Colunas
Nutrição Aquícola
01 de Setembro de 2017 Artur Nishioka Rombenso
Manejo alimentar Parte I: Frequência alimentar

O sucesso da criação de qualquer espécie aquícola, em particular de peixes, depende em parte de dietas adequadas que atendam as exigências e as demandas nutricionais e de manejos alimentares otimizados. Já conversamos bastante sobre a importância de dietas balanceadas e formuladas especificamente para cada espécie, e nas duas últimas colunas ressaltei a importância do processo de alimentação. Hoje vou apresentar o conceito de manejo alimentar e focar na frequência alimentar. As diferentes práticas de manejo alimentar, como a frequência alimentar e a taxa de arraçoamento, podem maximizar a eficiência de alimentação, o crescimento e consequentemente a produção. Além disso, elas são importantes para determinar o consumo total de alimento e a eliminação de resíduos, e também influenciam a composição corporal e o valor nutricional associado. Apesar da grande relevância para o sucesso produtivo e da baixa complexidade científica dessas práticas, existem poucos estudos publicados buscando a otimização das estratégias alimentares nas diferentes espécies, tamanho de peixe, fase do ciclo de vida, fases e sistemas de criação e de produção, e tipo de ração.

Vale ressaltar ainda que existe uma sinergia entre a frequência alimentar e a taxa de arraçoamento. Assim, ambas devem ser consideradas simultaneamente para obtenção de um resultado sólido e preciso (Tabela 1). Irei abordar cada uma isoladamente por motivos didáticos, mas ressalto que o manejo alimentar adequado consiste na otimização da frequência alimentar e da taxa de arraçoamento.

 

 

A frequência alimentar consiste no número de alimentações ofertadas durante um período de tempo, geralmente em um dia. A quantidade de ração diária ofertada não se altera em função da frequência alimentar. Apenas a quantidade de ração ofertada em cada alimentação varia em função da frequência alimentar. Tomemos como exemplo uma criação de peixes em que a oferta diária é de 120 kg de ração por viveiro. Se utilizarmos uma frequência alimentar ao dia estaremos fornecendo toda a quantidade diária de ração (120 kg/viveiro) em apenas uma alimentação. Com duas frequências alimentares ao dia teremos duas alimentações com quantidades iguais de alimento (60 kg/viveiro), e que juntas totalizam a quantidade diária de ração ofertada (120 kg/viveiro). Se utilizarmos três frequências alimentares ao dia, serão três alimentações de 40 kg de ração por viveiro, totalizando 120 kg de ração/viveiro/dia. E assim por diante.

Nesse exemplo ficou claro como funciona a frequência alimentar e, se traçarmos um paralelo com a alimentação humana, podemos entender ainda mais esse conceito. Analisando quantas vezes comemos por dia, podemos associar que baixas frequências alimentares geralmente não são adequadas, pois é complexo ingerir a mesma quantidade de alimento diário em apenas uma alimentação comparado com três ou mais alimentações, além de ter que lidar com o grande volume de alimento a ser digerido. Elevadas frequências alimentares, no entanto, podem resultar em insuficiente quantidade de alimento para satisfazer o apetite de um organismo e obter uma digestão adequada. Ou seja, a frequência alimentar influencia o consumo de alimento e sua utilização.

Então, podemos nos perguntar: Qual é a melhor frequência alimentar? Podemos também assumir que frequências alimentares maiores que 1 devem obter melhores resultados. Como a frequência alimentar é espécie-específica e também varia de acordo com o tamanho do peixe, a fase do ciclo de vida, o sistema de criação, a densidade de estocagem, o tipo e a composição da ração, a resposta mais adequada seria “Depende”. O ideal é contextualizar para saber qual a frequência alimentar mais adequada para sua espécie, tamanho de peixe, ... etc. Até o momento é sabido que as frequências alimentares podem variar de 1 a mais de 12 vezes ao dia dependendo da espécie, tamanho do peixe, fase do ciclo de vida, etc.

Espero ter esclarecido o conceito da frequência alimentar e também motivado você produtor a verificar se as frequências alimentares utilizadas durante o ciclo de produção são adequadas para o objetivo de sua fazenda. Caso não sejam, consulte um especialista e busque na literatura algo a respeito. Espero também ter motivado você profissional da área de nutrição e produção a fornecer essa importante informação para os produtores e assim contribuir para a eficiência produtiva e a expansão da atividade.


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Artur Nishioka Rombenso

Artur N. Rombenso é oceanólogo Brasileiro de 28 anos e doutor em Nutrição aquícola pela Southern Illinois University Carbondale – EUA. Atualmente é professor/pesquisador no Instituto de Oceanografia na Universidade Autônoma de Baja California – México. Nos últimos 5 anos o Artur vem trabalhando com nutrição de peixes com ênfase em fontes alternativas de lipídeos e requerimentos de ácidos graxos. Possui vários trabalhos publicados em revistas científicas e técnicas, nacionais e internacionais, e ganhou 5 prêmios de melhor trabalho científico durante seu doutorado. Possui também grande experiência internacional participando e colaborando em projetos de pesquisa e extensão em mais de 7 países. Além do lado acadêmico, Artur auxilia na coordenação de pesquisa, extensão e produção de uma maricultura em Angra dos Reis – RJ. As principais linhas interesse se extendem desde nutrição (organismos aquáticos e humanos) à aquacultura, maricultura, lipídeos, ácidos graxos, e qualidade nutricional de frutos do mar. 

E-mail: arturnr@yahoo.com.br

Skype: artur.nishioka

CV: Research Gates

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Charge Edição nº 5 Publicado em 01/05/2017
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