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Piscicultura Marinha
01 de Setembro de 2017 Ricardo Vieira Rodrigues
O que sabemos sobre a produção do linguado Paralichthys orbignyanus?

Diversas espécies de linguado são produzidas comercialmente a nível mundial. Na Ásia temos o linguado japonês Paralichthys olivaceus, na Europa os linguados Scophtalmus maximus e Solea senegalensis, na América do Norte os linguados Paralichthys lethostigma e Paralichthys dentatus. Destas 5 espécies citadas, 3 são do gênero Paralichthys, o mesmo da espécie estudada para produção aqui no Brasil, Uruguai e Argentina, o Palichthys orbignyanus.

P. orbignyanus distribuí-se do Rio de Janeiro até a Argentina. Essa espécie vem sendo estudada na FURG, na Universidad de la República em Montividéu (Uruguai) e no Instituto Nacional de Investigación y Desarrollo Pesquero da Argentina (INIDEP). É uma espécie eurialina com grande capacidade osmorregulatória, podendo ser produzida inclusive em água doce. É euritérmica, podendo ser produzida em temperaturas de até 26ºC (isso limita sua produção em regiões tipicamente tropicais), porém tolera temperaturas abaixo de 10ºC. É tolerante ao ambiente ácido e elevadas concentrações de compostos nitrogenados. Outro aspecto importante é que esta espécie pode ser produzida em elevadas densidades de estocagem, na verdade deve ser produzida assim, pois isso reduz o estresse destes peixes.

 

 

Atualmente, os estudos referentes a sua reprodução estão bem avançados, e a reprodução em cativeiro já é dominada. Sua desova pode ser realizada de forma induzida ou natural, pela estimulação fototermal. As taxas de fertilização e eclosão em ambos os processos geralmente superam os 85%. Quanto a larvicultura, já se tem certa estabilidade na sobrevivência, com resultados que variam de 20 até próximo aos 40%. É uma espécie com metamorfose bastante acentuada, quando a larva passa a ser demersal. A larvicultura dura em média 50 dias, quando as larvas já estão completamente adaptadas ao alimento inerte.

Nota-se que a reprodução e a larvicultura são bem estudadas, dessa forma, o que falta conhecer sobre a espécie? Um aspecto bastante importante: a fase de engorda. Os poucos estudos conduzidos sobre a engorda na FURG e no INIDEP apontam para um crescimento de 500g em um ano. Se considerarmos 500g em um ano, parece um crescimento muito pequeno, contudo, quando comparamos ao linguado S. senegalensis, que cresce aproximadamente 450g em 18 meses e é produzido comercialmente, vemos que é uma espécie com potencial.

Mas pouco se conhece sobre o manejo adequado da engorda e praticamente nada sobre os aspectos nutricionais do P. orbignyanus. Dessa forma, a engorda tem potencial de ser bastante maximizada. Um aspecto importante é que estudos preliminares indicam que os tanques de engorda devem ser mantidos com pelo menos 100% do fundo ocupado (como espécie demersal, o que importa é a área do fundo ocupada). Porém já mantivemos em laboratório 200% do fundo do tanque ocupado (literalmente um peixe em cima do outro), isso estimula a alimentação e consequentemente o crescimento dos peixes.

Por fim, ainda existem muitos aspectos a serem determinados para a concretização das informações referentes ao P. orbignyanus. Questões relacionadas a má formação no final da larvicultura (migração errática do olho, má formação do opérculo, má pigmentação do comporto). São necessários estudos referentes a nutrição, manejo... Porém é uma das espécies marinhas brasileiras com o maior número de informações relacionados a sua produção, é extremamente resistente a vários parâmetros de qualidade de água e manejo e ótima para produção em elevadas densidades de estocagem.

 

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Ricardo Vieira Rodrigues

Ricardo Vieira Rodrigues é biólogo, mestre e doutor em Aquicultura pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Dedicou toda sua atuação profissional, desde a graduação em atividades relacionas a piscicultura marinha. Até o momento já atuou em estudos relacionados a produção de mais 10 espécies de peixes marinhos, desde a reprodução até a engorda. Atualmente é professor Titular-Livre da FURG e professor permanente do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da FURG, orientando estudantes da graduação, mestrado e doutorado. Suas principais linhas de atuação incluem reprodução e larvicultura de peixes marinhos, ecotoxicologia aplicada a aquicultura, produção de peixes ornamentais marinhos e produção de organismos aquáticos em sistemas de recirculação de água.

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Charge Edição nº 11 Publicado em 01/04/2018
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