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Pesquisadoras da Ufopa descobrem tanques de piscicultura na Amazônia pré-colonial

Pesquisadoras da Ufopa descobrem tanques de piscicultura na Amazônia pré-colonial
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Arqueólogos de quatro países, Alemanha, França, Bolívia e Brasil, identificaram resquícios de uma grande rede de drenagem. Era usada para a criação de peixes pela população indígena que habitou uma área da Amazônia por quase 1000 anos, no período de 500 a 1.400 d.C. A área fica no meio da savana Llanos de Mojos, na porção amazônica da Bolívia.

Participaram as arqueólogas Gabriela Prestes Carneiro e Myrtle Pearl Shock, professoras do curso de Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) em Santarém.

Segundo a pesquisa, a rede poderia ter a função de fornecer água e alimento, através da drenagem da água da chuva, durante o ano inteiro, sendo que a região passa oito meses no período da seca e fica muito longe de fontes de água corrente. O rio mais próximo passa a 20 km e o lago, a 7 km de distância.

A rede recém-descoberta é formada por canais com 2 km de extensão e poços artificiais de 30 metros de diâmetro, 2,5 metros de profundidade e capacidade de armazenar 1.410 metros cúbicos de água.

Pelos estudos, os indígenas eram sedentários e criaram os poços com multifunções, como criatório de peixes, fornecimento de água e para cultivo de alimentos.

A pesquisa, ainda, traz uma lista de peixes consumidos por populações pré-coloniais, com mais de 35 espécies identificadas. Sendo as principais: muçum, tamoatá, piramboia, traíra e acari.

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Eles conseguiram identificar diferenças entre as ossadas de peixes encontrados no local com a coleção científica, percebendo que se tratava de peixes com adaptações fisiológicas para resistir a águas extremamente rasas e com baixo oxigênio.

Esse tipo de construção encontrado, em plataformas, é bastante comum em toda a Amazônia, mas são pouco estudados. Outros exemplos de tanques pré-coloniais na Amazônia já foram documentados na Venezuela e arquipélago do Marajó, no Nordeste paraense e também no Oeste do Pará.

Nos municípios de Santarém e Belterra, pesquisadores encontraram indícios de poços de grande porte, com tamanhos que variam de 5 metros a impressionantes 50 metros de diâmetro.

Fonte: G1