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Nutrição Aquícola
01 de Dezembro de 2017 Artur Nishioka Rombenso
Manejo alimentar Parte II: Taxa de arraçoamento

Na coluna passada apresentei o conceito de manejo alimentar e abordei com maiores detalhes a frequência alimentar. Se você ainda não teve a oportunidade de lê-la, recomendo que busque a edição número 8! Hoje continuarei no mesmo assunto, porém tratando sobre a taxa de arraçoamento. Vale ressaltar novamente que existe uma sinergia entre a frequência alimentar e a taxa de arraçoamento, portanto, para resultados mais precisos, recomendo avaliar esses dois parâmetros em conjunto através de um desenho experimental fatorial. A taxa de arraçoamento consiste na quantidade (em unidades de peso como kg e g) de alimento ofertado diariamente, que pode ser: (1) preestabelecida em função da porcentagem de biomassa de um tanque que, para muitas espécies de peixes, por exemplo, pode variar entre 3% e 7%; ou (2) baseada na saciedade aparente, a qual é definida pela redução do frenesi alimentar dos organismos, porém é algo subjetivo, variando de acordo com o bom senso de cada um. Ambas têm suas vantagens e desvantagens, e são utilizadas dependendo do objetivo da alimentação, sistema experimental ou de criação, espécie em questão, fase do ciclo de vida, entre outros fatores.

 

 

É fato que quanto mais alimentarmos um organismo, mais ele crescerá, porém isso ocorre até certo ponto. O mais importante a ser considerado é o quão eficiente será o crescimento, pois o excesso de alimento pode alterar a composição proximal (principalmente acúmulo de gordura no filé e na região intraperitoneal), aumentar o fluxo gastrointestinal (aumento de fezes), aumentar o desperdício de alimento e ainda aumentar a entrada de nutrientes no sistema de criação, deteriorando a qualidade da água do mesmo.

Como ilustração, cito um experimento realizado com juvenis de 3g do peixe marinho enxada (Chaetodipterus faber, de potencial aquícola comercial e ornamental) alimentados com duas frequências alimentares (1 e 3 vezes ao dia) e três taxas de arraçoamento (3, 5 e 7% da biomassa). Foi utilizada uma ração comercial de 1,4 mm para peixes marinhos com 50% de proteína bruta, 10% de lipídio, 3% de fibra e 16% de cinzas. Após 39 dias, observamos que quanto maior a taxa de arraçoamento maior o crescimento, e quanto mais frequente a alimentação maior o crescimento, independente da taxa de arraçoamento. Assim, para essa espécie, tamanho de organismo, tipo de alimento e sistema de criação, a melhor frequência alimentar foi de 3 vezes ao dia. Já em relação a taxa de arraçoamento, vale ressaltar que apesar do maior crescimento dos peixes alimentados a 7% da biomassa, o mesmo é menos eficiente que 5% da biomassa. Nesse mesmo estudo foram observados acúmulo de lipídio e redução de proteína na composição proximal de peixes inteiros conforme o aumento da taxa de arraçoamento. Para mais informações, sugiro a leitura do artigo Trushenski et al., (2012).

O intuito dessas duas últimas colunas foi demonstrar a importância do regime alimentar na aquicultura e sua influência na produção, na qualidade nutricional do produto final, na sustentabilidade e viabilidade da fazenda. 

 

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Artur Nishioka Rombenso

Artur N. Rombenso é oceanólogo Brasileiro de 28 anos e doutor em Nutrição aquícola pela Southern Illinois University Carbondale – EUA. Atualmente é professor/pesquisador no Instituto de Oceanografia na Universidade Autônoma de Baja California – México. Nos últimos 5 anos o Artur vem trabalhando com nutrição de peixes com ênfase em fontes alternativas de lipídeos e requerimentos de ácidos graxos. Possui vários trabalhos publicados em revistas científicas e técnicas, nacionais e internacionais, e ganhou 5 prêmios de melhor trabalho científico durante seu doutorado. Possui também grande experiência internacional participando e colaborando em projetos de pesquisa e extensão em mais de 7 países. Além do lado acadêmico, Artur auxilia na coordenação de pesquisa, extensão e produção de uma maricultura em Angra dos Reis – RJ. As principais linhas interesse se extendem desde nutrição (organismos aquáticos e humanos) à aquacultura, maricultura, lipídeos, ácidos graxos, e qualidade nutricional de frutos do mar. 

E-mail: arturnr@yahoo.com.br

Skype: artur.nishioka

CV: Research Gates

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Charge Edição nº 5 Publicado em 01/05/2017
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