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Ingredientes complementares vs ingredientes alternativos?

Ingredientes complementares vs ingredientes alternativos?
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No mundo da nutrição aquícola existem alguns conceitos em relação às formulações. Geralmente, as formulações buscam identificar diferentes maneiras de combinar uma variedade de ingredientes com o intuito de atender as demandas e exigências nutricionais das espécies e assim promover crescimento, saúde e bem-estar das mesmas. Muitas vezes, no setor acadêmico, as formulações são desenvolvidas em função de um objetivo científico em que um ingrediente, geralmente classificado como alternativo, é adicionado em níveis crescentes na dieta substituindo um ingrediente chave como, por exemplo, a farinha e/ou o óleo de peixe. Já na indústria, as dietas são formuladas a partir de uma série de ingredientes complementares que irão atender as demandas e exigências nutricionais da espécie em questão e também assegurarão a viabilidade econômica das dietas.

O intuito dessa última coluna é ressaltar essa diferença existente entre o setor acadêmico e a indústria e ao mesmo tempo promover o uso do conceito de formulação em relação a ingredientes complementares ao invés de ingredientes alternativos.

 

 

Um dos maiores objetivos da pesquisa científica é produzir conhecimento e propriedade intelectual que sejam aplicados na indústria, promovendo um desenvolvimento sustentado por bases precisas. Infelizmente, essa não é a realidade de muitas frentes de pesquisas. O fato da maioria das pesquisas em nutrição aquícola estar baseada na identificação e/ou desenvolvimento de ingredientes alternativos não necessariamente assegura que os resultados serão aplicados dessa maneira na indústria. Isso se deve ao fato mencionado anteriormente de que a indústria de alimentos aquícolas não utiliza apenas um ingrediente alternativo e sim uma variedade de ingredientes complementares. Dessa forma, o foco em ingredientes alternativos não é ideal para a realidade da indústria de alimentos aquícolas, sendo que muitos trabalhos publicados não são diretamente aplicados pelo setor produtivo. Essa falta de sintonia entre os setores científico e produtivo não é ideal. Não estou dizendo que pesquisas buscando identificar ingredientes alternativos sejam irrelevantes, estou sugerindo que essa maneira não é ideal frente à realidade da indústria. Toda pesquisa tem sua importância, porém nem toda pesquisa tem sua aplicação. Na indústria do salmão, bastante madura, temos um exemplo de uma maior sintonia entre pesquisas e aplicação de resultados. É natural notar a transição
do conceito de ingredientes alternativos para ingredientes complementares e atualmente essa é uma forte tendência nas espécies chaves criadas mundialmente. Um artigo bastante interessante sobre esse tópico foi publicado recentemente por grandes amigos e mundialmente
reconhecidos nutricionistas aquícolas, Turchini et al., 2018* , cuja leitura recomendo. Por fim, cada vez mais veremos pesquisas e trabalhos publicados envolvendo o conceito de ingredientes complementares.

Espero que essa última nota de 2018 seja útil para abrir nossos olhos para as novas tendências no mundo da nutrição aquícola e que motive toda a nova geração a considerar essa linha de pensamento.

* Turchini, GM et al. 2018. Thoughts for the future of aquaculture nutrition: realigning perspectives to reflect contemporary issues related to judicious use of marine resources in aquafeeds. North American Journal of Aquaculture.

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