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Nitrogenados: explicando a confusão

Nitrogenados: explicando a confusão
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Nesta edição da coluna Green Technologies trazemos dois convidados especiais para falar de um tema extremamente importante nos cultivos intensivos: compostos nitrogenados e sua correta interpretação. Por diversas vezes ao explicarmos sobre os níveis de segurança dos compostos nitrogenados, escutamos produtores que dizem: “meu nitrito chegou a 30mg/L e meus camarões estão ótimos!” ou “meus animais só começaram a morrer com níveis de nitrito acima de 50mg/L. Eles são muito resistentes!”. São fatos que até poderiam estar corretos se fossem cultivos em salinidades bem elevadas. Mas na verdade o que muitas vezes ocorre é uma confusão na leitura e interpretação dos resultados.

 

 

Vamos explicar então a questão dos valores dos compostos nitrogenados de acordo com o teste/leitura das diferentes moléculas. Existem duas maneiras principais de descrever as concentrações de amônia, nitrito e nitrato na água:

  1. A partir da massa molecular do nitrogênio dessas moléculas, descrevendo apenas a massa do átomo de nitrogênio;
  2. A partir da massa da molécula inteira.

Vejamos um exemplo: a fórmula N-NO2 (nitrogênio-nitrito) indica apenas a massa do átomo de nitrogênio presente na molécula. Já a fórmula NO2 indica a massa da molécula inteira de nitrito. Dessa forma, o valor de nitrogênio-nitrito terá um valor sempre menor do que o valor do íon nitrito associado. Assim podemos observar diferentes formas de descrever esses compostos: N-NH3 e NH3 (para amônia não-ionizada); N-NH4 e NH4 (para amônia ionizada); N-NO2 e NO2 (para o nitrito); e N-NO3 e NO3 (para o nitrato). A conversão entre as duas formas é bastante simples e pode ser observada na tabela I. Os principais testes de detecção desses compostos são os colorimétricos (testes comuns de aquário), e os fotocolorimétricos (utilizam equipamentos que leem o comprimento de onda de cor). Geralmente os testes colorimétricos exibem no resultado as formas iônicas dos nitrogenados. Já os fotocolorímetros, no geral, quantificam as moléculas de nitrogênio ligadas ao composto em questão. Mas isso vai depender de cada marca/ equipamento utilizado.

E por que precisamos levar em consideração essa diferença de valores? É simples: uma interpretação errônea pode trazer consequências desastrosas. Um certo valor de nitrito interpretado de maneira equivocada pode estar sendo subestimado em até 3,28 vezes a menos! Por exemplo, em um cultivo de camarões marinhos da espécie Litopenaeus vannamei em salinidade 10, se o resultado para N-NO2 for 7,0 mg/L, você está dentro ou fora dos limites de segurança? 

O nível de segurança de nitrito para essa espécie em salinidade 10 é de 2,5 mg/L de N-NO2. No entanto, utilizando a tabela acima e convertendo para a molécula NO2, o nível de segurança passa a ser 8,2mg/L. Assim, você está fora dos limites de segurança, e medidas de manejo devem ser tomadas. Um olhar rápido e menos atencioso poderia supor que tudo está sob controle. Mero engano! Para evitar confusão, sempre verifique qual molécula o teste utilizado apresenta como resultado e tenha em mãos boas literaturas. Fazendo a conversão pode-se saber corretamente a concentração do composto nitrogenado e tomar as devidas medidas necessárias no seu cultivo. Ótimas despescas!

*Colaboração: Maria Angélica Reis e William Bauer (Kona Blue Aquacultura)

 

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