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Nem tudo que encontra-se online tem que ser compartilhado

Nem tudo que encontra-se online tem que ser compartilhado
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Definitivamente certos aplicativos influenciam diretamente nosso dia a dia. Alguns ainda resistem, mas no caso do WhatsApp por exemplo, está quase impossível ficar sem. Ferramenta de comunicação eficiente e barata. Outros aplicativos (Instagram, Youtube, Facebook, entre outros…) permitem a rápida e ampla difusão de informações. E o que mais tem se observado é como os próprios envolvidos com a proteína aquática estão “atirando no próprio pé”. Em meio a alguns vídeos e fotos que são benéficos, há um festival de desinformação e, especialmente, postagens que denigrem a imagem da atividade.

Péssima mania de compartilhar tudo que se recebe. No meu entendimento, pessoas carentes e que estão precisando de algum tipo de atenção. Nem que seja para ser criticado por ter compartilhado aquilo, mas precisam de atenção. É fundamental o entendimento que todo o tipo de postagem negativista, ou seja, aquelas que causam câncer, que “cheira sangue”, que agridem o meio ambiente, que fazem mal para saúde e etc… tem um rápido poder de disseminação pelas redes sociais. É comprovado cientificamente que quando se fala bem de alguém apenas outras 4 pessoas vão ficar sabendo que tal pessoa foi elogiada. Mas quando se fala mal, outras 13 pessoas ficam sabendo. E com notícias negativistas não deve ser diferente, se não for pior.

O que mais me impressiona que após um certo tempo tem postagens negativistas que voltam a ser destaque. Exemplo clássico disso foram as postagens dos 8 peixes que não devemos comer e do parasito retirado da nadadeira peitoral de um piau flamengo. Ambas ganharam destaque por duas vezes. No caso da primeira, uma baita Fake News sem qualquer embasamento técnico que atacou tanto os peixes da pesca quanto da aquicultura. Qualquer um que trabalha com pescado tem o discernimento que aquilo não é verdade. Então por que compartilhar???

No caso do piau flamengo, mesmo que aquela espécie não seja criada, é o tipo de postagem que prejudica o mercado de todas as espécies aquícolas. O consumidor comum não tem discernimento para entender isto. Ao ver um vídeo daquele, imediatamente fica mais receoso em consumir pescado. Claro que quando se trata de uma utilidade pública, envolvendo algum tipo de zoonose, onde a informação passada tenha algum lastro técnico, é mais que dever nosso difundir a informação. Mas…, o que se vê é que a grande maioria das postagens são alarmistas e carregadas de desinformação.

A grande massa de consumidores de produtos do agronegócio estão concentradas nas capitais e no litoral. Enquanto que a produção de alimentos encontra-se no interior. E aí que infelizmente uma grande parte dos consumidores além de não saberem como os alimentos são produzidos, ainda estão tendenciosos a serem contra a produção de alimentos. Sim, por mais contraditório que pareça esta é a realidade. Os veículos de desinformação fizeram o desfavor de plantar esta sementinha nos consumidores. Neste caso, encontram-se sensíveis a informações negativistas sobre o agronegócio.

No momento em que escrevo esta coluna por exemplo, já recebi em 3 grupos de aquicultura do WhatsApp e em 2 mensagens particulares a história que chineses estão fabricando ovos com materiais plásticos e resíduos humanos, sendo este ovo artificial exatamente igual no formato, na textura e no sabor, ao ovo natural. Pra quê compartilhar uma bobagem desta??? Conforme comentei, isto é prejudicial para toda cadeia de proteína animal. Não vejo profissionais que vivem da bovinocultura de corte abatendo boi em baixo do pé de manga.

Não vejo profissionais que vivem da avicultura de corte, limpando frango na lata com água quente. Não vejo profissionais que vivem da suinocultura, abatendo suínos a base da facada no coração…. mas vejo profissionais da aquicultura postando vídeos de como filetar tilápia e o peixe ainda está vivo. Vejo piscicultor postando foto se gabando de uma despesca produtiva, mas não se vê gelo no peixe abatido. Entre outros absurdos que é melhor nem citar.

Enfim, vamos zelar pela imagem da nossa atividade. Nem tudo que recebemos necessariamente precisa ser compartilhado. Antes de qualquer postagem, conferir se o que está sendo postado encontra-se de acordo com as regras de bem estar animal, sanidade, higiene, qualidade e, acima de tudo, veracidade da informação.