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Aquicultura Latino-Americana
01 de Setembro de 2017 Rodolfo Luís Petersen
Relação Universidade X Empresa

Consultei uma série de colegas latinos para obter um apanhado de opiniões no que se refere a relação universidade & empresa, mas poucos responderam. Todos conhecem a C. Boyd, S. Moss, C. Browdy, T. Samocha, P. A. Sandifer, J. Scarpa, D. Lightner, T. Fregel, R Doyle, J. Lester etc etc etc.

Mas o que estes nomes têm em comum?

São pesquisadores, principalmente norte-americanos, que têm uma estrita relação com empresas privadas latino-americanas, no México, Equador, América Central e no Brasil. Desenvolvedores e vendedores de tecnologias!

A pergunta é: Qual a relação universidade & empresa no nosso continente? Como está organizada? Tenho certeza que 90% das assessorias realizadas por pesquisadores brasileiros são informais, ou seja, sem o pagamento de impostos. Por quê? O volume de documentos a apresentar é grande e o processo é burocrático. A papelada tem que tramitar no mínimo por três diferentes Pró-Reitorias, apresentando-se negativas disso e daquilo.

Temos que pensar em duas situações:

1. Na assinatura de um convênio de pesquisa envolvendo contratos grandes (acima de 100.000 dólares/ano), com a participação de alunos, doação de equipamentos à Universidade etc.; ou

2. Pequenas assessorias pontuais.

 

 

Para grandes contratos existe o caminho relativamente claro e que valeria a pena o trâmite burocrático, entretanto, para os pequenos relacionamentos não existem “simplificações” administrativas. E mais, para ambos os casos a taxa a recolher é de, no mínimo, 20 % do valor recebido, 10 % para a Universidade e outros 10 % para a fundação de apoio.

No caso daquelas instituições que têm uma forte parceria com as fundações de apoio o procedimento até pode ser mais simples, já que o recurso não precisa passar pelos cofres da universidade, porém, com a roubalheira dos últimos anos, assim como algumas fundações no foco das operações contra corrupção, a situação complicou por conta de uma meia dúzia de funcionários corruptos.

Quando cheguei ao Brasil fui funcionário de Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (FAPEU), vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Meu mestre e coordenador do projeto geria um laboratório de produção de pós-larvas de camarão como se fosse uma empresa privada. O impacto que tinha o projeto na sociedade como ferramenta de desenvolvimento tecnológico e inclusão social foi violento. Quando viajávamos a diferentes países da América Latina os pesquisadores ficavam boquiabertos da eficiência do nosso sistema em trabalhar junto ao setor produtivo. Pena que essa fase acabou...

Segundo a pesquisadora argentina Anália Fernandez Gimenez, da Universidade Nacional de Mar del Plata (Argentina) e pesquisadora do CONICET (Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas):

“Como acadêmica e pesquisadora graduada numa Universidade Estatal, considero que é uma responsabilidade moral transferir os conhecimentos, em prol de gerar-se benefícios aos diversos setores da sociedade. Neste sentido, nos últimos anos desenvolveram-se políticas de Estado com intuito de facilitar este processo, através da vinculação de pesquisadores a empresas privadas. Porém, esta última etapa que estamos vivendo atualmente tem se intensificado e, na minha visão, de forma exagerada. É importante considerar que não é possível conseguir avanços científicos se as pesquisas são financiadas exclusivamente pelo setor privado, uma vez que os interesses deste setor, por inúmeras vezes, não se refletem em benefícios para os setores sociais. É importante fazer ciência em colaboração com empresas, mas também é indispensável o respaldo do Estado para obter-se um avanço responsável nas pesquisas”.

A pesquisadora ressalta que para pequenas assessorias a porcentagem arrecadada para a universidade é 17 % do valor da assessoria ou projeto (somando Universidade e o CONICET), sem burocracia, através do rápido preenchimento de um pequeno formulário.

Para o pesquisador peruano e professor da Universidade Nacional de San Marcos (Lima, Peru) Guillermo Alvarez:

“A relação universidade & empresa é uma necessidade para a solução de problemas de produção específicos, mas requer que o Estado estimule esta união ou ação conjunta. Também acredito que deva existir uma parcela do Estado no financiamento, já que uma solução que leve a incrementos na produtividade aquícola, aumentará também o Produto Interno Bruto (PIB) do País”.

 

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Capa do colunista Rodolfo Luís Petersen
Rodolfo Luís Petersen

Zoólogo, Mestre em Aquicultura pela Universidade Federal de Santa Catarina e Doutor em Genética e Evolução pela Universidade Federal de São Carlos (SP). Pesquisador e Gerente do Setor de Maturação do Laboratório de Camarões Marinhos (UFSC) desde 1990 até o ano 2001. Em 2003 trabalhou no Departamento de Genética da AQUATEC e desde janeiro de 2004 até dezembro de 2006 foi Gerente de Produção e Diretor Técnico do Laboratório Estaleirinho (Balneário Camboriú/SC). Como professor da UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina), trabalhou em genética de peixes em parceria com a Piscicultura Panamá (Paulo Lopes/SC), entre 2006 e 2009. Atualmente trabalha como professor e pesquisador no curso de Engenharia de Aquicultura de Centro do Estudo do Mar (CEM/UFPR) e coordena o GECEMar (Laboratório de Biologia Molecular e Melhoramento de Organismos Aquáticos) da Instituição.

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Capa quando o cão pastor é de um produtor de peixes
quando o cão pastor é de um produtor de peixes
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