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Green Technologies
01 de Janeiro de 2019 Maurício Emerenciano
Dragão chinês: o que esperar da carcinicultura do maior gigante mundial?

Nihao” aos leitores da Aquaculture Brasil! Hoje o assunto é China, a meca da Aquicultura mundial. A coluna Green Technologies desta edição aborda como tema uma reflexão sobre os desafios e perspectivas da carcinicultura chinesa. Uma indústria que na última década sofreu (e ainda sofre) com o efeito de diversas doenças, e viu suas cifras de produção serem afetadas nas estatísticas globais. Em recente visita ao país para proferir palestra e visitar algumas fazendas e hatcheries (Laboratórios comerciais produtores de pós-larvas) pude dialogar com técnicos, pesquisadores e ver de perto esse cenário. As doenças como a EMS em 2011, EHP e, mais recentemente, uma síndrome relacionada ao crescimento e desuniformidade dos lotes, foram e têm sido grandes obstáculos para impulsionar a indústria e as exportações. Por falar nesta última, a China devido aos problemas acima mencionados, de grande exportador, transformou-se em grande importador do crustáceo.

 

 

Mas o dragão quer mudar este cenário. Aos poucos, a carcinicultura chinesa vem buscando algumas alternativas, como tecnificar e diversificar sua indústria. Algumas apostas se concentram em : (I) intensificação dos cultivos e implementação de técnicas, tais como revestimento dos viveiros, uso de diversos biorremediadores e demais insumos; (II) busca por reprodutores livres de doenças e de qualidade superior; e (III) diversificação de espécies.

Em relação ao tópico I, acho válido esse caminho desde que o dia a dia das fazendas seja intimamente acompanhado de práticas de biossegurança, incluindo cuidados na captação, tratamento e reuso de água. Infelizmente isso ainda esta longe de ser uma realidade na carcinicultura chinesa. Em relação ao tópico II, a aposta é igualmente válida, mas desde que as fazendas também façam a sua parte (o que não vem acontecendo). Já em relação ao último ponto, a diversificação pode ser uma opção em locais com acesso a água com altas salinidades, visando atender às exigências ambientais de espécies, tais como o Penaeus monodon (camarão tigre) ou o Marsupenaeus japonicus (camarão japonês). Este último pode custar até três vezes mais que o camarão branco Litopenaeus vannamei, espécie cujo preço vem caindo relativamente nos últimos meses, principalmente devido a enxurrada de camarões vindos da Índia e Equador. No entanto, se os cuidados nos cultivos e a adoção de práticas de biossegurança não forem postos em prática, infelizmente é questão de tempo para que estes nichos sejam afetados.

Assim, como a saída não é simples e leva certo tempo, a China vem investindo em parcerias com outros países tais como Indonésia e Vietnã. Aquisição de fazendas e demais tipos de parcerias vêm sido constantemente divulgados na mídia e parece ser uma alternativa rápida para não deixar de abastecer aquele país. Ainda em tempo, a elevação nos custos de produção (impulsionado em partes pelos custos com mão de obra) atrelados os desafios acima mencionados fazem do futuro da carcinicultura chinesa ainda incerto. Apostas em ciência e tecnologia parecem ser um caminho já em curso. Sigo ansioso para escutar novas (e boas) histórias do dragão chinês!

 

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Maurício Emerenciano

Maurício Emerenciano é graduado em Zootecnia (UEM), mestre em aquicultura (FURG) e doutor em Ciências pela UNAM (México). Em 2014 foi ganhador da Medalha Alfonso Caso (menção honrosa designada às melhores teses e dissertações dos Programas de Pós-Graduação da UNAM/México). Atua na aquicultura desde 2002 e como pesquisador já realizou cooperação científica em diversos centros de pesquisa como Waddell Mariculture Center (EUA), CSIRO (Austrália) e IFREMER (França). Foi consultor científico em aquicultura para o governo do Chile, do México e Polinésia Francesa (Pôle d’Inovación de Tahiti). Membro do Biofloc Technology Steering Committee (AES), voltado a ações científicas e tecnológicas referentes ao sistema BFT. Possui capítulo de livro referência mundial da tecnologia de bioflocos (Biofloc Technology - The practical guide 3rd edition). Já proferiu mais de 20 cursos e diversas palestras sobre tecnologias “mais verdes” de produção para produtores, indústria e academia no México, Brasil, Chile e Colômbia. Atualmente é professor e pesquisador da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), campus Laguna/SC, onde coordena projetos de pesquisa vinculados ao setor público e privado.

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Charge Edição nº 11 Publicado em 01/04/2018
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