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Produção de peixe marinho dá novo passo no Brasil?

Produção de peixe marinho dá novo passo no Brasil?
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No mês de maio a Aquaculture Brasil noticiou um futuro empreendimento na área da piscicultura marinha na Bahia. A empresa norte-americana Forever Oceans pretende investir cerca de 60 milhões de dólares na produção do olho-de-boi Seriola rivoliana. São escassas as informações, porém o governador da Bahia assinou um memorando de entendimento com a empresa. O empreendimento necessita ainda de todos os trâmites de licenciamento ambiental para então iniciar suas atividades. Espero que de fato essa iniciativa saia do papel, que as questões de licenciamento não travem o processo como já observamos no passado e que de fato mais uma iniciativa de maricultura tenha início nesse nosso enorme litoral pouco explorado pela aquicultura.

Para quem nunca ouviu falar em produção de peixes do gênero Seriola, são muitas as espécies que são produzidas ao redor do mundo. Seriola quinqueradiata já é produzida no Japão desde a década de 60, enquanto S. lalandi vem sendo produzida no Japão, Austrália, Nova Zelândia, EUA e Chile. Quanto a espécie que é alvo no Brasil S. rivoliana, ela já vem sendo produzida nos EUA e estudos iniciais têm sido realizados com a espécie no Chile. As Seriolas são produzidas geralmente em tanques-redes, porém sistemas de recirculação também podem ser utilizados para sua engorda. Existem relatos de maturação e desova natural em tanques de grande volume das Seriolas, mas geralmente são realizadas induções hormonais para obtenção de larvas.

 

 

A S. rivoliana é uma espécie amplamente distribuída, estando presente em praticamente todos os mares tropicais e temperados do mundo. É nativo da costa brasileira, com ocorrência de norte a sul do país. Como já é produzida comercialmente, dispõe de protocolo de produção de juvenis já estabelecido. Possui uma elevada taxa de crescimento, por volta de 2,2 kg entre 9 a 12 meses de produção, dependendo da temperatura da água. Portanto, certamente pode ser uma excelente espécie para produção aqui no Brasil.

Como o gênero Seriola vêm despertando muito interesse ao redor do mundo, no ano de 2018 foi realizado um workshop exclusivo sobre as espécies do gênero nos EUA (Seriola Workshop) reunindo os principais pesquisadores do mundo sobre as espécies do gênero. A tentativa de um segundo evento será para o ano de 2020. Para quem tiver mais interesse sobre a produção de Seriola em geral, recomendo a leitura do artigo de revisão sobre produção de Seriola (Sicuro e Luzzana, 2016*). Sobre as conclusões da revisão, ressalto os pontos considerados gargalos para expansão da produção das diferentes espécies de Seriola, que são: o impacto causado pelas enfermidades, carência de programas de melhoramento genético e um conhecimento incompleto relacionado as exigências nutricionais das espécies, sendo esse último ponto alvo de muito estudo na atualidade.

 

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