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Piscicultura Marinha
01 de Janeiro de 2019 Ricardo Vieira Rodrigues
Produção de Pargo na Costa Rica

Neste ano de 2019 tive a oportunidade de visitar a empresa Martec na Cidade de Quepos, Costa Rica. A empresa tem mais de 30 anos operando no setor de beneficiamento de pescado e aproximadamente há 10 anos iniciou a produção do pargo Lutjanus guttatus. Atualmente a empresa possui uma planta de processamento de pescado oriundo da pesca e dos próprios peixes produzidos por ela. Para a produção do pargo possui laboratório de produção de juvenis e engorda dos peixes em tanques-redes em mar aberto, detendo toda a cadeia de produção desta espécie e é a única empresa que produz peixes marinhos em tanques-rede na Costa Rica.

O laboratório produz aproximadamente 300.000 juvenis por mês durante todo o ano, que são transferidos em caixas de transporte para os tanques-rede em mar. Atualmente possuem 22 tanques (Figura 1) para engorda dos peixes, onde 14 tanques de 15 m de diâmetro são utilizados como berçario e 8 tanques de 25 m de diâmetro são utilizados para engorda final. Nos tanques-rede de berçário os peixes são estocados com 2g de peso e permanecem até aproximadamente 150g e engorda final de 150 até 450 – 500g, quando os peixes são então despescados. Todo o ciclo de produção tem duração de aproximadamente 1 ano. A empresa também possui 3 tanques-redes menores onde mantém um “backup” de reprodutores, caso algum problema ocorra com os reprodutores do laboratório.

 

 

Toda a ração utilizada é produzida na Costa Rica, sendo utilizadas duas formulações: uma ração comercial produzida por uma empresa multinacional e uma ração produzida por uma empresa local que trabalha com uma formulação aberta juntamente com a Martec e, constantemente, são testadas mudanças na formulação.

Problemas com enfermidades bacterianas e parasitárias podem ocorrer durante a engorda em mar, assim como em qualquer outra espécie, e o tratamento pode ser necessário, dependendo da enfermidade. Interessante que para minimizar a proliferação de possíveis patógenos e doenças, os tanques de berçário ficam distantes aproximadamente 300 m dos peixes que permancem na engorda final. Como a empresa possui uma conseção de 150 hectares de área para utilização para maricultura, isso não é um problema.

Foi possível acompanhar a chegada de um lote de peixes despescados na planta de processamento. O peixe chega no gelo, é rapidamente pesado indidualmente e separado por classes de pesos. Peixes com alguma deformidade são separados, mas não representam mais de 2% do total. A forma de comercialização dos peixes é inteira com cabeça, apenas eviscerado (um peixe do tamanho do prato, para ser uma porção individual – Figura 2) e praticamente todo o pargo é comercialzado para os Estados Unidos.

A empresa está em expansão na parte de maricultura e a ideia é terminar o ano com 28 tanques-rede em mar. Atualmente conta com mais de 50 funcionários diretamente no setor de maricultura (laboratório + fazenda em mar), de várias nacionalidades, inclusive brasileiros. Para mais informações a respeito da empresa, vídeos sobre a produção do pargo estão disponíveis no Youtube com imagens do laboratório e da fazenda marinha.

Faça o download e confira o texto completo com todas as ilustrações. Clique aqui

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Capa do colunista Ricardo Vieira Rodrigues
Ricardo Vieira Rodrigues

Ricardo Vieira Rodrigues é biólogo, mestre e doutor em Aquicultura pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Dedicou toda sua atuação profissional, desde a graduação em atividades relacionas a piscicultura marinha. Até o momento já atuou em estudos relacionados a produção de mais 10 espécies de peixes marinhos, desde a reprodução até a engorda. Atualmente é professor Titular-Livre da FURG e professor permanente do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da FURG, orientando estudantes da graduação, mestrado e doutorado. Suas principais linhas de atuação incluem reprodução e larvicultura de peixes marinhos, ecotoxicologia aplicada a aquicultura, produção de peixes ornamentais marinhos e produção de organismos aquáticos em sistemas de recirculação de água.

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Charge Edição nº 11 Publicado em 01/04/2018
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