentos, mais do que nunca, a união de produtores pode resultar em ganhos coletivos. É com essa perspectiva que o cooperativismo aparece como uma boa opção de trabalho em equipe.

Juntando algumas definições podemos dizer que o cooperativismo é um modelo de negócio onde pessoas se unem, de forma organizada, em busca de objetivos comuns. Por serem donos do negócio, podem traçar metas de curto a longo prazo que tragam desenvolvimento econômico e social, além de maior produtividade unida à sustentabilidade. O cooperativismo está baseado em sete princípios básicos (OCB, 2021)1, são eles:

  • 1) adesão voluntária e livre;
  • 2) gestão democrática;
  • 3) participação econômica dos membros;
  • 4) autonomia e independência;
  • 5) educação, formação e informação;
  • 6) intercooperação;
  • 7) interesse pela comunidade.

 

 

Ao aplicar estes princípios na ranicultura, podemos destacar os itens 2, 5 e 6. A gestão democrática é importante para que as opiniões dos membros sejam levadas em consideração nas tomadas de decisão do grupo. Em debates com produtores, sempre é possível ver que existem divergências quanto à forma como se enxerga o negócio da ranicultura no Brasil. Debater os diferentes pontos e se chegar a um denominador comum não é tarefa fácil, mas a discussão respeitosa e objetiva é sempre salutar e certamente favorece a longevidade do negócio. Por ser a ranicultura uma cadeia pequena e muito diversa, onde impera o individualismo, ideias convergentes e compromissos coletivos podem ser a chave para o sucesso.

O item educação, formação e informação é outro que merece destaque. A cooperativa tem enorme facilidade em promover palestras, dias de campo e encontros para treinamento e atualização profissional dos seus membros. Pensando de forma mais estratégica, podem ser criados programas de educação continuada, com o objetivo de aprimoramento técnico e equivalência dos modos de produção, de maneira que produtos mais padronizados possam ser elaborados. Neste tópico, em particular, pode-se pensar na contratação de uma equipe de técnicos exclusivos da cooperativa, com prestação de assistência a campo permanente, algo que dificilmente seria viável para um produtor médio ou pequeno, isoladamente.

Finalmente, mas não menos importante, o item intercooperação, que traduz a essência do ditado a união faz a força. Esforços somados tendem a facilitar o sucesso de todos e romper barreiras antes intransponíveis. Um exemplo simples é a compra conjunta da ração, anteriormente mencionada como sendo um gargalo, pode se tornar uma das melhores ferramentas de controle de custos. A cooperativa, pelo seu poder de representatividade, também pode pressionar as instituições públicas no sentido de garantir direitos, buscar investimentos e participar de importantes decisões locais, regionais ou nacionais que lidem com áreas afins à ranicultura, como licenciamento, isenções de impostos, investimentos públicos em pesquisa, entre outros. A aliança com outras cooperativas abre até mesmo outras possibilidades de negócios.

Atualmente o Brasil não possui nenhuma cooperativa exclusiva de ranicultores, mas duas iniciativas têm ganhado destaque no cenário nacional, uma delas partindo do estado de Minas Gerais, que abriga um considerável número de produtores e entusiastas com a ranicultura, e a outra do estado do Paraná, que procura reunir produtores da Região Sul. Torcemos e apoiamos estas novidades muito bem-vindas na ranicultura nacional, certo de que dias melhores virão.

Saudações ranícolas!

 

 

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Andre Muniz Afonso

Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (UFF/2000), com mestrado em Medicina Veterinária (Área de concentração: Patologia e Reprodução Animal-UFF/2004) e doutorado em Medicina Veterinária (Área de concentração: Higiene Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal-UFF/2016). Desde 2009 é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Setor Palotina (Palotina/PR), sendo responsável pelas disciplinas de Tecnologia do Pescado, Ranicultura e Análise Sensorial de Alimentos e Bebidas, bem como pelo Laboratório de Ranicultura (LabRan-UFPR). Tem experiência na produção, beneficiamento, industrialização e sanidade de organismos aquáticos, tendo atuado em diversos órgãos voltados a esta temática. Atua principalmente nos seguintes temas: Processamento e Inspeção Higienicossanitária de Produtos de Origem Animal, Vigilância Sanitária, Aquicultura, Sanidade Aquícola e Extensão Rural.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
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Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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