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Utilização de Probióticos em Aquicultura

Utilização de Probióticos em Aquicultura
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Relatório da FAO de outubro de 2016 estima que o Brasil terá um crescimento de 104% na produção de pesca e aquicultura até 2025. Ainda segundo o estudo, o aumento na produção brasileira será o maior registrado na região na próxima década. O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic comentou: “A FAO acompanha de perto o crescimento do setor pesqueiro no Brasil. As políticas públicas criadas especificamente para o setor e os investimentos privados comprovam que o país pode ser também uma potência importante na pesca e aquicultura. Sabemos que a demanda por esses produtos tende a crescer e por isso é necessário que os países invistam cada vez mais nessa área como vem ocorrendo no Brasil”.

Os custos, a cada dia mais elevados da atividade aquícola, fazem com que os produtores estejam cada vez mais focados na eficiência produtiva, pois, trata-se de um empreendimento que possibilita gerar rendas significativas na propriedade desde que bem gerido, tendo em vista as margens a cada dia mais estreitas da atividade.

Na aquicultura para que uma produção seja considerada sustentável é necessário admitir que a natureza é finita, evitando-se assim sua utilização desordenada. Esta é uma preocupação constante dos órgãos ambientais e também das empresas idôneas que estão constantemente investindo em novas pequisas para o crescimento e desenvolvimento da atividade.

Com o aumento da demanda de proteína de peixe, devido ao crescimento constante do consumo, tem se intensificado a produção aquícola em todo o País. Com isso observamos cada vez mais a presença de doenças indesejáveis nos mais diversos meios de cultivo, o que acarreta em prejuízos significativos para os produtores. O uso de antibióticos é uma prática utilizada para combater as enfermidades, porém, sua utilização tem enfrentado sérias resistências devido aos riscos do surgimento de bactérias resistentes aos diversos antimicrobianos, o que tem gerado grandes preocupações e debates junto a órgãos como OMS, FAO e grupos consumidores.

Na piscicultura é importante manter atenção especial no ambiente em que os peixes se desenvolvem, tanto nos aspectos quantitativos como qualitativos, uma vez que o desenvolvimento destes animais pode ser comprometido com a falta de qualidade deste meio. Os peixes são sensíveis as adversidades, tanto do meio, como do alimento a eles fornecidos.

Em busca da eficiência dos diversos cultivos, principalmente no que diz respeito ao aumento dos índices zootécnicos como: imunidade, eficiência da conversão alimentar, viabilidade, ganho de peso, além do tratamento da matéria orgânica presente na coluna d’água e no solo dos viveiros, bem como a preservação do meio ambiente, a utilização de microrganismos tem sido uma excelente alternativa que possibilita a alta eficiência, a qual, é um dos requisitos fundamentais para a sobrevivência na atividade.

Os microrganismos marinhos e de água doce constituem a base da cadeia alimentar em oceanos, lagos e rios. A microbiota do solo ajuda a degradar detritos e incorporar nitrogênio gasoso do ar em compostos orgânicos, reciclando assim os elementos químicos entre o solo, a água, os seres vivos e o ar. Os seres humanos e muitos outros animais também dependem dos microrganismos em seus intestinos para realizar a digestão e sintetizar algumas vitaminas que seus corpos requerem, incluindo algumas vitaminas do complexo B e vitamina K (Tortora, 2012).

A Aquicultura Integrada Multi-Trófica, internacionalmente conhecida pela sigla IMTA (Integrated Multi-Trophic Aquaculture), é uma prática recente na aquicultura, que consiste no cultivo de espécies de diferentes níveis tróficos na mesma unidade produtiva, sendo que o cultivo pode incluir dois ou mais níveis tróficos. Cabe destacar que nível trófico é a posição que um dado organismo ocupa na cadeia alimentar. A cadeia alimentar representa o movimento e transferência de matéria e energia entre os seres vivos.

Os probióticos

O termo “probiótico” foi definido pela primeira vez como sendo um fator de origem microbiológica que estimula o crescimento de outros organismos (Lilly e Stillwell, 1965). Depois de alguns anos, utilizaram-se microrganismos em dietas para animais, definindo-os como organismos ou “substâncias” que contribuem para um balanço intestinal adequado (Parker et al., 1974). De acordo com Fuller et al. (1989), os probióticos são constituídos de microrganismos vivos que afetam beneficamente o hospedeiro melhorando o equilíbrio na flora do trato gastrintestinal.

Probióticos são suspensões de microorganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios notáveis à saúde do hospedeiro bem como do ambiente explorado (FAO, 2001).

As bactérias probióticas tem potencial para substituir os antibióticos por não poluir o ambiente, não selecionar cepas resistentes, além de possibilitar um melhor crescimento (Vieira et al, 2010).

Mecanismos de ação dos probióticos

Vários são os mecanismos de ação dos probióticos, podendo citar:

Exclusão por Competição

Bactérias probióticas se aderem às células epiteliais da parede celular (micro vilosidades) e habitam na mucosa, impedindo a fixação das bactérias patogênicas;

Competição

As bactérias probióticas competem com as patogênicas pelo substrato à luz intestinal, impedindo assim a sua multiplicação;

Produção de substâncias antimicrobianas

Cepas probióticas possuem a capacidade de produzir bacteriocinas. Atualmente já se utilizam estas bacteriocinas naturais para a conservação de alimentos para humanos;

Desintoxicação

Através da neutralização in situ das entero-toxinas e da prevenção da síntese de aminas tóxicas;

Estimulação do sistema imunológico

Devido ao conceito “saúde intestinal”, os probióticos atuam no equilíbrio da flora intestinal, mantendo o sistema digestório saudável e consequentemente estimulando a produção de anticorpos específicos e não específicos. No caso dos crustáceos que não possuem a capacidade de produzir anticorpos (memória imunológica), os probióticos aumentam a eficiência da modulação do sistema imune inato através de uma microbiota intestinal em equilíbrio;

Produção de enzimas digestivas

Alguns microrganismos probióticos são capazes de produzir no intestino enzimas microbianas digestivas, exógenas ao animal, que associadas às enzimas que são naturalmente produzidas no intestino, otimizam a digestão promovendo o aumento da eficiência alimentar;

Tratamento ambiental

A administração de probióticos melhora a qualidade no ambiente de cultivo, através da redução das concentrações de matéria orgânica, de nitrogênio e de fósforo, além de inibir o crescimento de patógenos.

Para que a utilização de probiótico seja realmente efetiva em um sistema de criação existem dois fatores que são de fundamental importância. Esses fatores são: concentração e conservação.

Temos que ter em mente que as bactérias probióticas têm que fazer prevalência no meio para se sobreporem as bactérias patogênicas e para tanto é preponderante que os produtos a serem utilizados tenham altas concentrações (UFC/g). Da mesma forma temos que nos conscientizarmos que probióticos são bactérias vivas, e como tal devem ser conservadas sob refrigeração, para que se mantenham vivas até sua chegada ao sistema digestivo dos animais, pois, só assim serão realmente efetivas.

Outro aspecto à considerar quando da utilização de probióticos é a procedência do mesmo, já que a origem das cepas utilizadas no produto pode garantir ou não o resultado final.

Conclusão

Sem dúvidas a utilização de probióticos resulta em melhorias significativas na saúde dos animais aquáticos e na eficiência dos sistemas produtivos, devendo ser uma prática constante nos mais diversos meios de produção aquícola, pois, maximiza os ganhos zootécnicos, ambientais e econômicos, quando utilizado e conservado de maneira adequada.

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