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Gestão de Resíduos
25 de Maio de 2021 Ivã Guidini Lopes
Gestão de resíduos orgânicos para promover a economia circular e a sustentabilidade na aquicultura

Caros leitores da Aquaculture Brasil, é com enorme satisfação que escrevo meu primeiro artigo como colunista dessa revista que é atualmente uma das fontes mais ricas em informações sobre a aquicultura brasileira. Sou biólogo de formação e grande entusiasta da aquicultura, sobretudo dos aspectos relacionados à sustentabilidade na produção. Minha proposta com os artigos publicados na coluna “Gestão de Resíduos” é manter vocês, leitores, informados sobre o que há de mais atual no que diz respeito à gestão e ao tratamento de resíduos orgânicos gerados nos diversos setores da produção aquícola mundial. Assim, espero alcançar meu objetivo de tornar esse assunto cada vez mais familiar em seu dia a dia, para que possamos juntos elevar o caráter sustentável da produção aquícola brasileira.

 

Sustentabilidade! Essa é a palavra do momento, não é mesmo? Esse termo, que carrega tanto significado e responsabilidade em si, vem sendo usado por todos atores da cadeia produtiva aquícola nos últimos anos. Seja para promover a atividade como um todo, um processo produtivo ou mesmo as decisões tomadas por um empreendedor de sucesso. No entanto, será que estamos usando esse termo da maneira correta? Será que não o estamos banalizando e fazendo mau uso dessa palavra tão importante? 

O Relatório de Brundtland, primeiro documento mundial sobre sustentabilidade publicado em 1987, traz a seguinte definição do que é desenvolvimento sustentável: “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. 

á em 2015, a ONU junto a dezenas de países, incluindo o Brasil, delineou os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como parte da Agenda 2030, os quais traçaram os caminhos para atingir a sustentabilidade mundial nas próximas décadas. Com esse conceito em mente, como podemos pensar em aumentar o nível de sustentabilidade da produção aquícola? É fato que algum grau de impacto ambiental é inevitavelmente causado na atividade, seja pela entrada de nutrientes em excesso num corpo hídrico, pelo eventual escape de indivíduos dos tanques de criação ou pelo descarte de resíduos orgânicos, mas esses podem ser mitigados e minimizados a níveis menos relevantes. Isso significa praticar a sustentabilidade e promover a economia circular.

Se existe uma coisa em comum a todos os setores da produção aquícola, além é claro da utilização de água na produção, é a geração de algum tipo de resíduo ao longo do processo produtivo. Na reprodução, larvicultura, engorda ou no processamento, algum resíduo sólido orgânico é gerado; portanto, praticar a sustentabilidade nesse caso é bastante simples, basta gerir adequadamente esses resíduos. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) - a lei mais significativa que trata sobre resíduos sólidos em nosso país, devemos basear nossa tomada de decisão acerca dos resíduos existentes em nossa realidade, considerando a seguinte ordem de importância: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e enfim, disposição final.

Os resíduos sólidos orgânicos gerados em atividades da aquicultura são muito variados, desde sobras de ração nos tanques, carcaças de animais mortos ao longo da produção, e até partes do corpo dos animais após seu processamento. Já que não podemos evitar sua geração ou reduzir a quantidade de resíduo gerada, devemos focar nossa atenção em reutilizá-los e reciclá-los quando possível. Assim, é possível promover a circularidade pela reintrodução de materiais que antes seriam descartados como lixo, em novos processos produtivos, após sua transformação.

Hoje dispomos de muitas tecnologias para o tratamento de resíduos sólidos da aquicultura, como a produção de farinhas e óleos, a compostagem orgânica, a bioconversão de resíduos com insetos, a produção de silagens e também a extração de diferentes compostos químicos de interesse. A partir de agora na coluna “Gestão de Resíduos”, falaremos sobre esses e outros métodos de tratamento de resíduos gerados na aquicultura, visando fornecer informações suficientes para que o leitor consiga identificar os resíduos gerados em sua realidade produtiva, e escolher a melhor maneira de lidar com estes ricos materiais. Acompanhe os próximos artigos e vamos elevar a sustentabilidade da aquicultura brasileira juntos!

 

Faça o download e confira o texto completo com todas as ilustrações. Clique aqui

 

 

 

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Capa do colunista Ivã Guidini Lopes
Ivã Guidini Lopes

Ivã Guidini Lopes é biólogo, formado pela UNESP de São José do Rio Preto/SP, realizou mestrado e doutorado em aquicultura pelo Centro de Aquicultura da UNESP, em Jaboticabal/SP. Atua na aquicultura desde 2014, realizando pesquisas científicas e práticas de extensão aquícola na área de gestão e tratamento de resíduos sólidos orgânicos. Possui experiência com métodos de compostagem termofílica e de tratamento de resíduos com larvas de mosca soldado-negro, assim como da aplicação dos produtos gerados nestes processos, visando a promoção da economia circular e o aumento da sustentabilidade do setor produtivo como um todo.

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Aquicultura Cigana
Charge Edição nº 5 Publicado em 01/05/2017
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