Principal Colunas Ingredientes geneticamente modificados: a favor ou contra a tendência dos alimentos aquícolas?

Ingredientes geneticamente modificados: a favor ou contra a tendência dos alimentos aquícolas?

Ingredientes geneticamente modificados: a favor ou contra a tendência dos alimentos aquícolas?
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O avanço na tecnologia genética já é realidade em alguns setores aquícolas e no geral pode-se dizer que contribui para a expansão da atividade. Claro que esse tópico é bastante controverso, porém nesse artigo não entrarei nesses méritos. Em termos de nutrição, o desenvolvimento de ingredientes geneticamente modificados busca solucionar a dependência de ingredientes de origem marinha como a farinha e o óleo de peixe.

Alguns exemplos são:

  1. Fontes proteicas vegetais com melhores perfis de aminoácidos e menores fatores antinutricionais;
  2. Óleos vegetais com diferentes perfis de ácidos graxos e ricos em ácidos graxos chaves como DHA e EPA;
  3. Farinhas ou óleos de algas ricas em nutrientes chaves.

Existem inúmeros trabalhos publicados sobre ingredientes geneticamente modificados, inclusive em várias espécies de peixes, e no geral os resultados são promissores. Alguns desses ingredientes ainda estão em estágios de experimentação e validação, enquanto outros já são bastante utilizados nas dietas comerciais. A soja é um grande exemplo de um ingrediente geneticamente modificado e esse fato, na maioria das vezes, passa despercebido. Ou seja, não existe uma cautela sobre o uso de soja em dietas aquícolas pelo fato de ser geneticamente modificada. Porém, isso não ocorre com outros ingredientes, principalmente os mais recentes. Algo interessante, pois o foco está em alguns produtos que contêm nutrientes chaves como é o caso dos óleos vegetais e dos derivados de algas ou farinha de alga ricas em DHA e EPA.

Gostaria de ressaltar que existe também uma nova vertente de dietas livres de qualquer ingrediente geneticamente modificado. Algumas empresas já mercado promissor e em expansão. Agora vem a grande pergunta: será que estamos indo na direção correta buscando ingredientes “otimizados” para dietas aquícolas através da engenharia genética? Será que, quando chegarmos no ingrediente ideal, esse será utilizado nas dietas? Vale a pena a reflexão, pois é crescente o interesse em saber a origem dos ingredientes utilizados nos produtos que iremos consumir. Assim, num futuro próximo, pode ocorrer uma grande mudança de rumo em relação à demanda de produtos/ingredientes que não usam ou foram alimentados com ingredientes geneticamente modificados. Em outras palavras, crescerá a demanda por ingredientes que não são geneticamente modificados e também por peixes que não foram alimentados com esses ingredientes. Na verdade, acredito que haverá uma distinção de produtos, ou seja, existirão os produtos que são alimentados com ingredientes geneticamente modificados e outros que não. Esses últimos consistirão em um produto com um valor agregado maior, fato que pode ser interessante para o produtor.

O intuito dessa coluna foi trazer um tema atual que estará em debate nos próximos anos e quem sabe moldará parte do futuro da nutrição aquícola.

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