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Ranicultura
03 de Junho de 2021 Andre Muniz Afonso
Sugestões para o mercado brasileiro da carne de rã durante a pandemia.

Caros leitores, estamos em março de 2021, mais um ano se passou e ainda vivemos essa inesperada pandemia. De tudo que pudemos acompanhar nesse período uma coisa é certa: nenhum governo estava preparado para tal situação e várias foram as escolhas erradas de enfrentamento em função disso. A formação e o investimento em equipes estratégicas para a gestão de crises não faz parte de, praticamente, nenhum país, inclusive os intitulados “países de primeiro mundo”. O pescado, como qualquer produto do ramo alimentício, sofreu e segue sofrendo durante a crise gerada pela Covid-19. Algumas preferências do consumidor surgiram de maneira marcante e aqueles que se adaptaram mais rapidamente se mantiveram em vantagem e sobreviveram. Como o mercado brasileiro de rã se posicionou durante este período? O que pode ser feito para incrementá-lo? São estes os pontos que passaremos a discutir nesta coluna.

Antes de entrar mais especificamente no mercado da rã, tomemos como exemplo a piscicultura. Dados consolidados por órgãos internacionais já mostravam que a tendência durante a pandemia era a comercialização, majoritariamente, do pescado na sua forma congelada, com destaque para os filés de peixe, líderes mundiais da classe. Este fato foi confirmado pelo lançamento do “Anuário 2021 da Piscicultura Brasileira”, publicado pela PeixeBR, seu principal órgão representativo. A piscicultura nacional cresceu 5,93% entre 2019 e 2020, com destaque para a tilapicultura, que sozinha cresceu 12,5% e hoje representa 60,6% do peixe (tilápia) produzido no país. Por outro lado, a piscicultura voltada à exploração de espécies nativas retraiu 3,2%. Como sabemos, a apresentação na forma de filé de peixe congelado tem o seu expoente na tilápia, o que, ainda que em parte, poderia explicar esse fenômeno.

 

 

Em contato com dois abatedouros frigoríficos de rã nacionais, ambos na Região Sudeste, um deles nos informou que as vendas decaíram em 2020 e permanecem em queda ao longo do presente ano. O outro seguiu com as entregas, expandindo o mercado, ainda que tivesse que pulverizar mais as vendas para conseguir manter a empresa em funcionamento. Ambos foram enfáticos em ressaltar que houve alta no preço das rações, que por ser o principal insumo na criação, impactaram na alta do preço final aplicado por eles nas vendas.

Como sabemos, a rã é comercializada no varejo, principalmente, sob a forma de carne congelada, com apenas duas apresentações clássicas: rã inteira congelada (carcaça congelada, desprovida de cabeça, membros, vísceras e pele) e coxas de rã congeladas (pernas limpas congeladas). A rã inteira oscila, no varejo, de R$ 50,00 a R$ 85,00, enquanto que, nos mesmos locais, é possível encontrar as coxas com valores acima de R$ 100,00. Por este preço, ela compete diretamente com o salmão, produto de apresentação exemplar, conhecido e apreciado pelo consumidor brasileiro, com oferta regular e fácil preparo. Com estes predicados, fica difícil competir com ele... o que fazer?

Há muito tempo que órgãos de pesquisa vêm trabalhando na criação de produtos com valor agregado. Como exemplo podemos citar alguns dos produtos desenvolvidos pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (CTAA/RJ), nos anos de 2005 e 2006, com destaque para o patê de carne de rã, a salsicha de carne de rã e a carne de rã desfiada (com e sem molho de tomate) (Figura 1). O setor de pesquisa e desenvolvimento presenteou a cadeia com essas inovações, no entanto, tais produtos nunca foram produzidos em escala industrial! 

ela praticidade e possibilidade de inserção desses produtos na mesa do consumidor brasileiro e pela facilidade em desmembrar a carcaça da rã, poderíamos estar diante de um mercado onde a carne in natura seria somente vendida sob a forma das coxas (pernas) congeladas, como é no exterior, de forma a transformar a carne do dorso, que possui a mesma qualidade nutricional das coxas, em produtos com maior atratividade e valor agregado. Tal mudança de paradigma poderia impulsionar a cadeia, pois permitiria a venda das coxas pelo preço que hoje se pratica com a carcaça inteira congelada e encontraríamos nos mercados varejistas produtos versáteis, com potencial de inserção em classes e faixas etárias distintas... é disso que precisamos!

 

Faça o download e confira o texto completo com todas as ilustrações. Clique aqui

 

 

 

 

 

 

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Andre Muniz Afonso

Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (UFF/2000), com mestrado em Medicina Veterinária (Área de concentração: Patologia e Reprodução Animal-UFF/2004) e doutorado em Medicina Veterinária (Área de concentração: Higiene Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal-UFF/2016). Desde 2009 é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Setor Palotina (Palotina/PR), sendo responsável pelas disciplinas de Tecnologia do Pescado, Ranicultura e Análise Sensorial de Alimentos e Bebidas, bem como pelo Laboratório de Ranicultura (LabRan-UFPR). Tem experiência na produção, beneficiamento, industrialização e sanidade de organismos aquáticos, tendo atuado em diversos órgãos voltados a esta temática. Atua principalmente nos seguintes temas: Processamento e Inspeção Higienicossanitária de Produtos de Origem Animal, Vigilância Sanitária, Aquicultura, Sanidade Aquícola e Extensão Rural.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
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Charge Edição nº 22 Publicado em 28/07/2021
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