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Sanidade Aquícola
11 de Dezembro de 2021 Marcela Maia Yamashita
Piscinoodinium pillulare - Devo me preocupar?

 

 

Este parasito de nome complicado, é um protozoário que causa uma das três principais parasitoses que acometem os cultivos de tambaqui e seus híbridos, tanto nas fases de larvicultura, quanto alevinagem e engorda. Apesar da evolução desta parasitose ser geralmente crônica na fase de engorda, ela é mais agressiva nas fases anteriores e, portanto, não deve ser negligenciada, tratando-se de um parasito perigoso que merece atenção e cuidado por parte dos piscicultores. Sua ocorrência não se restringe somente ao cultivo de peixes redondos, sendo também encontrado acometendo outras espécies nativas, como: matrinxã, piauçu, curimatã e pintado amazônico; além de espécies exóticas, como: o catfish americano e a tilápia. Bem, com estas informações já conseguimos perceber, que trata-se de um parasito de ampla distribuição territorial, cuja ocorrência já foi registrada nos principais pólos de piscicultura de água doce do Brasil.

Causador da chamada Piscinodiníase ou doença do veludo, Piscinoodinium pillulare é um parasito que possui formato de saco ou pêra, e cor castanho-amarelada a castanho-escura. Uma característica curiosa, é o fato de possuir cloroplastos, o que sugere que este microrganismo seja capaz de produzir seu próprio alimento. Sendo assim, sua forma parasitária no peixe seria oportunista. Este ectoparasito (parasito externo) se instala principalmente no tegumento (pele) e brânquias dos peixes. Uma vez instalada, a doença pode conferir uma coloração de ferrugem no tegumento do animal (Figura 1), que pode evoluir para hemorragias na pele, inflamação e necrose. Quando presente em grandes quantidades podem causar hiperplasia (aumento do número de células) e fusão das lamelas secundárias no tecido branquial (Figura 2), dificultando a respiração dos animais e podendo os levar à morte por asfixia, mesmo em viveiros com concentrações de oxigênio adequadas. Por isso, sinais clínicos comuns observados nos peixes acometidos por esta enfermidade, são: agitação, sinais de desconforto, movimentos operculares intensos, concentração em áreas dos tanques com maior nível de oxigênio (entrada de água, superfície ou próximo à aeradores), boquejamento de ar na superfície da água ou aumento dos lábios inferiores (no caso do tambaqui e tambatinga). O parasito também pode atingir os olhos e penetrar debaixo da pele, se alojando no tecido subcutâneo, favorecendo a ocorrência de infecções bacterianas secundárias.

 

 

 

 

Sua classificação como um protista flagelado refere-se à sua fase de vida livre, quando nada ativamente em busca de um hospedeiro. Quando este for encontrado, o parasito se fixa através de um disco de fixação composto por estruturas denominadas rizocistos (que se assemelham muito com raízes). Por isso, quando observamos Piscinoodinium pillulare em exames à fresco sob microscopia óptica, não percebemos movimentos, pois não possuem estruturas de locomoção na fase parasitária, sendo imóveis, diferente de outros protozoários parasitos de peixes.

Este parasito possui somente o peixe como hospedeiro, portanto dizemos que ele possui um ciclo de vida direto. Sua transmissão é horizontal, ou seja, é transmitido de um indivíduo para o outro através do contato direto ou através de fômites e água contaminados. Portanto, quando uma piscicultura tem esta parasitose diagnosticada, através de exames parasitológicos, faz-se ainda mais necessária a aplicação de práticas de biosseguridade, como: o não compartilhamento de utensílios entre viveiros e a desinfecção de equipamentos. Algo importante a se comentar é o fato de Piscinoodinium pillulare se beneficiar em ambientes de baixa alcalinidade, pH ácido e alta densidade de estocagem, sendo estes portanto, fatores de risco associados à esta parasitose. Desta forma, uma maneira de evitar a instalação desta enfermidade, seria manter estes parâmetros dentro de faixas ideais e corrigí-los para níveis adequados sempre que necessário pois, tais alterações na qualidade de água ou até mesmo a queda da temperatura pela entrada de uma frente fria, podem ser gatilhos para desencadear esta doença. Os banhos de sal também são bastante promissores na prevenção e no controle desta enfermidade pois, além de desidratar os parasitos, favorecem a produção de muco pelo peixe, auxiliando na sua primeira barreira de defesa e, possibilitando a reposição de sais no sangue dos animais, restabelecendo seu equilíbrio osmótico.

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Marcela Maia Yamashita

Engenheira de Aquicultura, Mestre e Doutora em Aquicultura e Recursos Pesqueiros pela Universidade Federal de Santa Catarina. Durante a vida acadêmica trabalhou com Sanidade de Organismos Aquáticos, fazendo uso da microbiologia, biologia molecular e utilização de aditivos alimentares como ferramentas no diagnóstico de enfermidades e promoção da saúde em peixes de água doce. Profissionalmente, atuou durante dois anos como responsável técnica por setor de Microbiologia e Biologia Molecular em laboratório veterinário. Atualmente, é proprietária da HelpFish – Sanidade Aquícola, empresa localizada na cidade de Sinop/MT, que presta Assistência em Sanidade à campo, além de contar com laboratório de diagnóstico próprio para doenças infecciosas em peixes, recebendo amostras de todo país.

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Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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