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Curso sobre carcinicultura marinha realizado na UDESC/Laguna

Curso sobre carcinicultura marinha realizado na UDESC/Laguna
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Evento reuniu mais de 150 participantes de vários estados do Brasil

Nos dias 20 e 21 de agosto de 2019, a UDESC – Campus de Laguna, através do Grupo de Interesse em Carcinicultura da UDESC, em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI) e Associação Catarinense dos Criadores de Camarão (ACCC), realizaram o curso “Criação de Camarões Marinhos em Santa Catarina”.

Durante dois dias, os maiores especialistas do Brasil na temática ministraram 12 palestras para produtores e funcionários das fazendas de carcinicultura catarinenses. Produtores do Rio Grande do Sul e Paraná também estiveram presentes. O evento também reuniu alunos de graduação e pós-graduação, da UDESC, UFSC, IFC-Itajaí, entre outras instituições de ensino, pesquisa e extensão. O encontro foi gratuito e realizado no auditório do bloco II do Centro de Educação Superior da Região Sul (CERES) da UDESC/Laguna.

Segundo o professor Giovanni Lemos de Mello, da UDESC, um dos idealizadores do evento, “os objetivos do encontro foram atingidos, pois a maioria dos produtores de camarão do Sul do Brasil estiveram presentes. Além disso, o curso possibilitou um estreitamento entre as instituições de ensino e pesquisa presentes, ou seja, diversos trabalhos em conjunto, em prol da criação de camarões marinhos do Sul do Brasil, deverão ser realizados daqui para frente. Foi dado o pontapé inicial”, afirma Mello.

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A região de Laguna teve destaque no cenário nacional na produção de camarões marinhos, entre os anos de 1998 a 2004. A partir de então, uma doença viral, conhecida como Síndrome da Mancha Branca dizimou a produção local e, posteriormente, alastrou-se por todo o País, atingindo o Estado do Ceará, maior produtor nacional, em 2016.

Na época, a maioria dos produtores catarinenses não teve fôlego para continuar na produção. Outro ponto é que as tecnologias de produção biosseguras ainda não eram tão disseminadas no Brasil. Hoje a realidade é outra. Diversos países que já enfrentaram a doença e também a região nordeste do Brasil estão conseguindo avanços significativos no combate às enfermidades. Estes novos modelos, hoje, servem de exemplo e inspiração para as fazendas catarinenses.

Neste sentido, muitas novidades foram apresentadas durante o encontro em Laguna. Novos layouts de fazendas, como a utilização de berçários, sistemas intensivos, sistemas de aeração mais eficientes para cada fase de cultivo, uso de aditivos etc, foram apresentados para o público presente.

Entretanto, é preciso muita cautela. O Médico Veterinário da Epagri, Luiz Rodrigo Mota Vicente, apresentou os dados de produção do estado do último ano, aonde foram produzidas 310,4 toneladas de camarões marinhos, ou seja, 7,4 % do volume produzido em 2004, quando produziu-se 4.183 toneladas, auge da produção.  Entretanto,  se observarmos os dados de produção da safra 2017/2018, um salto considerável de 12,2 %, uma vez foram despescados 272,4 toneladas.

Segundo Vicente, a  retomada sustentável e responsável da atividade passa por novos “Modelos de Produção”, como sistemas bifásicos e trifásicos, utilizando-se estufas em uma fase de criação, minimizando o tempo de exposição do camarão em cultivo no ambiente aberto (viveiros), uma vez que o vírus está presente no ambiente e em mudanças ambientais bruscas são “gatilhos” para a manifestação da doença. Vicente finaliza enfatizando que deveremos “Entender o passado para minimizar riscos no presente e poder consolidar a atividade no futuro”!