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Eles fazem a diferença – Jesus Malpartida Pasco

Eles fazem a diferença – Jesus Malpartida Pasco
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A seção “Eles fazem a diferença” desta edição presta uma justa homenagem a alguém que talvez ainda não seja muito reconhecido pelas pessoas que trabalham com a aquicultura em todo o Brasil, entretanto, trata-se de um dos profissionais mais competentes e dedicados que o País possui. Peruano de nascimento e brasileiro de coração, Jesus é um grande multiplicador de conhecimentos técnicos, especialmente na área de tilapicultura e carcinicultura marinha, focado aos sistemas intensivos em bioflocos.

“Quando fui escolher uma profissão defini que queria estudar algo que não fosse tão comum. Lá no Peru (meu país de nascimento) a pesca é uma atividade econômica muito significativa, porém as espécies aquáticas mais apreciadas pela tão reconhecida culinária peruana (por exemplo o linguado), eram escassas, sazonais ou inclusive restritas às classes sociais com maior poder econômico. Quando entendi que isto acontecia pela dificuldade e a baixa disponibilidade destas espécies, comecei a pesquisar a maneira de mudar este contexto e por isso orientei os meus estudos de biologia no Peru para a parte da produção aquícola. Porém encontrei bastante dificuldade para apoio à pesquisa, nas condições em que o país se encontrava naquela época (inícios dos anos 2000)”.

 

 

Do Peru para o Brasil 

“Logo que terminei minha graduação (fim de 2001), conversando com o meu professor da Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM), o Dr. Juan Enrique Vinatea Jaramillo, me candidatei a uma vaga no Programa de Mestrado em Aquicultura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assim, cheguei ao Brasil para complementar meus estudos e encontrei uma realidade completamente diferente. A produção aquícola brasileira era cada vez maior, tanto em piscicultura continental, carcinicultura e inclusive também na malacocultura. As universidades que trabalhavam com pesquisa possuíam uma estrutura e um staff de profissionais de alto nível. Dentro destes profissionais tive a grande sorte e o favor de Deus em colocar no meu caminho aquele que viria a ser meu grande amigo, mentor e exemplo de profissional, o Dr. Luís Alejandro Vinatea Arana. Uma vez finalizado meu mestrado me casei com Adriana, minha esposa, e cinco anos depois veio a Marina, a nossa lindíssima filha. Quando a Marina nasceu iniciei meus estudos de doutorado no meu segundo lar, a UFSC. Já no doutorado trabalhei com a tecnologia de bioflocos, com a produção intensiva de tilápia e com a busca do manejo energético mais eficiente, tudo para que a nossa pesquisa fosse útil para a produção para o produtor, para o técnico, para o Brasil e para o mundo”.

 

Especialista em sistemas intensivos 

“Na verdade, quando falamos em sistemas intensivos, como sempre ensinamos nos nossos cursos, a espécie é mais um fator de todo o sistema que trabalhamos. Pois o que cultivamos é a água, e a adequamos a certos requerimentos específicos para o tipo de espécie, o estágio de produção e a finalidade para a qual vamos usar o sistema. À época, iniciamos os cultivos com tilápia, dominando por completo os estágios e as produtividades. E continuamos com o cultivo de camarão marinho tanto na engorda como na produção de berçários intensivos. Com certeza estes cultivos conseguirão alavancar novamente a aquicultura brasileira e mundial, desde que bem orientados, projetados e manejados”.

 

Um pré-conceito que se tornou um grande combustível 

“Trabalhar no Brasil foi difícil ao início, pois como me disse um professor de faculdade: “-Se eu dou a oportunidade a você, teria que tirá-la de um brasileiro…” Isso me marcou muito! Embora naquela época eu ainda não fosse oficialmente brasileiro, já gostava do bordão: sou brasileiro e não desisto nunca. Não desisti e encontrei pessoas (produtores, empresários e outros técnicos) que atentavam mais para a competência, seriedade, compromisso e capacidade técnica do que para o lugar de nascimento do profissional. Contei essa história para muitos amigos e muitos deles criticaram a atitude do professor, e isso me fez ver que o pensamento das pessoas atualmente é mais integrador, mais humano, e isso já é um bom caminho para consertar o país e o mundo. Agora agradeço a todas as pessoas que sempre me brindaram com sua confiança e que reconhecem o esforço realizado ao longo destes mais de 15 anos de atividade profissional especializada na aquicultura”.

 

Principais projetos e conquistas 

“Produzir em fazendas com mancha branca, produzir camarão marinho em águas interiores, produzir com água de rio que ninguém botava fé, produzir em países que não conheciam o sistema BFT ou em lugares onde a estrutura montada já tinha sido abandonada por maus resultados, porém, com a nossa chegada como consultor externo conseguimos colocar um pouco de fé e muito pescado. Dar cursos no Brasil e em outros países da América Latina. Também, fazer um pós-doutorado com o Dr. Luís Vinatea na Espanha, trabalhando lado a lado junto com ele e alavancar o nome do Brasil e do Peru no velho continente. Um desafio muito grande foi montar a nossa empresa, a JMPaquaculture, já que marcava a ruptura da minha etapa de estudante. Tudo o que veio a partir desse dia é uma conquista, já que o fato de ter a empresa nos serve para poder participar em cursos, eventos e palestras no Brasil inteiro, onde só empresas podem participar. A JMP estará onde seja necessária”.

 

O motivo de maior orgulho 

“O que mais me deixa orgulhoso na minha trajetória é ser sincero. Sincero com os produtores, sincero com os alunos, sincero com as pessoas que me deram, me dão e me darão seu apoio e a sua confiança. Saber que a nossa bandeira é a sinceridade técnica atrelada a um grande conhecimento científico e de campo. O jogo aberto e o apoio às pessoas que buscam em nós um conselho profissional, e que respondem com um elogio, que respondem com um obrigado e que saem dos nossos cursos e consultorias nos recomendando, é o que nos deixa orgulhosos”.

 

Além de consultor, agora também produtor!

 “Justamente, mais do que uma produção própria, o nosso LabTA (Laboratório de Tecnologia Aquícola da JMPaquaculture), foi concebido para suprir dois objetivos. Primeiro comprovar para os investidores que conseguimos produzir tilápias em sistemas superintensivos (30-35kg/ m³) e produzir camarões marinhos em águas interiores (3-4 kg/m³), utilizando água do mar transportada, água salinizada e água corrigida via balanço iônico. Segundo para oferecer aos nossos parceiros, produtores e clientes a possibilidade de testar seus produtos (aeradores, alimentadores etc.) com um acompanhamento técnico especializado que com certeza oferecerá resultados que servirão para melhorar os produtos testados. Também com o LabTA os nossos clientes-produtores e alunos poderão contar com uma unidade demonstrativa do sistema em funcionamento que possa servir para aquela tomada final de decisão entre construir ou não o projeto aquícola”.

 

 

O que vem pela frente 

“Consolidar minha empresa e interagir com produtores responsáveis e a longo prazo. Consolidar parcerias a longo prazo com empresas que vendem produtos que sabemos que funcionam e muito bem, empresas que já são parceiras nossas e empresas que venhamos a conhecer, cujos produtos sejam diferenciados e que colaborem com o incremento da produção  aquícola. Aumentar a equipe de trabalho e que mais clientes possam usufruir do nosso manejo especializado e diferenciado, e isso se traduza em maiores lucros para os nossos clientes. Aumentar a nossa consultoria e assessoria on-line que é um dos nossos maiores orgulhos pois conseguimos utilizar a tecnologia dos meios digitais para trabalhar em qualquer canto do planeta. Também espero em breve concretizar a nossa fazenda própria, pois já tenho dois projetos que estão em execução e muito logo seremos produtores para valer, em maior escala! Finalmente, gostaria de trabalhar em uma universidade, como professor externo ou com uma ou duas disciplinas só, para poder manter minha “liberdade” de ir de país em país, de produtor em produtor, de cursos em cursos, aprendendo, ensinando, produzindo em conjunto”.

 

Onde o encontraremos daqui há 30 anos… 

“Se Deus me der vida ainda, gostaria de estar na minha fazenda com meus animais, cercado dos meus netos, minha filha, minha esposa e os meus amigos, produzindo de tudo, com uma fazenda autossustentável e podendo fazer trabalho social, podendo fazer com que muitas pessoas se beneficiem com o que nós produzimos. Me vejo feliz e tranquilo pela trajetória percorrida e me vejo comendo um delicioso ceviche de linguado produzido pela JMPaquaculture”.

 

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