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10 de Julho de 2022 Aquaculture Brasil
Exportação pode ser uma realidade para todos: Estudo de mercado para viabilização da exportação

O desempenho dos mercados globais vem sendo fortemente acometido por uma pandemia, colapsando assim a economia mundial. Alguns autores preveem uma queda no PIB entre 6,7% e 8% nos melhores cenários (McKibbin e Fernando, 2020). Boa parte desses impactos são resultados de um lockdown na tentativa de conter a disseminação da doença. Um dos setores mais atingidos foi o de FoodService que gerou uma reação em cadeia impactando diretamente os produtores de pescado, principalmente a carcinicultura. Apesar dos desafios em função da pandemia, a aquicultura mostrou um crescimento que voltou a posicionar o Brasil como um dos principais player mundiais na produção de pescado, seja em função da tilápia com 486.155 toneladas produzidas em 2020 (Peixe BR) ou puxado pelo camarão, 112.000 toneladas em 2020 (ABCC), ambos recordes nacionais de produção.

O crescimento da aquicultura nacional, juntamente com um mercado interno apresentando dificuldades para absorver a produção, fez com que diversas empresas buscassem a exportação como caminho para escoar seus produtos. O resultado disso é um aumento da representação do pescado oriundo da aquicultura nas exportações. Dada a tamanha relevância que a aquicultura tomou nos últimos anos e com o reposicionamento do setor, voltando a mirar o mercado externo, muito se tem debatido sobre o potencial brasileiro de se tornar um grande exportador de pescado. Contudo, são poucas as informações que abordam os caminhos necessários para atingir o mercado externo, criando assim um tabu de que apenas empresas de grande porte tem a capacidade de exportar. Dessa forma o presente artigo tem o objetivo, de não só quebrar esse tabu, mas também debater alguns dos caminhos que podem ser seguidos para a exportação de pescado, buscando assim trazer um primeiro contato para aqueles produtores que desejarem posicionar seus produtos no mercado externo.

 

 

 

 

Desenvolvimento

Iremos iniciar esclarecendo que exportação não é exclusivo de empresas de médio e grande porte. Qualquer empresa, desde que devidamente formalizada e regularizada pode exportar. Claro que, quando tratamos de alimentos, principalmente pescado, existe um certo grau de burocracia e certificações necessárias que dizem respeito a segurança alimentar. Como o objetivo desse artigo é explicar os caminhos para exportar, não iremos abordar as exigências necessárias de certificações sanitárias internas e externas.

O primeiro ponto que é preciso entender é que a exportação deve ser buscada como uma estratégia para manter o crescimento e/ou realizar um posicionamento. Essa premissa é fundamental, visto que a partir do momento que a empresa busca colocar seu produto no mercado externo ela irá competir com preços do mercado externo, se há pouca agregação de valor, logo se faz necessário preço e volume. Com base nessa estratégia, são poucas as empresas com capacidade de exportar no Brasil. Entretanto se a busca é por um posicionamento do seu produto em um nicho específico, é possível ser competitivo, visto que não se trata de volume, mas de atender um cliente específico e aqui cabem empresas de qualquer porte. Portanto exportar envolve muita estratégia comercial. Parece lógico, mas o ponto inicial é fundamental para conduzir todo o processo. O empresário pode definir produto e pesquisar mercado ou pesquisar mercado e definir produto. De acordo com Ludovico algumas perguntas (Tabela 1) devem ser realizadas antes da empresa decidir se inserir em um mercado externo, as respostas serão fundamentais para a construção das estratégias a serem adotadas.

O Brasil tem histórico de iniciar as exportações para um determinado país ou região e posteriormente descontinuar, foi assim com os EUA no passado, é assim com a União Europeia no presente. O empresário precisa estar atento a isso, não é recomendado que a empresa busque a exportação em função de um problema no mercado interno, e tão logo esse problema seja amenizado ela volte a focar nos clientes nacionais. Esse erro pode causar transtorno quanto a marca dos produtos dificultando uma retomada do mercado externo no futuro.

 

Pesquisa de mercado externo

Assim como o mercado interno, a exportação também exige um estudo do mercado. Esse trabalho deve ser realizado pesquisando as exportações e importações do produto ou do nicho em foco nos últimos anos, mas atenção, não basta estar de posse dos números, é preciso interpretar os dados, por exemplo: Quais as tendências globais para exportação e importação de lagosta? Quais os países que mais comercializaram? Quem são os principais exportadores? E importadores? Todas essas informações são facilmente obtidas no site www.trademap.org. Para que a pesquisa seja realizada com mais facilidade, é necessário ter em posse a NCM do produto. NCM é a sigla para “Nomenclatura Comum do Mercosul”. Toda e qualquer mercadoria que circula no Brasil deve ter o código NCM, que tem como base o Sistema Harmonizado de Designação e Certificação de Mercadorias (SH), sendo uma especificação internacional. Assim, o Código NCM, apesar de ser uma nomenclatura do Mercosul é reconhecida em nível global. No site do TradeMap, é possível obter várias informações em formato de mapas, gráficos e tabelas que podem ser facilmente exportadas para o Excel e interpretadas. Todos os Códigos NCM podem ser encontrados no site da receita federal.

 

 

 

 

Pesquisa de mercado interno

Após estudo do mercado externo será a vez de analisar o mercado interno. Como o Brasil tem se comportado com as importações e exportações naquele NCM? Quais os principais estados que estão exportando? Quais os principais destinos? Todas essas informações podem ser obtidas no site Comex Stat do governo federal (www.comexstat.mdic.gov.br). Essas informações são fundamentais para construção da estratégia de exportação, além de indicar quais países já possuem uma relação comercial com o Brasil na NCM a ser trabalhada.

 

Mapa de oportunidades

Uma vez compreendido o mercado externo e o mercado interno, o próximo passo é analisar os potenciais mercados que podem ser explorados. Se no passado se fazia necessário um roteiro de viagens cansativo e oneroso, a internet permite que possamos prospectar mercados com rapidez e baixo custo sem sair do País. Isso é possível por meio do Mapa de Oportunidade da APEX – Brasil (www. portalapexbrasil.com.br).

Essa plataforma é uma poderosa ferramenta, desde inteligência de mercado até a atração de investimentos. É possível realizar uma pesquisa onde serão apresentados os mercados mais favoráveis a inserção do produto, principais concorrentes etc. Várias plataformas podem ser utilizadas para o estudo de mercado como por exemplo ABCC, Peixe BR, SeaFood Brasil entre outras. O relevante aqui é realizar uma pesquisa completa e profunda e principalmente estar aberto a entender que existem mercados além dos EUA e China. É comum o empresário focar apenas nesses dois mercados, mesmo quando os dados indicam outras regiões.

 

Conclusão

A pesquisa de mercado, apesar de trabalhosa pode ser realizada com baixo investimento e de forma eficiente. É preciso compreender que exportar por feeling é um imenso risco que poderá corroer o caixa da empresa. Diversas plataformas estão disponíveis para que o empresário e o responsável pelo setor de exportação possam realizar uma pesquisa completa. Como dito no artigo, exportar é uma estratégia, logo necessita de tempo e planejamento. Para aqueles empresários que buscam focar nos produtos, todo o trabalho de estudo de mercado pode ser terceirizado por consultores, o importante é que essa terceirização seja realizada por quem entende do mercado, afinal, será construída uma análise de cenário que irá nortear todo o processo de exportação.

 

Autores:

José de Souza Junior

Mestre em Engenharia de Pesca – UFC

Estudante de Graduação em Comércio Exterior – UNIFOR

Fortaleza, CE

* jr_souza@edu.unifor.br

 

Cláudio Azevedo Peixoto Junior

Mestre em Administração e Controladoria – UFCE

Professor de Comércio Exterior – UNIFOR

Fortaleza, CE

 

 

 

 

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