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Quilodonelose – protozoose de inverno

Quilodonelose – protozoose de inverno
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A quilodonelose é uma doença parasitária ocasionada por protozoários ciliados ectoparasitos pertencentes ao gênero Chilodonella. No Brasil, até o momento temos a descrição de Chilodonella hexasticha como principal agente parasitário associado a problemas de surtos de mortalidade em peixes de criação comercial, infestando pele e brânquias dos animais. Tradicionalmente, esta parasitose encontra condições ideais para proliferação durante o período de queda na temperatura da água, acometendo principalmente as fases jovens dos peixes (larvas, alevinos e juvenis).

Infestações com baixa intensidade de parasitismo podem ser diagnosticadas sem a ocorrência de alterações patológicas, no entanto, dependendo do porte do animal, as lesões podem ser observadas a partir de infestações moderadas e intensas, sendo caracterizadas principalmente por perda de escama, ulceração da pele, corrosão de nadadeiras, palidez branquial e áreas esbranquiçadas sobre as brânquias, o que geralmente está associada à necrose e perda de função do órgão. Tradicionalmente, a infestação por Chilodonella se apresenta de maneira mais agressiva quando comparada com a infestação por Trichodina, que é outro protozoário ciliado comumente diagnosticado em peixes de criação.

O diagnóstico da doença deve ser realizado a partir de exames a fresco do raspado de pele e brânquias, com pesquisa do parasito em microscópio óptico. Esta técnica é simples e pode ser facilmente realizada a campo, desde que haja o acompanhamento de um profissional de saúde apto para realizar o diagnóstico e diferenciar de outros parasitos. O principal diagnóstico diferencial que deve ser realizado é contra Trichodina, uma vez que estes parasitos apresentam tamanhos similares, mas podem ser diferenciados pela morfologia e padrão de movimentação no exame a fresco. A identificação de Chilodonella é facilitada pelo formato oval, levemente alongada, apresentando pequena assimetria e presença de várias estrias ciliares sobre o corpo do parasito (Figura 1), que por sua vez, promove movimentação em única direção quando observada a fresco. Por outro lado, os tricodinídeos possuem formato circular, com presença do anel denticular, além de uma única fileira de cílios no entorno do protozoário, o que promove uma movimentação em círculos.

Figura 1. Detecção de Chilodonella sp. em exame a fresco de raspado branquial de tilápia (a); observação das estrias ciliares em Chilodonella hexasticha impregnada com nitrato de prata (b). © Santiago Benites de Pádua

Para intervenção terapêutica contra quilodonelose, a melhor opção é o uso de cloramina-T, que é um desinfetante utilizado em muitas atividades de criação animal, incluindo a aquicultura. A aplicação deste produto deve ser realizada em ambiente controlado, sem a presença de sedimento ou matéria orgânica, de forma a otimizar a eficácia do produto e permitir rápida renovação da água após o período de tratamento. Geralmente estas intervenções são realizadas em depuradores/quarentenários, caixas de transporte e ou instalações similares, que permitem a manutenção dos animais durante o tempo necessário para o tratamento e com possibilidade de aeração artificial e renovação de água após o tempo necessário para imersão. A dosagem terapêutica varia de 20 a 45 mg/L de água durante 15 a 30 minutos de exposição, variando conforme o pH da água. Em águas ácidas (pH <7) deve-se utilizar a menor dosagem com menor tempo de exposição, enquanto em pH neutro (pH = 7) e alcalino (pH > 7) pode-se lançar mão de dosagens maiores com maior tempo de exposição. Esta intervenção terapêutica não pode ser realizada em viveiros escavados, uma vez que não será possível realizar uma exposição controlada, havendo sérios riscos à saúde do plantel.