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Engorda do camarão Macrobrachium rosenbergii em sistema com tecnologia de bioflocos

Engorda do camarão Macrobrachium rosenbergii em sistema com tecnologia de bioflocos
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Larissa Joyce Lopes Nunes
Tiago Alexandre Lucas
Engenheiros de Pesca

Juliana Ferreira dos Santos
Professora Adjunta da Unidade Acadêmica de
Serra Talhada – UFRPE

Edson Pereira dos Santos
Biólogo
edsoncamaraopitu@yahoo.com.br

 

O camarão conhecido como pitu havaiano ou gigante da Malásia, de nome científico Macrobrachium rosenbergii, é a maior espécie de camarão do mundo, podendo os machos exceder 32 cm de comprimento, como ilustrado na Figura 1. Esta espécie possui hábito alimentar onívoro e uma grande propensão a se alimentar de organismos bentônicos. Quando produzido em grande escala apresenta uma boa efetividade econômica principalmente por não exigir rações com níveis altos de proteínas quando comparado a outras espécies. Sua reprodução ocorre em água doce, porém a sua larvicultura é feita em água salobra até o ponto em que atinge um período que dura aproximadamente 30 dias, e passem por um processo de metamorfose, o que vem a possibilitar a sua soltura na água doce.

Com o aumento da procura global por alimentos de elevado valor nutritivo e saudáveis, a prática da carcinicultura tem sido uma escolha/caminho acessível em diversos aspectos. Partindo da visão nutricional para a econômica, sua alta rentabilidade, em especial para pequenos produtores rurais, contribui significativamente para o aumento da renda familiar.

Colaborando com essas questões, o camarão de água doce apresenta uma carne branca, sem presença do odor forte e peculiar dos camarões de água salgada com uma textura/aspecto vigoroso que se assemelha às lagostas marinhas. Em sistema semi-intensivo pode atingir o tamanho comercial em 120 a 180 dias (aproximadamente 30-35g), tonando essa espécie ainda mais promissora.

Vantagens dos sistemas intensivos

Sistemas semi-intensivos se caracterizam por realizar o cultivo em viveiros de terra, com uma área variando de 1.000 a 5.000 m² por viveiro e densidade baixa, em torno de 10 animais/m². Além disso, nesse tipo de cultivo, há um certo controle da qualidade de água, que conta com renovações, e pode-se chegar a produzir até 1,8 ton/ha/ano de biomassa.

O uso do sistema com tecnologia de bioflocos possui a vantagem de não necessitar de múltiplos sistemas externos de filtragem, pois na água são realizados processos a partir de microorganismos, que transformam os compostos nitrogenados mais tóxicos (amônia e nitrito) em compostos menos tóxicos (nitrato). Esse sistema tem sua fundamentação dada pela relação C:N (carbono: nitrogênio) sustentada numa faixa de 15~20: 1, o que faz com que haja um aumento no desenvolvimento das comunidades bacterianas que realizam o processo de nitrificação e também servem como alimento suplementar aos camarões. Quando a comunidade bacteriana é gerida de forma correta, o sistema terá uma alta capacidade de assimilar e fazer a ciclagem de quantidades significativas de nitrogênio, através das bactérias.

Os sistemas com tecnologia de bioflocos (BFT) também se destacam por apresentar uma diminuição na quantidade de ração ofertada, fator que de certa forma favorece a aplicação e uso desse sistema em particular. Nele, os restos de ração, microrganismos, cianobactérias, fungos, algas, protozoários, bactérias e resíduos, originam os flocos agregados, que os animais utilizam como fonte de alimento, diminuindo assim os custos com alimentação, além de serem eficientes com altas densidades de estocagem.

Figura 1. Exemplares machos da espécie Macrobrachium rosenbergii. © Edson Pereira

Cultivo piloto

Acompanhou-se o processo de engorda até a despesca do pitu havaiano em sistema com tecnologia de bioflocos em uma salinidade de 30 ppt, durante 90 dias. Para isso, foi utilizado um tanque de concreto com dimensões de 7m x 3m x 1,3m, totalizando um volume de 27,3m³. Este tanque foi povoado com 4.000 pós-larvas do pitu havaiano (Figura 2), oriundas da Larvicultura Rota do Mar, com peso inicial de 0,10 g, totalizando uma biomassa inicial de 400 g e uma densidade de 148 pl’s de camarão/m³.

No decorrer do cultivo, os principais parâmetros da qualidade de água foram aferidos diariamente. A temperatura média foi de 27, 4 ºC. O oxigênio se manteve em 6,3 mg/L e o pH em 7,2. A alcalinidade do sistema se manteve entre 110 e 130mg/L CaCO3. Todos os parâmetros se mantiveram dentro dos níveis indicados para a espécie ou sistema de cultivo. Sendo que dentro dos parâmetros ideais para o melhor desempenho do pitu havaiano, a temperatura mínima deve ser 25°C e a temperatura máxima de 31ºC, o oxigênio dissolvido em torno de 4 mg/L, assim como a alcalinidade deve estar próxima a 120 mg/L de CaCO3.

Os animais receberam a sua alimentação diariamente, através de bandejas em dois horários distintos. A quantidade ofertada de ração foi em função da biomassa animal (3%) que era obtida por meio de biometrias realizadas a cada 30 dias, onde os animais eram capturados (Figura 3A) pesados e em seguida iberados de volta ao tanque (Figura 3B).

O resultado final do cultivo do pitu havaiano, após os 90 dias do povoamento, mostrou em sua despesca (Figura 4A), animais com um peso médio de 25 g (Figura 4B) e uma sobrevivência total de 48%. Resultando em uma produção final de 48 kg de camarão e uma produtividade de cerca de 22,86 ton/ha, com um fator de conversão alimentar de 1,4:1.

Figura 2. a) Captura dos animais para biometria; b) Animais devolvidos ao tanque após a biometria. © Edson Pereira

Figura 3. a) Captura dos animais para biometria; b) Animais devolvidos ao tanque após a biometria. © Edson Pereira

Conclusão

Com isso pode-se concluir que apesar de algumas dificuldades no cultivo, como em qualquer outro empreendimento, a produção do pitu havaiano em sistema com tecnologia de bioflocos, pode se mostrar rentável, visto que o próprio sistema tem a capacidade de produzir uma fonte de alimento para o camarão, fator esse que de certa forma reduziria os custos, além de possuir índices de crescimento satisfatórios para a produção.