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Defendeu – Monique Berticelli Morselli

Defendeu – Monique Berticelli Morselli
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Nome da acadêmica: Monique Berticelli Morselli

Orientador: Prof. Dr. Diogo de Alcantara Lopes

Co-orientador: Prof. Dr. Aleksandro Schafer da Silva

Instituição: Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPGZOO), Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC

 

Título da dissertação: Suplementação dietética de timol para carpa capim: efeitos sobre desempenho, sistema antioxidante e metabolismo energético hepático

 

Introdução: 

Originária da Ásia, a carpa capim apresentam grande rusticidade, suporta baixas concentrações de oxigênio dissolvido na água e resiste a uma ampla faixa de temperatura, o que estimula sua produção nas regiões sul do Brasil.

Contudo, apesar de sua rusticidade, as carpas não estão livres de serem acometidas por doenças bacterianas, e isso pode ocorrer devido ao sistema de manejo intensivo, elevadas densidades de estocagem, fornecimento de ração em demasia, redução da qualidade da água. Esses fatores podem aumentar a quantidade de bactérias no viveiro e como consequência, causar o surgimento de doenças. O uso indiscriminado de antibióticos para eliminar ou diminuir os problemas causados por doenças no sistema produtivo faz com que haja a seleção de linhagem de bactérias resistentes, aumentando o risco de resistência cruzada, ou seja, quando essa resistência acomete bactérias associadas à população humana.

Para diminuir o risco a saúde humana e dos peixes, bem como aumentar seu bem-estar, vários estudos estão sendo realizados com produtos derivados de plantas como, por exemplo, óleos essenciais, extratos ou componentes puros, que constituem uma promissora fonte de moléculas bioativas.

Os óleos essenciais são ricos em diferentes componentes, como por exemplo o óleo de orégano e tomilho que contém timol. O timol é quimicamente é conhecido como 2-isopropil-5-metilfenol (Figura 1) e pode ser extraído de diversas plantas aromáticas produtoras de óleos essenciais. A principal é o tomilho, sendo a planta na sua totalidade usada para extração do componente. De acordo com a literatura, o timol é um estimulante na digestão, e tem efeitos antisséptico e antioxidante que podem favorecer o desempenho zootécnico das carpas, o que justifica a escolha do composto como um aditivo alimentar. O timol também possui atividade antibacteriana relacionada ao mecanismo de ação que consiste em modificar a permeabilidade da membrana citoplasmática acarretando a saída do material intracelular e com isso causando a morte dos microrganismos.

 

Objetivo: 

Avaliar a suplementação de timol na dieta de carpa capim e seu efeito sobre desempenho zootécnico, o sistema antioxidante e metabolismo energético.

 

Materiais e métodos: 

O timol (peso molecular 150,22 g/mol – Sigma-Aldrich®) foi adicionado a ração basal e um total de 160 alevinos de Ctenopharyngodon idella (7,33 ± 0,12 g; 8,13 ± 0,12 cm) foram mantidos em sistema de recirculação de água e divididos em quatro grupos, com quatro repetições e com 10 peixes por aquário (60 L) da seguinte forma:

  • T100: dieta basal suplementada com 100 mg de timol / kg de ração basal;
  • T200: dieta basal suplementada com 200 mg de timol/kg de ração basal;
  • T300: dieta basal suplementada com 300 mg de timol/kg de ração basal.

A taxa de alimentação diária foi de 6% da biomassa total, dividida em duas vezes (9h e 17h), por 60 dias consecutivos. Ao término do estudo foi analisado o desempenho zootécnico e coletadas amostras de fígado para analises de variáveis relacionadas ao status oxidante e antioxidante, assim como metabolismo energético.

 

 

Resultados e Discussão: 

Não houve diferença significativa entre os grupos quanto ao comprimento e consumo de ração. No entanto, o peso corporal e o ganho de peso corporal foram maiores nos peixes do grupo T100 em comparação com todos os outros grupos. Em porcentagem, o peso corporal dos peixes em 60 dias aumentou 8,7% (T0), 47,1% (T100), 10,9% (T200) e 15,4% (T300). A análise de regressão mostrou um efeito do tratamento no peso corporal e no ganho de peso quando utilizada a dose recomendada de 68,4 mg/kg e 72,6 mg/kg de timol, respectivamente.

A atividade hepática da lactato desidrogenase (LDH) foi menor no grupo T100 comparado ao grupo T0. Os níveis de espécies reativas ao oxigênio (EROs) no fígado foram menores nos grupos T100, T200 e T300 comparado ao T0, assim como a peroxidação lipídica (LPO) foi menor no fígado dos peixes apenas do grupo T100. A atividade hepática da superóxido dismutase (SOD) foi maior no grupo T300 comparado ao T0, enquanto a atividade hepática da glutationa peroxidase (GPx) foi maior nos grupos T100, T200 e T300 comparado ao T0. Além disso, capacidade antioxidante total (ACAP) no fígado foi maior no grupo T100 comparado ao T0. Todos esses resultados mostram que a alimentação das carpas com 100 mg de timol/kg estimula o sistema antioxidante e consequentemente reduz a lipoperoxidação e níveis de radicais livres hepáticos, protegendo o fígado, um dos órgãos mais importantes relacionados ao sistema digestivo e interferindo assim diretamente no desenvolvimento dos peixes. A atividade hepática da adenilato kinase (AK) foi maior no grupo T100 comparado ao T0; mas a enzima piruvato quinase (PK) não diferiu entre grupos no fígado. Isso permite concluir que ocorre uma estimulação na síntese de ATP, molécula energética, envolvida em diferentes funções biológicas, entre elas no desempenho de animais.

 

Resumo dos principais resultados do trabalho com uso de 100 mg de timol/kg da ração na alimentação de carpas capim por 60 dias: 

  1. Aumento de 47,1% do peso corporal comparado ao controle.
  2. Estimula resposta antioxidante enzimática (SOD e GPx) e não-enzimática (ACAP) no fígado.
  3. Reduz atividade da LDH hepática.
  4. Reduz peroxidação lipídica e radicais livres no fígado.
  5. Estimula atividade da AK, enzima envolvida no metabolismo energético, isto é, síntese de ATP.

 

Considerações finais: 

Este estudo demonstrou que a suplementação dietética de timol (100 mg/kg de ração) foi capaz de melhorar o desempenho das carpas, sendo a dose recomendada de 68,4 mg/kg e 72,6 mg/kg de timol para peso corporal e ganho de peso, respectivamente. A suplementação dietética de timol (100 mg/kg de ração) foi capaz de melhorar o metabolismo energético hepático, enquanto que praticamente todas as concentrações testadas estimularam a resposta antioxidante hepática, que pode favorecer o aumento do desempenho e crescimento das carpas. No entanto, é importante notar que, de acordo com a análise estatística, doses ainda mais baixas de timol podem potencializar o desempenho da carpa.

 

Agradecimento: 

Agradecemos a Matheus D. Baldissera, Carine F. Souza e Bernardo Baldisserotto por terem contribuído para execução do projeto.

 

O trabalho foi defendido em: 20/05/2019

Faça o download e confira o texto completo com todas as ilustrações. Clique aqui

 

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