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Sanidade Aquícola
01 de Fevereiro de 2018 Santiago Benites de Pádua
Columnariose: estratégias de prevenção

 

 

Columnariose é uma doença bacteriana causada principalmente pelo bastonete Gram negativo Flavo-bacterium columnare. Esta bactéria está presente na microbiota de viveiros de criação, bem como na superfície corporal dos animais saudáveis. Trata-se de um patógeno secundário, oportunista em situações de manejos e estresse agudo, tais como captura com rede de arrasto, classificação, contagens e transporte; sendo estes, portanto, os principais fatores de risco para ocorrência desta doença. Em adição, a presença de uma alta carga de ectoparasitos, especialmente de protozoários tricodinídeos e vermes monogenéticos, contribui para a ocorrência desta doença de forma crônica especialmente na alevinocultura.

Entre os animais que formam o principal grupo de risco para esta enfermidade temos os alevinos e juvenis, uma vez que são frequentemente submetidos aos manejos de rotina nas fazendas de criação, bem como, constituem-se nas principais fases que sofrem com a infestação pelos ectoparasitos. A infecção pela bactéria é facilitada quando os animais perdem o muco de proteção, ou quando sofrem lesões que levam a perda de escamas; enquanto a ação de ectoparasitos causa abrasão sobre o tegumento, que por sua vez favorece a fixação e colonização bacteriana.

Em situações de manejo facilmente temos animais submetidos ao estresse, que por sua vez limita a produção de muco protetor. Desta forma, o bastonete de Flavobacterium encontra condições propícias para evadir os mecanismos de defesa e se fixar, colonizar e proliferar sobre a pele ou brânquias dos animais. Este processo ocorre dentro de poucas horas, podendo levar a um surto de columnariose em menos de 24 horas. A principal manifestação clínica desta doença é a ocorrência de manchas esbranquiçadas sobre o corpo dos animais, havendo podridão das nadadeiras e desprendimento da pele dos peixes infectados, sem a ocorrência de hemorragias; ao passo que denominamos este quadro de dermatite bacteriana não hemorrágica. Como estratégias de prevenção contra a ocorrência da columnariose, temos desde o uso de aditivos alimentares, melhorias nos procedimentos de manejo, uso de sal na água, além de minerais que promovem o sequestro da bactéria presente na coluna d’água. Por outro lado, quando temos a ocorrência de um surto de mortalidade, o uso de antibioticoterapia se torna necessário.

 

 

A seguir, listamos algumas dicas para prevenir a ocorrência de columnariose em sua produção, podendo ser utilizada isoladamente ou em conjunto:

Vitamina C: o uso desta vitamina em doses elevadas (> 600 mg/kg) é uma prática muito útil, uma vez que estimula os mecanismos de defesa dos peixes, além de ser essencial no processo de cicatrização. No entanto, antes de incluir a vitamina C por conta própria, consulte seu fornecedor de ração para verificar a dosagem que está inclusa na formulação;

Melhorias no manejo: para as principais espécies tropicais é importante evitar a manipulação dos animais em horários quentes do dia (>30º), bem como quando a temperatura da água ainda estiver baixa (<23ºC), pois nestas condições o sistema imunológico diminui sua capacidade de defesa;

Uso de sal: a aplicação de 3 a 6 g/L de sal na água de manejo estimula a produção de muco pelos animais e minimiza o efeito negativo do estresse, desta forma, o bastonete de Flavobacterium terá grandes dificuldades para se fixar e colonizar o tegumento dos animais;

Uso de minerais para adsorção: atualmente temos a disponibilidade no mercado de um produto composto de minerais inertes naturais (AKUAPRO®, Imerys) que promovem o sequestro do bastonete de Flavobacterium disponível na água, diminuindo sua capacidade de fixar e colonizar o tegumento dos animais.

 

Faça o download e confira o texto completo com as ilustrações.Clique aqui.

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Capa do colunista Santiago Benites de Pádua
Santiago Benites de Pádua

Possui graduação em Medicina Veterinária (2010) e mestrado em Aquicultura (2013) pelo Centro de Aquicultura da Unesp de Jaboticabal – CAUNESP. Desenvolveu atividades em pesquisa no Laboratório de Piscicultura da Embrapa Agropecuária Oeste-MS (2007 – 2011) e no Laboratório de Patologia de Organismos Aquáticos (LAPOA) do CAUNESP (2011 – 2013), sendo parceiro do Laboratório AQUOS – Sanidade de Organismos Aquáticos, UFSC (desde 2011). Possui dezenas de artigos científicos publicados, atuando como revisor em periódicos especializados internacionais e nacional, além possuir capítulos de livros e um livro publicado. Tem atuado principalmente em Aquicultura, com ênfase nos seguintes temas: diagnóstico, parasitos de peixes, doenças bacterianas, viroses emergentes, histopatologia, manejo sanitário em pisciculturas, controle e erradicação de doenças em fazendas-berçário produtoras de alevinos.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
quando o cão pastor é de um produtor de peixes
Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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