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Nutrição Aquícola
01 de Fevereiro de 2018 Artur Nishioka Rombenso
Soja: herói ou vilão?

Nesta coluna abordarei um tema bastante relevante na nutrição aquícola: ingredientes. Essa será a primeira de muitas colunas sobre o assunto. Conforme mencionei na coluna publicada na 1a edição (jul/ago 2016) da Revista Aquaculture Brasil, “É sustentável a indústria de alimentos aquícolas?” A farinha de peixe é um dos principais ingredientes utilizados na nutrição aquícola. Por ser oriundo da pesca de pequenos pelágicos, é um ingrediente com produção limitada e com preço elevado e instável. Dessa forma, é utilizado de forma criteriosa e seu nível de inclusão nas dietas diminui com o avanço das pesquisas nutricionais. Atualmente existe uma grande variedade de ingredientes alternativos, principalmente de origem vegetal, com preço competitivo e grande disponibilidade, para substituir e/ou eliminar a farinha de peixe das formulações aquícolas.

 

 

A farinha de soja é um dos principais, senão o principal ingrediente proteico alternativo utilizado nos alimentos aquícolas devido ao elevado conteúdo proteico, perfil de aminoácido favorável, preço comparativamente baixo e vasta disponibilidade. Em espécies herbívoras e omnívoras a farinha de soja é utilizada em níveis de inclusão elevados, podendo em alguns casos substituir por completo a farinha de peixe sem afetar o crescimento. O mesmo não é válido para os organismos carnívoros, onde níveis mais agressivos de substituição podem causar redução do desempenho zootécnico e afetar a competência fisiológica dos mesmos. Isso ocorre devido à presença de fatores antinutricionais tais como inibidores de tripsina, antígenos, lectina, saponinas e oligossacarídeos, que resumidamente afetam a digestibilidade de proteínas e lipídios (Tabela 1). As respostas frente a esse fatores podem variar de espécie para espécie, com algumas delas sendo mais sensíveis e outras mais resistentes a certos tipos de fatores antinutricionais. Diversas pesquisas são realizadas com a finalidade de buscar estratégias para reduzir e/ou eliminar os fatores antinutricionais presentes na farinha de soja. O concentrado e o isolado de soja são exemplos de produtos tratados onde a maioria dos fatores antinutricionais são minimizados e/ou eliminados. Nas próximas colunas irei tratar esse tema com maior detalhe. 

Vale lembrar que esses ingredientes são apoiados por uma indústria global bastante agressiva e robusta. O que quero ressaltar é a importância de prestarmos mais atenção no estado de saúde e bem estar dos organismos criados, pois focarmos apenas em crescimento não é suficiente. Assim, recomendo refletir sobre as seguintes perguntas: será que meu peixe e/ou camarão utilizam a farinha de soja de maneira eficiente? Será que apesar do bom desempenho zootécnico meus organismos estão saudáveis? Qual o nível de farinha de soja nas dietas que utilizo? Será que posso otimizar o nível de inclusão de farinha de soja? Qual a finalidade da farinha de soja na formulação da minha dieta, será que existe uma melhor alternativa? 

Quero deixar claro que não defendo e nem apoio a farinha de soja. O intuito dessa coluna foi introduzir fatos e informações para um melhor conhecimento desse ingrediente tão relevante na nossa indústria. Agora, recomendo que busquem saber o que contém nas suas dietas para não ter surpresas. 

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Artur Nishioka Rombenso

Artur N. Rombenso é oceanólogo Brasileiro de 28 anos e doutor em Nutrição aquícola pela Southern Illinois University Carbondale – EUA. Atualmente é professor/pesquisador no Instituto de Oceanografia na Universidade Autônoma de Baja California – México. Nos últimos 5 anos o Artur vem trabalhando com nutrição de peixes com ênfase em fontes alternativas de lipídeos e requerimentos de ácidos graxos. Possui vários trabalhos publicados em revistas científicas e técnicas, nacionais e internacionais, e ganhou 5 prêmios de melhor trabalho científico durante seu doutorado. Possui também grande experiência internacional participando e colaborando em projetos de pesquisa e extensão em mais de 7 países. Além do lado acadêmico, Artur auxilia na coordenação de pesquisa, extensão e produção de uma maricultura em Angra dos Reis – RJ. As principais linhas interesse se extendem desde nutrição (organismos aquáticos e humanos) à aquacultura, maricultura, lipídeos, ácidos graxos, e qualidade nutricional de frutos do mar. 

E-mail: arturnr@yahoo.com.br

Skype: artur.nishioka

CV: Research Gates

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Charge Edição nº 5 Publicado em 01/05/2017
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