Demanda x Produção

Demanda x Produção
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O crescimento de qualquer atividade produtiva está diretamente relacionado à demanda que existe para essa atividade. A coluna que escrevo nessa edição tem inpiração em um documento da FAO intulado “Short-term projection of global fish demand and supply gaps”. Os dados desse documento da FAO mostram um crescimento global per capita inferior a 20 kg/ano de pescado em meados dos anos 2010 para 23 – 25 kg/ano de consumo de pescado em 2020.

Logicamente que esse aumento é impulsionado pelo consumo do pescado pela população, assim como pelo aumento da população global. O que chama a atenção no documento é que seremos incapazes de suprir esse aumento do consumo, seja pela pesca, onde se projeta a mesma estagnação da captura que já observamos atualmente, ou mesmo pela aquicultura, que embora venha crescendo em vários países do mundo e de forma expressiva, também não será capaz de suprir essa demanda se mantivermos as mesmas taxas de crescimento dos últimos anos. Ou seja, para atendermos esse aumento do consumo estimado pela população global teremos que aumentar e muito a produção de pescado global.

E qual é a demanda estimada de peixes que faltará para suprir esse crescimento do consumo? O interessante é que referente aos peixes de  água doce, estima-se que conseguiremos manter os níveis estimados de consumo, porém precisaremos incrementar em 6,7 milhões de toneladas a produção de peixes marinhos se mativermos os mesmos níveis de crescimento atuais em ambos os grupos. Se considerarmos o mercado nacional, é fácil entender esses dados, pois enquanto crescemos substancialmente na produção de peixes de água doce, engatinhamos na produção de peixes marinhos (como já comentei em edições anteriores, atualmente produzimos apenas o bijupirá e em uma escala muito pequena!).

Considerando então o título dessa coluna (Demanda x Produção), o que acontece atualmente no Brasil? Referente a demanda, temos  mercado consumidor para expandir e muito! Essa percepção vem das conversas com quem produz, onde é relativamente fácil vender os peixes produzidos em mercados próximos da produção e mercados mais distantes poderiam ser explorados caso ocorresse um aumento da produção (isso sem considerar possibilidades de exportação). Porém falta demanda justamente para os laboratórios que produzem juvenis, com capacidade de produção muito maior do que realizada pelas pouquíssimas fazendas de engorda, dificultando a manutenção e ampliações dos laboratórios. Falta demanda também para a indústria produtora de ração, que sem peixes para alimentar não aumentam e  investem de forma tímida na produção de ração para peixes marinhos.

Mas o que eu queria mostrar com essa coluna é que temos um mercado que clama por expansão, os dados de necessidade e possibilidade de expansão são reais e imediatos e se fortalecermos aos poucos os elos da cadeia produtiva de peixes marinhos poderemos morder uma fatia desse mercado que está em aberto.