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Mixosporidíase gonadal em matrizes de tilápia

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As doenças reprodutivas são pouco conhecidas na aquicultura mundial. Diferentes agentes infecciosos e parasitários possuem a capacidade de ocasionar diminuição ou perda da atividade reprodutiva, impactando a produção de ovos e larvas, além de aumentar os custos de produção das formas jovens para as demais etapas do ciclo de criação. Duas principais doenças possuem a capacidade de comprometer a reprodução em tilápias, sendo a mixosporidíase gonadal e a franciselose gonadal.

A mixosporidíase é uma doença parasitária causada por diferentes gêneros de parasitos microscópicos pertencentes à classe Myxosporea. Em tilápia do Nilo, temos a ocorrência de parasitos mixosporídeos pertencentes ao gênero Myxobolus que infectam principalmente o interstício gonadal de fêmeas de tilápia, sendo descrito a espécie Myxobolus dahomeyensis como agente gonadal no continente africano, mas ainda carecemos de descrições específicas do gênero que ocorre em tilápias no Brasil. Estes parasitos são agentes microscópicos, que possuem um ciclo de vida complexo o qual a tilápia é o hospedeiro intermediário, havendo a necessidade de oligoquetas como hospedeiros definitivos, embora o ciclo de vida e estratégia de transmissão da mixosporidíase gonadal ainda necessite de maiores estudos para elucidação.

As matrizes infectadas por Myxobolus sp. em seus ovários desenvolvem um quadro inflamatório crônico, na qual a intensidade e distribuição da inflamação é dependente da quantidade de parasitos observados no interstício ovariano. Em casos severos de infecção, notamos que a fêmea pode alcançar a perda da função reprodutiva, sendo caracterizado um quadro de castração parasitária. O percentual de matrizes com comprometimento da atividade reprodutiva em um plantel pode ser variável, além de ser de difícil detecção nas fazendas berçário, podendo ocorrer em pequena parcela da população ou em até 45% do plantel. Por outro lado, a mixosporidíase gonadal parece não se tratar de um problema reprodutivo de importância para os reprodutores, uma vez que não temos diagnosticado na rotina machos que apresentem Myxobolus associado ao interstício testicular.

O monitoramento e diagnóstico desta doença devem ser conduzidos de forma constante no plantel de matrizes, principalmente quando notado redução da atividade reprodutiva. Para tanto, a melhor opção para rastrear as fêmeas que estão reproduzindo é pela separação manual daquelas que apresentarem ovos incubados na boca no intervalo de 6 coletas de ovos (6 semanas, considerando uma coleta por semana). Considerando que ciclo reprodutivo da tilápia é em torno de 21 a 30 dias (dependendo do clima), no intervalo de 6 semanas as matrizes que estiverem em boas condições reprodutivas deverão apresentar ao menos uma desova. O plantel de fêmeas remanescentes neste período, que não apresentarem desovas, deverão ser submetidas à necropsia e avaliação da integridade ovariana. Geralmente as fêmeas com infecção avançada por Myxobolus apresentam ovários enegrecidos, com sinais evidentes de inflamação (Figura 1). Para confirmação do diagnóstico se faz necessário uma avaliação microscópica a fresco do tecido ovariano, ou então uma avaliação histopatológica. Uma vez confirmada a infecção por Myxobolus, a melhor alternativa é realizar o descarte das fêmeas inférteis do plantel, uma vez que não temos opções de tratamento efetivos.