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Piscicultura Marinha
01 de Fevereiro de 2018 Ricardo Vieira Rodrigues
Como avaliar a qualidade das desovas de peixes marinhos pelágicos de desovas múltiplas

Recentemente em uma rede de pesquisa com vários pesquisadores de renome Iberoamericanos (LARVAPlus) surgiu uma pergunta “aparentemete simples” e que deu origem ao tema dessa coluna. Quais são os critérios para avaliar a qualidade dos ovos de peixes marinhos com ovos pelágicos de desovas múltiplas? Logo acima chamei esta pergunta de aparentemente simples, pois qualquer pessoa que tenha realizado reprodução de peixes marinhos poderia citar vários aspectos que são considerados importantes para determinar a qualidade dos ovos. Porém, quais são os principais critérios que devem ser utilizados? Os mesmos critérios podem ser utilizados para todas as espécies utilizadas na aquicultura?

 

 

Dentre os critérios aplicados, o primeiro é o número de ovos flutuantes, pois os ovos de peixes que possuem desovas pelágicas quando fertilizados flutuam, e os ovos que afundam não estão fertilizados. Alguns laboratórios usam como critério de qualidade que as desovas tenham 80% de ovos flutuantes, enquanto em outros laboratórios é utilizada uma taxa de 60%. Outro critério utilizado é a porcentagem de ovos segmentados dentre os ovos flutuantes. Para estimar esse método, uma amostra de ovos é retirada e levada ao microscópio estereoscópico (lupa) para determinação da taxa de ovos segmentados. A princípio, assim como a taxa de ovos flutuantes, quanto maior é a taxa de ovos segmentados melhor é a qualidade da desova. Em termos gerais, os laboratórios de producão de juvenis utilizam apenas esses dois índices (quando se utilizam de algum índice para determinar a qualidade de desovas). De forma geral, é utilizado as desovas que ocorreram, muitas vezes por pressão de produção, sem se preocupar com a qualidade.

Contudo, vários outros índices podem ser utilizados para a caracterização da qualidade das desovas. Por exemplo, o tamanho dos ovos e o tamanho da gota de óleo. Quanto a esses índices, quanto maior o ovo e maior a gota de óleo, melhor qualidade tem as larvas quando eclodirem. Quanto a avaliação das larvas, o tamanho das mesmas e o volume do vitelo ao eclodirem são aspectos fáceis de avaliar. Com o somatório de todos esses índices de fácil obtenção, torna-se mais preciso determinar a qualidade das desovas e se estas devem ser utilizadas para a larvicultura ou se devem ser descartadas. Uma informação que me parece determinante sobre qualidade das desovas é a sobrevivência das larvas após a absorção do vitelo, período em que começa a alimentação exógena. Quando após a absorção do vitelo, se a desova apresentar uma baixa mortalidade, esse é um excelente índice de qualidade. Uma forma prática de realizar a taxa de segmentação, eclosão e a taxa sobrevivência após a absorção do vitelo é utilizar placas plásticas de 96 poços, onde são colocados os ovos individualizados.

De fato, o que é necessário é a realização de um banco de dados sobre a qualidade das desovas e acompanhar a sobrevivência ao final das larviculturas, com realização de taxas de sobrevivência e de má formação das larvas. Um banco com tais informações está disponível para poucas espécies. Assim, se compiladas ao longo dos anos facilitará os produtores a determinar se a desova deve ser utilizada na larvicultura ou se deve ser descartada. Essas tomadas de decisões são importantes para minimizar os custos de produção e o fornecimento de juvenis de qualidade.

Nessa coluna comentei apenas aspectos práticos de avaliação da qualidade das desovas, pois avaliações bioquímicas podem ser utilizadas para esse fim, porém não são aspectos baratos, muitas vezes inacessíveis a produtores.

 

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Ricardo Vieira Rodrigues

Ricardo Vieira Rodrigues é biólogo, mestre e doutor em Aquicultura pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Dedicou toda sua atuação profissional, desde a graduação em atividades relacionas a piscicultura marinha. Até o momento já atuou em estudos relacionados a produção de mais 10 espécies de peixes marinhos, desde a reprodução até a engorda. Atualmente é professor Titular-Livre da FURG e professor permanente do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da FURG, orientando estudantes da graduação, mestrado e doutorado. Suas principais linhas de atuação incluem reprodução e larvicultura de peixes marinhos, ecotoxicologia aplicada a aquicultura, produção de peixes ornamentais marinhos e produção de organismos aquáticos em sistemas de recirculação de água.

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Charge Edição nº 11 Publicado em 01/04/2018
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