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Gestão de Resíduos
31 de Agosto de 2021 Ivã Guidini Lopes
Identificando os resíduos gerados no empreendimento aquícola: possibilidades de uso em tempos de COVID-19

 

Você sabe quais os tipos e as quantidades de resíduos orgânicos gerados em seu empreendimento? Pisciculturas, carciniculturas, raniculturas e frigoríficos geram resíduos muito diferentes entre si e em quantidades muito distintas. Assim, o primeiro passo para quem deseja aproveitar os resíduos orgânicos de uma atividade aquícola e tornar sua produção mais sustentável é saber identificar esses materiais.

De maneira simplificada, é possível identificar dois grupos principais de resíduos sólidos gerados na aquicultura: resíduos da mortalidade e do processamento. O primeiro grupo é composto por animais mortos naturalmente ao longo da produção, retirados da criação para evitar seu contato com animais vivos (evitando a transmissão de doenças) e que já se encontram em decomposição. O segundo grupo é composto por partes do corpo dos animais após seu processamento, como por exemplo as vísceras, esqueleto, carcaças e cabeças. Além de possuírem características químicas e biológicas distintas, as possibilidades para o uso desses dois grupos de resíduos são também muito diferentes.

Resíduos da Mortalidade: devido ao avançado grau de decomposição e risco de contaminação, não podem ser utilizados para a produção de qualquer tipo de ingrediente de rações animais, como por exemplo a farinha de peixe, ou mesmo para consumo humano. Deve ser destinado para a compostagem.

 

Resíduos do Processamento: após a filetagem e extração de outros produtos de interesse, os resíduos gerados podem ser utilizados para a produção de farinhas, óleos, silagens e outros produtos, desde que estes sejam utilizados imediatamente ou mantidos refrigerados até sua utilização, evitando sua decomposição e multiplicação microbiana.

Agora que sabemos quais os possíveis resíduos gerados na propriedade, vamos entender como quantificá-los no dia a dia da produção. Esta etapa é bastante simples, visto que é necessário apenas registrar as quantidades de cada resíduo no momento em que estes são gerados. Para isso, basta elaborar uma planilha contendo os seguintes dados: data da ocorrência (o dia em que determinado resíduo foi gerado), quantidade gerada (peso dos resíduos gerados) e característica do resíduo (mortalidade natural ou processamento). Pode parecer algo simples para alguns leitores, porém esse dado de geração de resíduos é extremamente importante e nem sempre está disponível nos empreendimentos. Além de permitir um diagnóstico eficaz da estratégia a ser adotada com os resíduos, esses dados podem revelar algum problema de mortalidade excessiva em diferentes períodos do ano, seja por condições ambientais, de manejo ou outros motivos. Portanto, não deixe de registrar diariamente os resíduos gerados em seu empreendimento.

 

 

A partir dos próximos artigos na coluna Gestão de Resíduos, falaremos mais sobre as tecnologias existentes para lidarmos com esses resíduos tão presentes em nosso dia a dia. Mas antes de encerrar esse assunto, vamos comentar brevemente sobre a questão dos resíduos da aquicultura em relação à pandemia da COVID-19. Segundo a FAO, os setores da pesca e da aquicultura sofreram fortes impactos negativos causados pela COVID-19, seja por mudanças nos padrões de consumo da população, pelo acesso aos produtos derivados das atividades ou por problemas logísticos como transporte e restrições de venda. Mas o que dizer sobre os resíduos da aquicultura e o vírus?

Podemos ficar tranquilos, pois a gestão dos resíduos da aquicultura não é impactada pela presença do vírus SARS-CoV-2, independentemente do método a ser adotado para tratar os mesmos. Por exemplo, a compostagem é um processo que gera muito calor e em altas temperaturas o vírus é inativado, assim como no preparo de farinhas e óleos em altas temperaturas. Sabemos que o vírus pode contaminar superfícies, materiais e objetos, portanto devemos continuar tomando os cuidados de sempre no que diz respeito à doença, distanciamento social, uso de máscaras e higienização das mãos e equipamentos, inclusive quando formos gerir nossos resíduos.

Para quem quiser conferir mais detalhes sobre os impactos da COVID-19 no setor da pesca e aquicultura, visite o site da FAO (http://www.fao.org/fishery/covid19/en) para maiores informações.

Faça o download e confira o texto completo com todas as ilustrações. Clique aqui

 

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Capa do colunista Ivã Guidini Lopes
Ivã Guidini Lopes

Ivã Guidini Lopes é biólogo, formado pela UNESP de São José do Rio Preto/SP, realizou mestrado e doutorado em aquicultura pelo Centro de Aquicultura da UNESP, em Jaboticabal/SP. Atua na aquicultura desde 2014, realizando pesquisas científicas e práticas de extensão aquícola na área de gestão e tratamento de resíduos sólidos orgânicos. Possui experiência com métodos de compostagem termofílica e de tratamento de resíduos com larvas de mosca soldado-negro, assim como da aplicação dos produtos gerados nestes processos, visando a promoção da economia circular e o aumento da sustentabilidade do setor produtivo como um todo.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
quando o cão pastor é de um produtor de peixes
Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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