Principal Colunas O que se produz da rã? – Parte II (Produtos não comestíveis)
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O que se produz da rã? – Parte II (Produtos não comestíveis)

O que se produz da rã? – Parte II (Produtos não comestíveis)
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Dando continuidade à coluna “O que se produz da rã? (Parte I)”, publicada na edição anterior, quando foram descritos os principais produtos comestíveis da rã, passaremos, neste momento, a tratar daqueles que não são utilizados na alimentação (principalmente humana), sendo comercializados de outras formas.

Talvez um dos produtos não comestíveis da rã mais conhecidos seja a sua pele, que dá origem ao couro. Este produto é descrito como sendo extremamente macio, maleável e propício aos mesmos usos relacionados aos couros de outros animais de abate, sendo mais indicado aos climas tropicais, quando aplicado ao vestuário. De maneira geral, por ser pequeno, quando se pensa numa única pele animal, sempre foi muito utilizado em artesanato ou em detalhes de roupas, colares, brincos, entre outros (Figura 1). No início dos anos 2000, surgiu no mercado nacional um produto denominado de “manta de pele de rã”, que caracterizava-se por ser uma manta composta por vários couros soldados, possuindo 1 m de comprimento por 0,70 m de largura, possibilitando, assim, a confecção de peças inteiras, como casacos, calças, bolsas, botas e afins.

A carne da rã, conforme descrição da coluna anterior, possui baixo índice de lipídeos, pois sua gordura fica armazenada num órgão específico denominado de “corpo adiposo”. Esse órgão, ao ser removido integralmente no abate, pode ser transformado num óleo, comumente utilizado na formulação de cremes, condicionadores e “shampoos”.

O fígado pode dar origem a um patê, encontrado em alguns restaurantes especializados. No entanto, sua produção é totalmente artesanal, uma vez que não existem normas e padrões estabelecidos em legislação para a sua produção em escala comercial. É importante frisar que incluímos o fígado na categoria de não comestíveis, uma vez que não existem regulamentos que confiram segurança para o seu consumo. Juntamente com outras vísceras, como ovários, ovidutos, rins, baço, pulmões, coração e demais órgãos, podem ser triturados e utilizados na fabricação da farinha de vísceras de rã, nutricionalmente interessante para fábricas de rações para animais.

Há um conceito, historicamente disseminado em publicações nacionais, que diz que da rã se aproveita até o coaxar, entretanto, na prática, não é o que se vê. Vários autores já descreveram que boa parte da lucratividade advinda do abate da rã é desperdiçada pela escassez ou pela não utilização dos produtos não comestíveis da rã, que representam cerca de 50% do peso de um animal pronto para o abate, hoje entre 250 e 300g. Na maioria dos casos, isso não ocorre devido à escala, que é muito pequena para que um desses produtos seja interessante para uma fábrica transformadora, como a de rações, por exemplo.

Saudações ranícolas!

 

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