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RAS Outdoor

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Seja água doce ou salgada, esta é uma tendência sem volta na aquicultura brasileira. Com um detalhe: colocando de vez a proteína aquática como a forma mais eficiente e sustentável de se produzir alimentos. Produção sustentável em baixas densidades? Não! Trata-se de criações intensivas e super intensivas.

Diferente dos sistemas de recirculação indoor onde necessariamente se trabalha com uma estrutura de biofiltragem (filtro biológico composto por mídias para fixação das bactérias nitrificantes), a recirculação outdoor dispensa o uso de tais mídias. Os flocos de microrganismos que naturalmente se formam são suficientes para a fixação das bactérias nitrificantes.

A proposta do tal sistema, em poucas palavras, é explorar ao máximo o recurso hídrico sem descartá-lo ao meio ambiente. A água utilizada num viveiro de produção vai para lagoas de decantação ou canais de drenagem onde, após ser tratada com aeração e probióticos, volta para os viveiros de produção. Sabe aquele nitrogênio amoniacal que todo produtor quer se ver livre? Pois então, custou caro (ração) para ser adicionado ao sistema. Se proporcionamos algumas condições mínimas, o próprio ambiente transforma-o em nitrito e depois em nitrato, sendo este último pouco tóxico para os peixes e camarões.

Além de pouco tóxico, o nitrato é a base para uma produtividade primária eficiente, passando de nutriente para alimento natural. Ganha-se ainda uma água com outras características químicas desejáveis, especialmente no que tange a alcalinidade e dureza, proporcionando um ambiente de produção com maior poder tamponante.

Ah, legal! Algo futurista! Muito interessante quando isto for realidade na nossa aquicultura … Não é futurista não, já é realidade em nossa atividade. Algumas produções na água doce, outras em água salgada, uns mais tecnificados, outros mais simples, mas já temos vários exemplos de como isto é possível. Na prática, diferem entre si. Mas o princípio é o mesmo.

O camarão marinho é o campeão de eficiência produtiva e formas diferentes do conceito RAS outdoor. Tem produções com captação de água oceânica, água de mangue, do subsolo junto ao litoral, do subsolo no interior e até água doce salinizada conforme o balanço iônico que a espécie demanda. Todos sem descarte de água! Na piscicultura de água doce o movimento ainda é tímido, mas já estão entendendo a mensagem que aquilo que outrora fora um problema (nitrogênio amoniacal), hoje é a solução.

A tilapicultura em tanques escavados no Oeste do Paraná é o exemplo mais clássico em água doce. A produção de tambaquis no norte do pais, onde se preconiza o uso da água de um viveiro para outro, vem logo atrás. São sistemas diferentes de produção, mas com os mesmos princípios. No caso da produção de tambaquis o movimento que se observa para o aumento da produção ainda é o de abrir mais viveiros, enquanto que, aparentemente, o mais lógico seria intensificar a produção por meio do uso de aeradores e probióticos. Até porque o tambaqui responde bem ao consumo de alimento natural.

Não existe uma regra para se praticar o RAS outdoor. Existe um conceito, muito simples por sinal. Dois fatores são imprescindíveis para tal proposta: oxigênio e bactérias nitrificantes. Oxigênio para os peixes e camarões? NÃO! Oxigênio para as bactérias benéficas. Atendendo as necessidades em oxigênio delas, certamente os animais de produção também terão suas necessidades atendidas. É relativamente simples trabalhar em harmonia com um sistema aquático de produção: na presença de oxigênio e bactérias nitrificantes, tudo entra em um círculo vicioso positivo. Na ausência destes, o círculo vicioso é negativo.

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