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Nutrição Aquícola
06 de Maio de 2020 Artur Nishioka Rombenso
Novacq™, biomassa microbiana seca, um novo ingrediente/aditivo para tilápia?

O uso de ingredientes/aditivos à base de biomassa microbiana tem sido investigado há anos. Resultados promissores são constantemente publicados com camarões e também com peixes. Mas, como sempre, existem resultados controversos. É difícil generalizar a eficácia de um ingrediente/aditivo sem um contexto. A grande variedade combinada com uma gama de composição nutricional e vasta aplicação desses produtos deixam esse tópico ainda mais complexo. Existem, por exemplo, produtos de biomassa microbiana ricos em proteína enquanto outros são ricos em cinzas e lipídios.

Recentemente foi publicado um artigo na revista científica Aquaculture do nosso grupo de nutrição aquícola do CSIRO em colaboração com a WorldFish sobre o potencial do uso de Novacq™, biomassa microbiana seca, em rações com zero ou baixos níveis de farinha de peixe para juvenis de tilápia (Simon et al., 2019). Para tal, foram analisados 8 tratamentos. Os 4 primeiros buscaram avaliar o nível de inclusão de Novacq™ (0, 2,5, 5 e 10%) em rações contendo 10% de farinha de peixes, enquanto que os outros quatro avaliaram a inclusão de 10% de Novacq™ em rações contendo 5% e 0% de farinha de peixe. Esse experimento foi realizado na base da WorldFish em Penang na Malásia.

 

 

Nível de inclusão de Novacq™

O crescimento (peso final e ganho em peso) foi proporcional ao nível de inclusão de Novacq™ nas dietas contendo 10% de farinha de peixe. Ou seja, quanto mais Novacq™ na ração maior o crescimento (Figura 1). Interessante observar que o crescimento foi proporcional ao consumo de alimento. Os juvenis de tilápia alimentados com rações contendo maior quantidade de Novacq™ consumiram mais alimento e consequentemente cresceram mais (Figura 1). Vale ressaltar que o crescimento com rações contendo Novacq™ foi tão eficiente quanto o tratamento controle (10% de farinha de peixe e 0% Novacq™; dado não mostrado nessa coluna).

 

Baixo ou zero de farinha de peixe com e sem Novacq™

Animais alimentados com rações contendo 5 ou 0% de farinha de peixe resultaram em baixo desempenho zootécnico. Porém, quando Novacq™ foi suplementado, o desempenho melhorou e nos tratamentos contento 5% de farinha de peixe suplementado com Novacq™ o crescimento foi igual ao grupo de 10% de farinha de peixe com Novacq™ (Figura 2).

Nota-se uma clara separação entre os tratamentos com e sem Novacq™. A tendência entre as dietas contendo diferentes níveis de farinha de peixe (0, 5 e 10%) é a mesma com e sem Novacq™, porém os tratamentos com Novacq™ possuem um nível maior de crescimento (Figura 2). Essa tendência consiste em dietas contendo 10% de farinha de peixe, as quais resultaram em um ganho de peso superior a dietas contendo 0% de farinha de peixe, enquanto que as dietas contendo 5% de farinha de peixe apresentaram um ganho de peso igual às dietas anteriores.

Como conclusão, os autores ressaltam que a adição de Novacq™ melhora a palatabilidade (em outras palavras, promove o consumo do alimento) e as taxas de crescimento de juvenis de tilápia alimentados com rações com baixo a zero nível de farinha de peixe. Por fim, eles também mencionam a importância de futuros estudos e principalmente de viabilidade econômica devido ao baixo custo das rações destinadas à tilapicultura.

Espero ter trazido um conteúdo novo. Acredito que iremos cada vez mais ouvir falar desses produtos à base de biomassa microbiana. Sugiro a leitura desse artigo científico e de outros no tema.

 

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Artur Nishioka Rombenso

Artur N. Rombenso é oceanólogo Brasileiro de 28 anos e doutor em Nutrição aquícola pela Southern Illinois University Carbondale – EUA. Atualmente é professor/pesquisador no Instituto de Oceanografia na Universidade Autônoma de Baja California – México. Nos últimos 5 anos o Artur vem trabalhando com nutrição de peixes com ênfase em fontes alternativas de lipídeos e requerimentos de ácidos graxos. Possui vários trabalhos publicados em revistas científicas e técnicas, nacionais e internacionais, e ganhou 5 prêmios de melhor trabalho científico durante seu doutorado. Possui também grande experiência internacional participando e colaborando em projetos de pesquisa e extensão em mais de 7 países. Além do lado acadêmico, Artur auxilia na coordenação de pesquisa, extensão e produção de uma maricultura em Angra dos Reis – RJ. As principais linhas interesse se extendem desde nutrição (organismos aquáticos e humanos) à aquacultura, maricultura, lipídeos, ácidos graxos, e qualidade nutricional de frutos do mar. 

E-mail: arturnr@yahoo.com.br

Skype: artur.nishioka

CV: Research Gates

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Charge Edição nº 9 Publicado em 11/05/2016
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