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Microdietas extrusadas – uma revolução na nutrição aquícola

Microdietas extrusadas – uma revolução na nutrição aquícola
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Microdieta é um termo utilizado para dietas menores ou iguais a 1 mm. Esse tipo de alimento é utilizado principalmente durante o período de desmame (transição gradual do alimento vivo para o alimento formulado) nas etapas de larva e de formas jovens de diferentes  organismos, como peixes e camarões.

Algo que a maioria das pessoas desconhece é que grande parte das microdietas comercializadas são granuladas e não extrusadas, inclusive  as da empresa Japonesa Otohime. No site da Reed Mariculture consta que apenas as dietas da Otohime maiores que 1,7 mm são extrusadas. Ou seja, dietas menores que 1,7 mm são peletizadas e/ou granuladas. Para saber mais sobre as dietas extrusadas, consulte  minha coluna “Extrusão” publicada nesta revista (edição n° 05 mar/abr 2017).

De forma sucinta, uma dieta peletizada é feita através de um processo de fabricação que envolve pouca pressão e temperatura quando comparada ao processo de extrusão, o qual consiste em um procedimento de cozimento através de um rápido aquecimento com alta t temperatura e pressão. Uma analogia simples seria que no processo de fabricação de uma dieta peletizada se utiliza um moedor de carne, e no processo de extrusão, uma panela de pressão.

Já a dieta granulada é resultado da moagem do alimento peletizado que em seguida é peneirado na medida requerida. Assim, a dieta  granulada é constituída de grãos de determinado tamanho de partículas do alimento peletizado. O grande problema nesse procedimento é que os grãos não possuem necessariamente a mesma composição nutricional, ou seja, há uma disparidade em termos de qualidade nutricional entre os grãos do mesmo alimento. Isso pode ocasionar sérias consequências, pois existe o risco de os organismos consumirem um alimento não balanceado. No caso das microdietas esse problema se torna ainda mais crítico, pois as larvas e formas jovens de peixes e camarões necessitam de um alimento completo e balanceado para um ótimo desenvolvimento, o que pode não ser atendido com microdietas granuladas.

Já as microdietas extrusadas garantem que cada grão (pellet extrusado) contenha a qualidade nutricional da formulação, oferecendo uma nutrição completa e balanceada. Acredito que muitos devem se perguntar: “Então por que as empresas não produzem esse tipo de alimento (microdietas extrusadas)”? A resposta é simples: Porque esse processo de fabricação é bastante sensível, complexo e com um elevado índice de risco. Para a fabricação de uma microdieta de 0,75 mm, por exemplo, os ingredientes devem ser moídos a um tamanho de partícula menor que 0,75 mm. Qualquer partícula maior que 0,75 mm que esteja dentro dos ingredientes pode tapar a matriz (parte da extrusora da qual saem os alimentos) e consequentemente parar todo o processo de fabricação, resultando em grande prejuízo.

Em dezembro de 2017, o Laboratório de Nutrição e Fisiologia Digestiva de Organismos Aquáticos da Universidade Autônoma da Baja Califórnia (UABC), liderado pela Dra. María Teresa Viana, junto com a empresa ExtruTech-Inc (Kansas, EUA) desenvolveram um processo de fabricação em escala experimental de microdietas (0,15 a 0,75 mm – Figura 1).

A ExtruTech-Inc já iniciou a montagem de extrusoras em escalas comerciais de microdietas para empresas na América Latina, as quais buscam produzir microdietas para a indústria de carcinicultura.

Uma vez que essas microdietas extrusadas estejam disponíveis no mercado, acredita-se que as mesmas revolucionarão a nutrição aquícola por motivos tais como:

  1. Cada grão (pellet extrusado) contém uma nutrição completa e balanceada;
  2. Atualmente não existe um alimento igual no mercado;
  3. Esse alimento é utilizado em etapas críticas no desenvolvimento da cadeia aquícola.

Espero que essa coluna tenha sido útil para todos e que no futuro o tema “microdietas extrusadas” já seja uma realidade na aquicultura brasileira.

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Figura 1. Microdietas de 0,35 mm produzidas na UABC.