Principal Notícias Cultivo de Peixes Juan Esquivel Garcia: Uma perda irreparável para a Aquicultura Brasileira

Juan Esquivel Garcia: Uma perda irreparável para a Aquicultura Brasileira

Juan Esquivel Garcia: Uma perda irreparável para a Aquicultura Brasileira
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Não vou apresentar-lhe com títulos. Ele não lhes dava a mínima importância. Panamenho, aquicultor de raiz. Seu foco sempre foi o desenvolvimento do cultivo de espécies nativas. Sua igreja: a Piscicultura Panamá, um verdadeiro zoológico zootécnico. Cultivava tilápia, porque não tinha como ignorar seu mercado, tinha que tornar rentável uma estação de alevinagem de espécies nativas no Sul do Brasil, o que fez a vida toda com maestria, sem alardes, sem técnicas modernistas desnecessárias ou modismos de plantão.

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Cabeça dura e exímio observador. Papers? Isso era para os cientistas. “Eu lhes entrego os peixes e que botem meu nome”. “Os caras nem sabem o trabalho que dá criá-los”. “Falar é fácil, escrever também, o problema é manter-lhes vivos, tens que cuidar-lhes 24h por dia”. Um dos maiores conhecedores da reprodução de pintado e dourado das Américas, peixes que amava. Reclamava, mas não via a hora de chegar o verão para mexer com eles.

Defensor ardente de uma Latino América livre. Criou filhos e alunos. Centenas de estudantes do Brasil e do continente sul-americano passaram pela sua igreja, ensinando-lhes a desovar peixes nativos. Churrascos e despescas regados a cachaça, cerveja, amor e seriedade. Era um pai, mas não se brincava com ele. Não abria as porteiras da fazenda para qualquer um e abria o coração para todos os que queriam aprender. Nunca quis aparecer. Poeta aficionado, professor universitário, amava a cultura e a educação.

A aquicultura brasileira perdeu um excelente profissional!

Eu perdi um irmão!

 

por Rodolfo Petersen

Colunista da Aquaculture Brasil