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Notas sobre sistemas de recirculação nos centros de ensino e pesquisa

Notas sobre sistemas de recirculação nos centros de ensino e pesquisa
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Nas últimas décadas aumentou-se muito os estudos dos ambientes aquáticos e de seus organismos. Consequentemente, houve também, uma expansão do número de centros de pesquisa e dos cursos de formação relacionados nessa área. Muitos desses centros têm utilizado sistemas de recirculação de água (RAS) para fins didáticos e para desenvolvimento de estudos e ensaios. Atualmente, é relativamente comum, encontrarmos a descrição da utilização de algum tipo de RAS na metodologia dos artigos científicos. Com isso, nesta oportunidade, faço aqui algumas notas, à respeito do uso de RAS para essa finalidade.

Quanto ao ensino, a utilização de estruturas compactas permite a manutenção de peixes, anfíbios, crustáceos e outros organismos em diferentes estágios de desenvolvimento. Assim, os estudantes conseguem entender o seu comportamento, modo de vida e a interação com o ambiente ao redor.

Já para a utilização dos sistemas de pesquisa, tenho observado uma falta de padronização, o que dificulta o entendimento e reprodução das condições experimentais. Como boa parte dos artigos não são sobre RAS, os revisores também tendem a não dar muita atenção nesse tema. Listo aqui, três exemplos comuns e que podem ajudar na descrição das estruturas e também na interpretação dos leitores.

  • Bombeamento: Muitos artigos citam a potência do motor como referência, a capacidade ou fluxo da motobomba. No entanto, mais importante do que a potência do motor, é a informação da vazão utilizada nas unidades experimentais ou etapas de filtração. Sendo menos importante se a água foi transferida por uma motobomba magnética, centrífuga ou por air lift;
  • Filtro biológico: Tão importante quanto a descrição do tipo de mídia ou substrato utilizado, é descrever a quantidade do material utilizado e o método de contato com água (submerso, dry wet ou outros). Isso permite ao leitor estimar a superfície disponível para fixação das bactérias nitrificantes;
  • Desinfeção por UV-C: Independentemente do fabricante, a informação determinante para esses equipamentos é a dose utilizada. A eficiência de uma lâmpada de uma mesma potência varia de acordo com o fabricante e com a câmara de contato. É importante descrever o modelo do equipamento, mas também a dose de operação.

Quanto a otimização de recursos e espaços, nas universidades, apesar de ainda ser comum a individualização dos laboratórios experimentais e suas estruturas, penso que a tendência é, assim como ocorre com outros aparatos de grande porte e valor, o uso compartilhado dessas estruturas experimentais de RAS. Com isso, ao invés de cada laboratório precisar construir e manter o seu próprio sistema experimental, torna-se mais eficiente a construção de sistemas mais modernos e capazes de serem utilizados com diversas configurações de unidades experimentais. Hoje, um sistema que está sendo utilizado para nutrição de peixes de água doce, poderia ser utilizado para testar probióticos em pepinos do mar na semana seguinte. Se hoje, a tendência da economia compartilhada está em alta, por que também não compartilhamos os sistemas experimentais?

 

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