Principal Colunas Bomba de carne fresca: um grande passo para a sustentabilidade na produção de alimentos aquícolas

Bomba de carne fresca: um grande passo para a sustentabilidade na produção de alimentos aquícolas

Bomba de carne fresca: um grande passo para a sustentabilidade na produção de alimentos aquícolas
0

O equipamento “bomba de carne fresca” é utilizado no processo de fabricação de alimento extrusado para animais de estimação, principalmente cachorros. Seu uso possibilita a inclusão de ingredientes como a carne fresca de frango e em consequência a obtenção de uma textura e qualidade únicas. Esse tipo de produto consiste em uma ração tipo premium rica em proteína para atender nichos de mercado.

Conforme mencionei em edições anteriores, a indústria de alimento de animais de estimação oferece grandes oportunidades para a indústria de alimento aquícola, e a bomba de carne fresca é uma delas. Na fabricação de alimentos aquícolas extrusados, esse equipamento permite a utilização de uma série de rejeitos e subprodutos industriais, além da incorporação de novos ingredientes que dificilmente seriam utilizados na maneira tradicional. Sua utilização abre um leque de possibilidades não só em relação aos ingredientes a serem utilizados, mas também à qualidade do produto final (pellet – grão de alimento), pelo fato de possibilitar a incorporação de ingredientes úmidos e semiúmidos. Em extrusão geralmente são utilizados apenas ingredientes secos. Assim, qualquer ingrediente com umidade tem que ser seco antes de incorporado no processo de fabricação, fato que eleva o custo do mesmo. Essa nova tecnologia quebra esse paradigma e abre portas para inovações. A bomba de carne fresca exige ingredientes em forma pastosa ou líquida para bombeá-los diretamente no pré-condicionador, compartimento do extrusor que recebe a adição de água e vapor, pré-condicionando os ingredientes para em seguida passarem pela cabeça do extrusor onde serão submetidos a alta pressão e temperatura.

O Laboratório de Nutrição e Fisiologia Digestiva de Organismos Aquáticos da Universidade Autónoma da Baja Califórnia, México (liderado pela Dra. María Teresa Viana), junto com a empresa Extru-Tech Inc., utiliza sua planta piloto comercial de extrusão para desenvolver novos alimentos aquícolas. Em nosso laboratório utilizamos a bomba de carne fresca para fabricação de dietas experimentais para atum, incorporando ensilagem de rejeito de pesca e recentemente produzimos dietas extrusadas para juvenis de olhete (peixe marinho carnívoro) com ensilagem de pasta de grilo. Essa última dieta é um excelente exemplo de como esse equipamento pode revolucionar a incorporação de ingredientes na extrusão. O uso de farinhas de insetos na aquacultura está em alta, com vários trabalhos publicados, inclusive uns bem interessantes do meu grande amigo e colega Dr. Maurício Gustavo Coelho Emerenciano (colunista da Green Technologies). Um dos maiores desafios para o uso desse tipo de farinha em escala comercial é o volume de produção e a preparação desses ingredientes para atender às exigências de qualidade da farinha pelas empresas de fabricação. No caso do grilo, é desafiadora a moagem para atingir uma granulometria fina pelas características composicionais do organismo.

Assim, acreditamos que a melhor forma foi produzir uma silagem com rejeito de sardinha e pasta de grilo para minimizar esses efeitos. Os resultados em termos de fabricação do alimento extrusado foram um êxito, pois conseguimos incorporar até 50% dessa silagem (rejeito de sardinha + pasta de grilo) na formulação e os pellets saíram com uma ótima qualidade. Atualmente, os juvenis de olhe-te estão em experimentação por cinco semanas e as dietas contendo grilo estão sendo aceitas da mesma forma que a controle.

Nessa coluna, quis mostrar como a indústria de alimentos evolui e apresentar uma das muitas inovações que existem no setor. É bastante provável que essa tecnologia de bomba de carne fresca esteja presente no mercado nos próximos anos. E quais ingredientes estaremos incorporando nas dietas?