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Entrevista: Rodrigo Zanolo

Entrevista: Rodrigo Zanolo
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Um dos médicos veterinários mais competentes da aquicultura brasileira e, em particular, um amigo de longa data. Entrevistamos o paranaense Rodrigo Zanolo, gerente de mercado da MSD Saúde Animal.

O médico veterinário, Rodrigo Zanolo, assim como muitos dos que já foram entrevistados aqui, não tinha ideia de que fosse entrar profissionalmente para a área da aquicultura. Porém, assim como os demais, Zanolo, junto com a empresa para qual trabalha, é um dos grandes nomes da aquicultura nacional, revolucionando a produção de tilápia com a introdução da primeira vacina para peixes, contra estreptococoses.

 

AQUACULTURE BRASIL: Como a Aquicultura entrou na vida do Médico Veterinário Rodrigo Zanolo?

Rodrigo Zanolo: Entrei na Medicina Veterinária em função do contato com os animais, tanto animais de companhia como cachorros e gatos, que sempre tive em minha residência, assim como equinos e bovinos do pequeno sítio de meu pai. Naturalmente, quando ingressei na Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Londrina (UEL) a aquicultura nunca passou pela minha cabeça como uma possibilidade de trabalho. Quando eu estava no quarto ano do curso, confesso, um pouco perdido, porque realmente não havia me encontrado em nenhuma das áreas, embora gostasse de tudo, mas não havia nenhuma área que eu realmente tivesse me apaixonado, um professor de fisiologia, Dr. Julio Hermann, o qual foi um dos primeiros professores a realizar um doutorado com a reversão sexual de tilápia na UNESP/Jaboticabal, me despertou a curiosidade para a aquicultura. Nós conversamos sobre pescarias, uma coisa que ele gostava bastante e eu também, e até marcamos uma pescaria juntos. E nisso ele falou “Rodrigo, por que você não trabalha com aquicultura, que pode ser uma atividade bastante interessante futuramente?”. Eu achei interessante e a partir daquele momento comecei a entrar no mundo da aquicultura. Fiz o meu trabalho de conclusão de curso na Universidade Estadual de Maringá, uma universidade que já tinha uma área de aquicultura bem desenvolvida e assim foi dado o pontapé inicial.

 

AQUACULTURE BRASIL: Quais foram as vantagens de você ter atuado na produção, antes de assumir na MSD?

Rodrigo Zanolo: Vivenciar a produção realmente é uma experiência única. É uma oportunidade que nós temos para entender a rotina do dia a dia de um piscicultor ou carcinicultor. Os desafios produtivos ali presentes, sejam eles associados a questões zootécnicas ou sanitárias. A oportunidade e a quantidade de informações que adquirimos na produção, nos possibilita ter uma visão muito mais macro e 360° de “approach” e de entrega de soluções a esse produtor rural quando estamos na indústria. Seja indústria de insumos veterinários, que é, por exemplo, o meu caso, mas que pode ser na indústria de insumos de nutrição, equipamentos entre outros. Ter vivenciado efetivamente e ter a oportunidade de enxergar com uma visão mais macro, resultou na entrega de soluções que nós acreditamos que melhor vão se encaixar ao produtor: essa é a grande vantagem!

 

AQUACULTURE BRASIL: Como foi sua contratação na MSD Saúde Animal?

Rodrigo Zanolo: A minha contratação se deu de uma forma bem interessante, porque na época, isso há 13 anos atrás, uma indústria farmacêutica veterinária desejava adentrar no mercado brasileiro, lançando uma linha inédita de produtos veterinários, cujo portfólio estaria orientado para a carcinicultura e piscicultura. Eu já tinha o mestrado na área de peixes, mas para me encaixar, faltava algo com camarões. Na época, essa empresa veterinária, que no caso era a MSD Saúde Animal, faria a contratação dentro de um ou dois anos. Dessa forma, me preparei estrategicamente para essa oportunidade e fui para Santa Catarina fazer estágio na fazenda Yakult, pertencente à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que era referência na área. Ali eu tive a oportunidade de me aprofundar na carcinicultura, vivenciar e trabalhar como um técnico na área, aprendendo muito com meus colegas de Santa Catarina, dentre eles o meu colega Giovanni Mello e outros colegas, como o médico Veterinário Albertino Zamparetti, da EPAGRI. Com isso, uma vez que eu tinha tanto a visão de piscicultura quanto da carcinicultura, além de ter estudado inglês, isso me proporcionou um diferencial competitivo para abraçar essa vaga. E para minha felicidade, fui contratado e atualmente sou gerente de mercado da MSD Saúde Animal.

 

AQUACULTURE BRASIL: Quais as principais inovações e soluções para a aquicultura brasileira que você ajudou a desenvolver no Brasil junto a MSD?

Rodrigo Zanolo: Sem dúvida nenhuma a inovação de maior relevância foi a primeira vacinação injetável comercial de peixes no Brasil. Eu brinco que “foi a primeira espetada, literalmente, em um peixe no Brasil”. O posicionamento das vacinas foi uma contribuição tecnológica que agregou muito ao nosso setor. Contribuiu de forma expressiva para a diminuição do uso de antibióticos, para incremento de produtividade e eficiência produtiva, bem estar animal e sustentabilidade dos projetos, fazendo o gerenciamento preventivo através de vacinação. Sem dúvidas a Aquavac Strep Sa, foi realmente um marco para a aquicultura brasileira, especificamente para produção intensiva de tilápias. O destaque principal é dos programas de vacinação, porém, não posso deixar de citar o posicionamento do primeiro antimicrobiano especificamente desenvolvido e focado em piscicultura, especificamente em tilápias, que trouxe informações técnicas relevantes, do ponto de vista de dosagens, do período de carência. Isso contribuiu muito para o gerenciamento das enfermidades e junto com esses dois produtos, a entrega de informações, de agregação de valor, de plataforma de sanidade, ou seja, serviços técnicos, plataformas de diagnóstico, capacitação técnica de produtores, palestras técnicas. Tudo isso contribuiu significativamente e são também pontos muito relevantes. Mas a vacinação de fato, foi o grande avanço, e hoje temos praticamente 50% do plantel brasileiro de tilápias imunizado.

 

AQUACULTURE BRASIL: O quanto o Brasil ainda está distante da piscicultura do Chile, em termos de tecnologias voltadas à sanidade? Onde estão nossas principais carências e dificuldades?

Rodrigo Zanolo: Do ponto de vista sanitário, acredito que existam três pilares principais. O primeiro é a biosseguridade. Estamos começando a dar uma importância maior a biosseguridade como um todo. O segundo ponto é a compartimentalização ou a setorização, ou seja, muitas vezes você chega nas fazendas e encontra a alevinagem, a engorda e a recria todos em uma mesma área. Do ponto de vista epidemiológico isso é péssimo, porque a doença vai sendo transferida de tanque para tanque e vai passando de uma fase do animal para outras fases. Temos evoluído bastante e rapidamente nesse sentido, já temos quem é especializado em produzir alevinos, outros que fazem a produção de juvenis e outros que tem o papel de engorda e terminação da tilápia. Talvez estejamos quatro ou cinco anos atrás nesse quesito quando comparado a salmonicultura do Chile. Por último, o terceiro pilar consiste nos programas de prevenção, que são os portfólios de vacinas. Estamos também distantes da salmonicultura, mas acredito que dentro de quatro ou cinco anos nós teremos vacinas combinadas e multivalentes. Dentro de dois a três anos, teremos o lançamento de vacinas bi e tetravalentes para tilápias, vacinas combinadas de diferentes enfermidades dentro de uma mesma vacina. Para o salmão já existem vacinas heptavalentes. A MSD por exemplo, possui uma vacina na Noruega, que é a Aquavac PD7, com sete diferentes enfermidades, que fez este país produzir aproximadamente 1,2 milhões de toneladas com uma quantidade mínima de antibióticos. Esse fato trouxe uma sustentabilidade e um posicionamento incrível para o país. No Chile não é diferente, são mais de 50 diferentes vacinas e combinações de vacinas disponíveis para atender as necessidades diversas dessa indústria. Esses são os três pilares principais. No quesito biosseguridade estamos bem distantes desses países, enquanto que a setorização/compartimentalização e o portfólio preventivo de vacinas, estamos um pouco mais próximos.

 

 

AQUACULTURE BRASIL: Há 15 anos atrás se produzia mais camarões marinhos do que peixes de água doce no Brasil. Hoje, o volume da piscicultura é 10 vezes maior do que o da carcinicultura. Onde a cadeia produtiva da piscicultura acertou e qual foi o principal entrave do cultivo de camarões marinhos?

Rodrigo Zanolo: Em relação a esse fato, eu destaco dois pontos. Certamente existem vários outros a serem ponderados, mas na produção de peixes o primeiro ponto que eu destaco o crescimento da produção, sem dúvida nenhuma, foi pela produção de tilápia em tanques-rede. Esse foi um marco muito importante da expansão da piscicultura, um crescimento altamente agressivo pela liberação de áreas em águas da União, aliada a possibilidade de implementação rápida de projetos, instalação de gaiolas na água. Este modelo de piscicultura consiste em um sistema superintensivo que qualquer médio ou até mesmo pequeno produtor, produz em tanques-rede um volume bem significativo com poucas gaiolas na água. Acredito que esse foi o marco principal da piscicultura no Brasil. Associado a isso, um pacote tecnológico bastante claro. Hoje conhecemos muito sobre nutrição, genética, manejo e sanidade. Esses pacotes conferem muita segurança para esse crescimento sustentável da produção de peixes, em especial da tilápia. No caso dos peixes nativos, o tambaqui é um peixe fantástico também, que a tecnologia foi dominada e proporcionou um crescimento bastante interessante em termos de produção. Por ser um animal bastante rústico, com certa facilidade de produção em águas verdes e que acabou aproveitando uma oportunidade de mercado, onde o tambaqui de extrativismo já não era suficiente para abastecer a população, a aquicultura aproveitou essa oportunidade de mercado interno, favorecendo também a produção de tambaqui em fazendas. Quanto ao camarão, não porque sou médico veterinário, mas sabemos que as questões sanitárias tiveram impacto extremamente forte para o setor. Posso citar Santa Catarina, que vivenciei como técnico, na própria pele, as doenças virais impactando fortemente o setor. Acabou sendo uma atividade de maior risco, com oscilações de produtividade, que traz uma certa insegurança ao produtor. Acredito que a questão sanitária foi uma barreira muito grande para um crescimento sustentável cada vez maior do camarão. Claro que existem questões mercadológicas, algumas questões ambientais envolvidas, mas particularmente eu destacaria esses itens na minha visão.

 

AQUACULTURE BRASIL: O Brasil será o país da tilápia, assim como o Equador é o País do camarão?

Rodrigo Zanolo: Com certeza. Dentro das devidas proporções, não temos como comparar o Brasil com a China, Indonésia e Egito, por exemplo, que são hoje os maiores produtores globais. Porém, o Brasil será sim o país da tilápia. Isso porque, a entrada para esse mercado das duas cooperativas de referência ao país, do oeste do Paraná, que já trabalhavam com avicultura e suinocultura em sistema de integração, tem sido um marco substancial para a produção nacional. Empresas de capital multinacional, tendo o Brasil como radar, tanto em áreas de genética, como empresas de engorda e processamento de tilápia, e empresas de capital nacional também com crescimento bastante agressivo. Assim como somos um país tradicionalmente produtor de aves e suínos, o peixe, com destaque para a tilápia, caminha na mesma direção. Os pacotes tecnológicos que estão chegando proporcionarão aos investidores mais segurança para se investir cada vez mais nesse segmento. E sim, temos condições ambientais e temos muita água, fronteiras aquícolas, uma vez que a matriz energética brasileira é formada por hidroelétricas. Temos mais de 5 milhões de hectares de lâmina d´água, a expansão e legalização da tilápia em áreas emergentes, como Tocantins e Mato Grosso, tudo isso irá contribuir. É verdade que já somos reconhecidamente o país da tilápia, como o quarto maior produtor, mas com certeza iremos nos tornar ainda maiores e referências no mercado da tilápia mundial.

 

AQUACULTURE BRASIL: Quais soluções a MSD poderia elucidar para o tratamento ou convivência com o vírus da síndrome da mancha branca?

Rodrigo Zanolo: A MSD é uma empresa com soluções e tecnologias principalmente para a piscicultura. Tínhamos projetos de pesquisa focados em peixes marinhos, como barramundi, seriolas, atuns, pargos, entre outros. Entretanto, chegou num momento que tivemos que tomar uma decisão, porque são muitas as espécies que são produzidas mundialmente. Como posicionamento estratégico da empresa, atualmente somos uma companhia orientada no desenvolvimento de tecnologia para duas espécies: salmão e tilápia. Nesse momento, o foco da companhia é ser líder e referência na entrega de tecnologia para essas duas espécies. E somos líderes mundiais nesses dois segmentos. São duas espécies de produção global, de exportação e importação entre diferentes países, portanto não temos um foco em P&D sobre camarões marinhos, mas acreditamos bastante no potencial desse mercado. Sabemos também da complexidade que é o desenvolvimento de soluções para crustáceos, um animal que tem particularidades em relação ao sistema imunológico, em relação às questões fisiológicas, que acabam dificultando o desenvolvimento de novas tecnologias. Contudo, o camarão marinho está no radar da MSD e acredito que em breve teremos novidades e alguma notícia mais relevante na área de gestão sanitária para Litopenaeus vannamei.

 

AQUACULTURE BRASIL: Você acredita mais na diversificação da aquicultura brasileira do ponto de vista da utilização de várias espécies, ou o foco em poucas espécies, bem desenvolvidas e com pacote tecnológico de ponta?

Rodrigo Zanolo: Particularmente acredito que não devemos diversificar a quantidade de animais. Acredito em uma aquicultura de poucas espécies, com pacote tecnológico muito bem definido e de ponta. Ou seja, temos que colocar na mesa da família brasileira um produto de baixo custo e competitivo frente a outras proteínas. Acredito muito nesse posicionamento para que nossa aquicultura realmente chegue a patamar de grandes volumes, para que sejamos grandes exportadores, assim como é a indústria de aves e suínos, e mais do que isso, que tenhamos capacidade de produzir em larga escala, com redução de custo e ao mesmo tempo produzindo peixes de forma sustentável, proporcionando o bem estar animal, reduzindo os antimicrobianos etc. E isso se faz com pacotes tecnológicos em genética, em nutrição, em saúde animal, e essa combinação traz uma produção, mesmo em grandes volumes, de forma responsável. A diversificação da piscicultura será para pequenos produtores ou para nichos de mercado específicos, como por exemplo os produtores de trutas em regiões serranas, de carpas, produtores de peixes para comercialização em feiras, para pesca esportiva entre outros. Porém, a aquicultura com a missão de colocar proteína no mercado, com uma população que cresce a cada dia, sem dúvida que o foco está em poucas espécies com pacote tecnológico bem definido.

 

AQUACULTURE BRASIL: Em suas viagens internacionais a trabalho, o que mais lhe chamou a atenção da aquicultura de outros países, e que poderia servir de modelo para o Brasil?

Rodrigo Zanolo: Todas as minhas viagens internacionais se deram exclusivamente com foco em visitação de produção de peixes, particularmente em tilápias. Tudo o que eu vi de produção de tilápia, nada me chamou muito a atenção. Por isso mesmo acho que o Brasil é referência em manejo, apesar de ter muito que evoluir, conforme comentei sobre aqueles três pilares. O Brasil é hoje referência em produção de tilápia. Nossos produtores absorvem a tecnologia. Nós temos tecnologia de produção de tilápia em tanques escavados com alta eficiência, muito bem organizado, temos ótimos profissionais, ótima qualidade em relação a genética, bom estado sanitário e de forma geral, o Brasil hoje é referência em produção de tilápia. Não vejo um modelo produtivo que realmente me chamasse a atenção na América Central por exemplo, ou em países da Ásia, como Tailândia, Indonésia… na tilápia, hoje nós estamos muito bem! A não ser, as gaiolas de grande volume, que sempre me chamaram muita atenção. Projetos que fazem 30 mil toneladas e tenham despesca de 80 toneladas/dia de tilápia. As gaiolas de grande volume nos trazem uma possibilidade muito interessante de produção em grandes volumes e isso poderia ser cada vez mais utilizado aqui no Brasil. Seria esta, portanto, a única consideração.

 

AQUACULTURE BRASIL: Um recado para os estudantes da área de aquicultura no Brasil…

Rodrigo Zanolo: Vou deixar um recado da área comercial. Quando se é técnico ou estudante, muitas vezes se está sempre olhando para a possibilidade de trabalhar como técnicos, como gerentes de produção, como consultores e ter a possibilidade de trabalhar efetivamente com os animais, gerenciando fazendas e colaborando com a produção propriamente dita. Mas meu recado aqui é para que os estudantes abrissem os olhos para as oportunidades de trabalho na área da aquicultura, relacionadas ao setor comercial, como vendas de insumos por exemplo, ração, medicamentos, equipamentos, entre outros. O nosso trabalho comercial em aquicultura é um trabalho bastante técnico, em que existe a possibilidade de entrega de soluções para o piscicultor ou carcinicultor e contribuir significativamente para que esse consiga atingir níveis de produtividade maiores. E essa é uma área que emprega muito bem. É importante que esses profissionais se preparem com gestão de pessoas, com cursos de oratória, na área de comunicação, a fim de se preparar e ver o mercado comercial como uma ótima oportunidade de trabalho também.

 

AQUACULTURE BRASIL: Para finalizar, o que você diria para um grupo de empresários que pretende investir na aquicultura no Brasil?

Rodrigo Zanolo: Para os empresários que pretendem entrar no mercado de aquicultura, eu diria que nós estamos no momento certo e no local ideal para investir. Esse é o momento de se investir na aquicultura brasileira! O mercado está cada vez mais organizado, nossas associações estão cada vez mais preparadas para romper alguns marcos regulatórios, de legalização ambiental. Temos pacote tecnológico definido para algumas espécies, em particular para tilápia. E temos um mercado muito interessante para explorar, tanto interno quanto externo com a tilápia. Além, obviamente, do camarão marinho, um produto de altíssimo valor agregado, que se um grupo tiver poder de investimento, com as tecnologias hoje de modelos fechados e mais biosseguros, de altíssima produtividade, existem ótimas oportunidades e possibilidades de retorno sobre o investimento. Como exemplo, vemos os diferentes grupos e cooperativas, que quando fazem um trabalho profissional tem se destacado e crescido financeiramente, com rentabilidades muito interessantes.

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