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Melhoramento Genético: o sonho de Maradona

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Não é fácil iniciar uma série de colunas sobre melhoramento genético. Trata-se de uma disciplina que para conseguir entendê-la precisamos ter claro alguns conceitos, entre eles, por exemplo, as leis de Mendel. Todos sabemos das dificuldades para seu entendimento. Sem querer julgar, a maioria dos técnicos ligados a aquicultura não conhecem o conceito de GENE, mesmo falando de melhoramento genético, muito menos de alelo e de segregação mendeliana. Na sequência precisamos ter boas noções de estatística e genética quantitativa. E para finalizar, mas não menos importante, precisamos conhecer a biologia e o comportamento do animal que desejamos melhorar. Numa bela oportunidade, conversando com o Dr. Maurício Alencar, meu professor e orientador de genética quantitativa, uns dos idealizadores do programa de desenvolvimento da raça bovina Canchim da Embrapa, frente a uma série de perguntas o “monstro” me responde:

“Rodolfo, Ninguém faz melhoramento de um animal que não conhece”.

O intuito desta nova série, e apesar de já ter lido ótimas notas em revistas do setor, é rever alguns conceitos básicos e tentar colocá-los em uma linguagem coloquial para o entendimento de alunos, técnicos e profissionais da aquicultura. A continuação, iremos aprofundando o tema para chegar com uma sequência lógica e temas mais específicos. Para começar, existe um dito famoso: TAMANHO NÃO É DOCUMENTO.

O que isso significa? Já escutei milhões de vezes de aquicultores participando de uma despesca, em uma transferência ou em qualquer manejo habitual, ao observar um indivíduo avantajado em peso e comprimento, comentar a possibilidade de produzir um reprodutor com aquele exemplar, achando que o mesmo é adequado para tal, mesmo sem ter a mínima noção do histórico do animal. Primeiramente, algo que temos que ter bem claro é que o que nós observamos, o fenótipo, é a relação entre o genótipo e o ambiente que o indivíduo foi cultivado desde seu nascimento até o momento em que se está observando, e em alguns casos, já existe um efeito materno antes do mesmo ter nascido. Parece fácil entender este conceito, mas não é. O grande objetivo de um melhorista no seu programa é estimar que proporção do fenótipo é devido a ação dos genes e que proporção é devido a ação do ambiente, para selecionar ou cruzar os que realmente são superiores geneticamente.

Para complicar a situação, existe uma variabilidade ambiental bastante reconhecida nos cultivos aquícolas: diferentes estuários, salinidades, temperaturas, sistemas de cultivo, etc, etc.….

Para finalizar, sabem qual é o sonho de Maradona? Produzir uma linhagem de crescimento rápido e resistente às doenças.